Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

A ideia do PS, e agora do actual Governo, inspirou-se no Pacto para o Emprego da OIT. Será necessário conter a onda mundial de desemprego avassalador e da destruição de postos de trabalho.

Como? Através de um conjunto de medidas aceites pelos Parceiros Sociais.

A ideia terá alguma hipótese de passar para além do marketing político? No caso concreto português não vejo como, para falar com sinceridade!

Por um lado os Parceiros (sindicatos e patrões) não valorizam do mesmo modo a questão do emprego e, por outro, o Governo tem pouca margem de manobra, principalmente quando não quer, ou não pode, ser o grande empregador!

A manutenção e crescimento do emprego depende muito mais do investimento público e privado do que das boas intenções dos parceiros e do governo. Ora, sabemos bem que, nos próximos tempos, não vamos ter investimento público nem privado!

Não teremos investimento público significativo porque há pouco dinheiro e a dívida é grande!

E Bruxelas e o FMI já avisaram, claro!

Não vamos ter investimento privado porque os investidores, os detentores do capital preferem colocá-lo nos 'off-shores' do que estar a ter dores de cabeça para criar emprego! Veja-se ainda na semana passada a notícia de que estariam a sair do país mais de 16 mil milhões de euros para o estrangeiro.

Enquanto o capital circular livremente, nomeadamente para paraísos fiscais, a boas taxas e sem regulação eficaz não poderemos resolver muitos dos problemas.

Perante este quadro valerá a pena passar o tempo a debater um Pacto sem pernas para andar, pouco desejado pelos patrões e olhado com cepticismo pelos sindicatos?

A Ministra do Trabalho, por muita boa vontade que tenha e grande perícia no diálogo social , não poderá fazer milagres! Como sindicalista que foi sabe bem que a condicionar o diálogo está sempre a relação de forças. ... e esta está muito desequilibrada a desfavor dos trabalhadores e do emprego!

Mais importante seria relançar o debate sobre a sustentabilidade financeira da segurança social para garantir que com trabalho ou sem trabalho todos temos direito a uma vida digna! Hoje há empresas que dispensam trabalhadores e ao fazer tal coisa até se valorizam na bolsa!! É assim o sistema...a pessoa é mais um factor de produção!

[Bem Estar no Trabalho, A. Brandão Guedes]


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Publicado por Xa2 às 13:53 | link do post | comentar

4 comentários:
De Desemprego até ao crime e à revolução ?! a 3 de Dezembro de 2009 às 14:02
infelizmente já ultrapassamos os 10% de desempregados...
se alguns ainda têm apoio familiar, outros ficam completamente desamparados ... dependentes do fundo de desemprego, da misericórdia e caridade social...

o Desemprego é triste e péssimo para as PESSOAs que perdem além do seu sustento (e da sua família), a auto-estima, a confiança no futuro e na sociedade em que vivem, de facto, ao fim de alguns meses de desemprego, muitos perdem a própria CIDADANIA, a sua capacidade de se integrarem e participarem na SUA comunidade de pleno direito.

E se a Sociedade perde Cidadãos e Valores (e ''ganha'' marginais, párias, criminosos...), a Economia perde força de trabalho, perde criatividade, perde empreendorismo, perde capacidade de se rejuvenescer, ... de se desenvolver e manter competitiva.

o Desemprego (acima de 2 a 4%) é um flagelo social tal como são as catástrofes naturais, as guerras, as epidemias, ... - os Governos, as Empresas, as Instituições têm Responsabilidade cívica e ética em o combater, e promover o Emprego ... sob pena de os seus cidadãos espoliados terem a legitimidade de os destituirem não só pelo voto mas pela força.


De q. presente e q. futuro ? a 4 de Dezembro de 2009 às 09:33
por enquanto, os subsídios de desemprego e de reinserção social (SRI) vão amortecendo o flagelo do desemprego... mas os cofres públicos estão (a ficar) vazios e a dívida pública já ultrapassa 100% do PIB (e só o pagamento de juros/serviço da dívida é já superior a 5% do PIB), sendo que a maior fatia do défice é de empresas públicas ...

[ exemplo de como se esbanja dinheiro público:
para um ''evento'' do Comité Olímpico com a presença do Chefe de Estado e centenas de convidados, a realizar nos jardins do Palácio do Marquês Oeiras, dia 27.11.2009 para a hora do jantar, durante uma semana várias empresas andaram a preparar/ montar estrados, grandes tendas tipo casamento, passadeiras, palcos, sofãs, cadeiras, mesas, decoração, instalações de ar condicionado/aquecimento, de iluminação, de música e de vídeo, tv, bares, cozinha móvel, serviço de 'catering', ... arranjo de jardins incluindo camada de gravilha para caminhos, corte de relvado, ... e, depois, desmontar tudo e re-arranjar o jardim.
-E quem pagará a elevada factura? Secretaria Estado do Desporto, Presidência da República, Câmara de Oeiras, Comité Olímpico, mecenas que conseguem contratos de entidades públicas, ...?
pouco interessa pois, no final, vem tudo do erário público, que por sua vez foi buscar o dinheiro aos cidadãos que pagam impostos e taxas...
- e havia necessidade? e de tanta grandeza e fausto (para alguns poucos), em país de endividados ?!!! ]

admirem-se se daqui a algum tempo os 'loucos radicais' e os desesperados se juntarem e decidirem passar o seu desespero/ inferno comum para as ruas e para os lares dos mais afortunados...


