De Segredo para camuflar não-justiça ?! a 18 de Novembro de 2009 às 14:17
Revelações (4)

Quanto ao segredo de justiça, os magistrados e os jornalistas sabem que estão desde há muito a viver num ambiente mediático que sobrevive graças ao desprezo por quaisquer segredos.
Quando Manuel Godinho consegue obter informação acerca de um acórdão que ainda não foi assinado, ou Fátima Felgueiras é avisada que vai ser emitido um mandato contra ela; quando o director da PJ avisa que vai à Universidade Tal na semana seguinte ou desaparece a cabeça de um cadáver no Instituto de Medicina Legal,
o maralhal lê, toma conhecimento, e entreolha-se mordendo matreiramente o lábio inferior.

É a justiça a funcionar.

Se alguma vez se voltar a optar pela perseguição e punição dos mensageiros, então, meus dilectos amigos, ter-se-á fechado a porta à última esperança.
Só os poderosos ficarão a saber tudo e nós outros aquilo que não os comprometer demasiado.

Como dizia Pierre Bourdieu a propósito da "opinião pública" o segredo de justiça não existe.
Não passa de um entretenimento para camuflar uma justiça cada vez mais cara, pantanosa, hipócrita e inacessível à maioria dos cidadãos.

No fundo, todos sabemos que a condição prévia para tornar a justiça justa é recuperar um valor basilar da nossa vida comum. De tão simples que é, todos os dias nos doi ao ouvirmos e lermos as preocupações formalistas que vão enchendo os jornais.

Que valor é esse? A decência.

Como não se pode ter tudo ao mesmo tempo, - pronto: comece-se por aí!
# posted by Manuel Correia @ 12:15 0 comments

Revelações (3)

Armando Vara foi escutado a falar com José Sócrates. Ah, ah! Não pode ser. Já se está a passar todas as marcas! Outra campanha negra...

Espionagem política!, - bradou o Ministro Vieira da Silva que sempre soube contrastar uma certa maciez no tom com uma grande agressividade na substância.

Espionagem política?!
O 1º Ministro não pode ser escutado nas conversas que mantém com quem quiser, por causa do segredo de Estado e etc.

Quando Armando Vara digitou o número do telemóvel de José Sócrates, o investigador à escuta, deveria imediatamente ter deixado de escutar, ter deixado de gravar, e partir do princípio que, das duas, uma:
ou aquela conversa não ia ter nenhum interesse para a investigação, ou,
dissesse o Sr. 1º Ministro o que dissesse, o superior entendimento acerca do significado do que dissesse, passaria sempre por uma autorização do STJ.

Como se vê, a aplicação da justiça aos poderosos acaba sempre por padecer de irregularidades formais, abordagens duvidosas e nulidades processuais.

Muitos teriam gostado de ouvir o 1º Ministro afirmar a sua inocência e disponibilidade para ajudar a esclarecer o imbróglio. Em vez disso, José Sócrates, agastado, achou que já se passou de todas as marcas.

Todas as marcas?
Todas, todas?

Deveria ter-se lembrado de que não se pode ter tudo ao mesmo tempo.
# posted by Manuel Correia @ 12:03 0 comments

Revelações (2)

Armando Vara foi escutado a falar com Manuel Godinho.
É legítimo o Estado de Direito investigar, descobrir as maroscas que se tramam para subverter concursos, facilitar contratos, iludir o fisco, parodiar a justiça e, em caso de contratempo, assestar um ar muito seráfico, e declarar, entediadamente,
"o que é que vocês sabem de negócios e de como funcionam os mercados"?...

Têm mesmo a certeza que aquilo a que os puristas chamam "rede tentacular" não é bom para a economia?
Não serão os próprios mercados equiparáveis a redes tentaculares?
OK.
São, de facto.
Mas então e a ética, a transparência, a informação livre, a igualdade de oportunidades, a defesa dos bens públicos?

Bom.
Tanta coisa junta soa a utopia.

Está provado que não se pode ter tudo ao mesmo tempo.
# posted by Manuel Correia


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