De Bessa ou B... a soldo? a 13 de Novembro de 2009 às 11:05
OS GRANDES VOTOS

«Sem preocupações de grande rigor, poderia começar por afirmar que, de modo geral, queremos todos mais ou menos o mesmo: paz, amor, felicidade, viver bem (conforto, segurança). [- os ''grandes votos'']
...
O problema é que os "grandes votos" fazem parte do aspiracional, para não dizer do ilusório, ou, noutra linguagem, do metafísico e do transcendental. São bonitos mas servem para pouco, se se trata de responder a uma outra questão: que fazer?
...
A análise concreta da situação concreta revela que, infelizmente [ !! ], os portugueses vivem bem demais [ !! ]- vivem, pelo menos, muito acima das suas possibilidades. Produzem um pouco menos de 90 por cento dos bens que absorvem seja para consumo (em família, ou através do Estado) seja para investimento (em casa, nas empresas ou, de novo, através do Estado).
Porque esta situação se prolonga desde há muitos anos, encontram-se muito perto dos limites do endividamento, diariamente confrontados com restrições ao crédito (degradação de ratings, aumento de spreads, aqui e ali, as primeiras restrições quantitativas).

A análise concreta da situação concreta aponta para um único caminho:
produzir mais (e não gastar mais), dar toda a prioridade à produção (e não à distribuição).
Com a escala global que o problema atingiu (o défice e as dívidas são de todos nós), [- calma aí: eu não devo nada ao banco, nem ao fisco, nem à segurança social, nem a fornecedores...]
e num mundo tão aberto e tão globalizado como aquele em que viemos a viver (os credores são externos) não há outra forma de seguir o caminho preconizado que não seja: exportar, exportar, exportar...

Exportar, investir para exportar, criar emprego em actividades (indústrias e serviços) exportadoras, consumir internamente (começando pelos rendimentos gerados nas actividades exportadoras), aumentar a cobrança de impostos por parte do Estado (começando pelo rendimento gerado nas actividades exportadoras, sem aumento das taxas dos impostos [-aos bancos e ... deveria ser cobrados impostos de % igual que as restantes empresas e singulares pagam e não apenas 15% !! ] )
é a única via que se oferece à sociedade portuguesa para começar a vencer os desequilíbrios económicos que a sufocam e, a mais longo prazo, começar a caminhar num sentido mais consentâneo com as suas grandes aspirações.

Que estas exportações tenham de ter um conteúdo tecnológico crescente, incorporando também cada vez mais inovação, em geral, faz já parte do procedimental (ditado por preocupações idênticas de "análise concreta da situação concreta"), não sendo para aqui chamado, neste momento.

O pior cenário é o de podermos partir para a realização dos mesmos "grandes votos" convencidos de que o caminho terá de ser o do aumento da procura interna - caminho já experimentado, com êxito, e porventura ainda experimentável, com o mesmo êxito expectável, em situações concretas muito diferentes das nossas: em grandes economias, muito mais fechadas (com baixo conteúdo de importação), de preferência menos endividadas.

A curto prazo, ...-->


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