Ausência de caminho?

Desemprego acima dos 500 mil, dívida incontrolável e o défice voltou a ser excessivo. No horizonte, crescimentos medíocres do produto e, pelo menos até 2012, não há sinais de que o emprego recupere. Como se não bastasse, assim que se vislumbrar uma tímida retoma, regressará a pressão para a consolidação orçamental.

Não são bons tempos para se estar vivo - economicamente falando, claro. Mas uma coisa os últimos meses também nos disseram: o cenário poderia ter sido bem pior. As previsões feitas para a economia portuguesa têm sido sistematicamente revistas em alta. Sendo verdade que as estratégias anticíclicas revelaram alguma eficiência, foram também insuficientes. Moral da história: sem o pacote de estímulos, a recessão teria sido bem mais profunda e o desemprego ainda pior.

Foi quebrado o ciclo vicioso que nos ameaçava, mas os riscos estão longe de terem sido eliminados. Que fazer agora? Estamos perante um dilema dramático: não temos recursos para manter a economia alimentada pelo consumo público, mas não há condições para não o fazer.

Há três caminhos possíveis, todos muito exíguos: diminuir a despesa (sendo que a que resta é tremendamente rígida); aumentar impostos (não se vê quais) e estimular a economia, continuando a aumentar a despesa. Provavelmente, é preciso fazer de tudo um pouco. Mas também é necessário que nos libertemos dos que, enquanto se entretêm a repetir que o cenário é negro, não conseguem vislumbrar nenhum caminho.

[Arquivo, Pedro Adão e Silva]



Publicado por JL às 00:01 de 22.11.09 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Ressentido a 22 de Novembro de 2009 às 08:54
Se quiserem saber mais façam um exercício -que sei impossível para 99,99% dos tugas classe média (não teriam coragem de sair à rua)- que consiste em PARECER POBRE durante 7 dias. Depois podem escrever um livro. Tereis assunto garantido.


De Ressentido a 22 de Novembro de 2009 às 08:46
Tenho 50 anos e nunca trabalhei. Modéstia à parte, na juventude, era um pequeno milagre de intuição e talento mas também algo excêntrico de aspecto. Sendo honesto e tomando banho regularmente achei que a mais não era obrigado e se por mor do meu aspecto não era aceite, escolhi ser excluído social. Foi duro mas aprendi muito sobre os "brandos costumes" dos portugueses por isso hoje não tenho um pingo de pena da situação do país. Mas não é só não ter pena, não moveria uma palha, mesmo que pudesse. Neste momento na posse de bens imóveis consideráveis por mor de herança apenas espero que a economia recupere para poder converter os referidos bens em dinheiro e emigrar para um país onde possa ser útil. A uma acção corresponde normalmente um efeito. É feio guardar rancores mas também tenho os meus defeitos. Excluiem e discriminam tendo por base critérios mesquinhos. Têem o país que merecem!


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