De AGARREM-SE ! a 4 de Dezembro de 2009 às 10:02
«Quando estive na tropa, um certo dia o comandante de pelotão mandou-me dar Ordem Unida (ensinar a rapaziada a marchar) em plena tarde de um Agosto ardente, numa parada de alcatrão a fumegar debaixo das chispas de um sol abrasador. A razão dele foi simples: "- Quando 40 homens estão para aí, ociosos, começam a dizer mal da tropa!"

Dei ordem de "- Está a reunir!" seguida de "- Em frente, marche..." e assim se calaram aqueles jovens, quase da minha idade, e que, de facto, diziam mal da tropa como eu... Todos nos calámos e assim ocupámos mais uma hora das nossas vidas sem "dizer mal da tropa".

Nas ruas das cidades espanholas não há comandantes de companhia para os mandar perfilar, e marchar para a frente e para trás.
Há perigosos ‘drug dealers', há entusiastas fanáticos que facilmente vendem a ira, a raiva e o entusiasmante incentivo à destruição de quem não tem mais do que a mesada dos pais para viver, mas já tem a vergonha de uma idade de querer e não ter para fazer.»

- Diário económico, por João Duque. (via OJumento)


De o q. estamos a fazer ? é medonho ... a 4 de Dezembro de 2009 às 10:12
Agarrem-se!

03/12/09 00:08 | João Duque
Artigos do mesmo autor:
Daqui a 20 anos 30/10/09
A vaca, o galo e Salazar 22/10/09
O Índice ISEG e o PSI 30/09/09
Wlla Sreett? 17/09/09

Quando estamos perto de sermos atingidos por um abalo o grito de alerta comum é: “- Agarrem-se!”, senão “- Fujam!”

Acabaram de sair as estatísticas do desemprego europeu publicadas pelo Eurostat. Todos os portugueses se fixaram nas estatísticas de Portugal, as quais apresentam a horrível confirmação de um indicador de dois dígitos para Outubro (10,2%) depois de um Setembro também ele já superior à marca mítica dos 10%.
Estes números acima da taxa média europeia (9,3% para a Europa dos 27 ou 9,8% para a Europa do Euro) assustam-nos, e preocupam muito quem não vê bem qualquer ponta de entusiasmo ou caminho de inversão, tirando umas intenções governamentais de fazer obra pública capaz de absorver ou, pelo menos, não deixar agravar este indicador.

Mas foi ao ler este relatório que pressenti que alguma coisa vem aí.

Se consideram maus os indicadores do desemprego para Portugal, então leiam o que se diz sobre a taxa de desemprego para a faixa etária abaixo dos 25 anos de idade:
18,9% para Portugal,
mas mais medonho ainda, 42,9% para Espanha!

Meu Deus! O que é que nós estamos a fazer?
Como vão ser estes jovens em adultos?
Como é que eles vão lá chegar e em que estado?

Já imaginaram o que é chegarem a um qualquer encontro de jovens (um concerto musical por exemplo) e saberem que a metade dos que não estão a estudar está desempregada?
De que vivem? Como se ocupam? Quem os sustenta? Que vícios vão criar? Que hábitos de trabalho vão ganhar para a vida?

Tenho medo, muito medo, das respostas que posso ter a estas perguntas. E sei que o que de mau se enraizar na juventude espanhola vai contagiar-se à portuguesa, como fogo em palha seca.

Quando estive na tropa, um certo dia o comandante de pelotão mandou-me dar Ordem Unida (ensinar a rapaziada a marchar) em plena tarde de um Agosto ardente, numa parada de alcatrão a fumegar debaixo das chispas de um sol abrasador. A razão dele foi simples: "- Quando 40 homens estão para aí, ociosos, começam a dizer mal da tropa!"

Dei ordem de "- Está a reunir!" seguida de "- Em frente, marche..." e assim se calaram aqueles jovens, quase da minha idade, e que, de facto, diziam mal da tropa como eu... Todos nos calámos e assim ocupámos mais uma hora das nossas vidas sem "dizer mal da tropa".

Nas ruas das cidades espanholas não há comandantes de companhia para os mandar perfilar, e marchar para a frente e para trás. Há perigosos ‘drug dealers', há entusiastas fanáticos que facilmente vendem a ira, a raiva e o entusiasmante incentivo à destruição de quem não tem mais do que a mesada dos pais para viver, mas já tem a vergonha de uma idade de querer e não ter para fazer.

Tenho medo e penso que vem aí coisa. Só vos digo: "- Agarrem-se!"...

____
João Duque, Professor Catedrático do ISEG


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