O que é a Europa?

Fala-se muito da União Europeia a propósito da eleição de uns deputados que vão ganhar bons ordenados, mas pouco ou nada poderão fazer de concreto. Os poderes do Parlamento Europeu são reduzidos e a União Europeia está muito longe de ser uma Federação ou Confederação de Estados e, nem sequer, é uma União.

A EU é uma Aliança de Estados centrada no eixo Paris-Berlin-Roma acrescentado com mais uma cidade importante como Madrid. As Lisboa, Bruxelas, Copenhaga, etc., são pequenos apêndices e Londres está mais fora que dentro da EU.
A EU nasce da derrota da Alemanha e da vontade de não se voltar às duas mortíferas guerras por causa de alguns territórios. Os alemães convenceram-se que nunca mais devem entrar sós em aventuras e não lhes apetece liderar seja o que for no Mundo, contendo-se apenas, e não é pouco, em serem a maior potência industrial da Europa e o primeiro exportador mundial. Fora do negócio não querem saber de talibans, africanos, chineses ou seja o que for. Os alemães não reivindicam o perdido território dos Sudetas, a Silésia agora polaca, a Prússia Oriental, etc. Limitam-se a comprar aí o que interessa como a Skoda da República Checa.
Enquanto os alemães se guindavam ao lugar de primeira economia europeia, os ingleses que nunca gostaram dos primeiros na Europa Continental, deixaram-se desindustrializar pela política ultra-liberal da Dama de Ferro e, hoje, não são nada, ou antes, servem para os jovens irem a Londres aprender o inglês que se tornou na língua europeia e mundial.
Por outro lado, a grandeza da França carece de aliados sólidos e, nada melhor, que a velha inimiga Alemanha, agora com divisões militares franco-alemãs e sem jogos de alianças e contra-alianças. A diplomacia alemã não joga com a Rússia contra a França e este país não joga com ninguém contra ou a favor da Alemanha.
Tanto a Alemanha como a França são íntimos de Roma e aceitam de bom grado os pequenitos, mas não mudam as suas políticas a favor de alguma outra nação.
Temos pois de viver com uma contingentação na importação de automóveis oriundos de fora do espaço europeu porque interessa a franceses e alemães, uma política agrícola para franceses e uma ampla liberdade de entrada de todo o tipo de produtos de mão-de-obra intensiva oriundos da China, Índia, etc.
Agora, os marroquinos podem exportar tudo para a União Europeia, incluindo feijão verde, melões, tomates e pepinos a preços incrivelmente baixos que os agricultores portugueses não podem praticar. Isto, para não falar em calçado, confecções, etc.
Enfim, pergunta-se. O que podem os deputados fazer? O que querem fazer? Como podem proteger as produções e quais as lutas que pretendem travar no Parlamento Europeu contra o desemprego e o empobrecimento?
Dado haver pouco pensamento político em função da realidade europeia, o melhor é falar no Lopes da Mota e no caso Freeport.

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Publicado por DD às 00:37 de 18.05.09 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Mais Europeu federalista a 19 de Maio de 2009 às 16:59

Voltei, ainda mais federalista, do Café Nicola
Duarte Calvão, Risco Continuo, 19.5.2009

Gostei muito de ter ido ao Café Nicola ontem à noite. Não só pelo grande nível com que Paulo Rangel respondeu a perguntas e esclareceu as suas posições sobre a Europa e o País, mas também porque melhorou muito a minha opinião sobre os bloggers. De facto, ia com algum receio de encontrar aquela sobranceria e auto-suficiência analítica que muitas vezes encontramos na blogosfera, mas, fora um caso ou outro, ninguém se pôs com grandes declarações a mostrar como é arguto e honesto (como muitas vezes fazem para se distinguir dos “políticos”), colocando antes perguntas sucintas e objectivas, que permitiram respostas igualmente concisas e proveitosas.
Se a a minha opinião sobre Paulo Rangel já era extremamente positiva, ao vê-lo falar assim informalmente, sem recorrer a chavões nem procurar agradar à plateia, fiquei ainda mais convencido de que ele é um dos melhores políticos que surgiram nos últimos anos. Também aqui tenho que confessar que ia com algum receio de que Rangel repetisse os argumentos que tem utilizado nos debates televisivos, não porque não esteja de acordo com eles, mas sim por temer a monotonia. Mas, felizmente, e também porque a plateia ajudou, abordaram-se outros temas.
A prioridade a dar aos países balcânicos em caso de alargamento (mesmo aqueles como a Albânia e a Bósnia, com grandes comunidades muçulmanas), os cuidados em relação à Turquia, a regulamentação como condição para um livre comércio eficaz, a defesa da construção europeia perante os eurocépticos (quem é que quer voltar a ter fronteiras ou mesmo moedas nacionais? perguntava Rangel), a validade do modelo social europeu na protecção aos desempregados, aos velhos, aos doentes e aos inválidos, a mudança da política agrícola, com a necessidade (sobretudo depois da crise alimentar do ano passado) da constituição de reservas alimentares de segurança, mesmo que não sejam competitivas a nível global, a aplicação dos fundos comunitários em Portugal, com as diferenças “pragmáticas” em relação ao PS, foram alguns dos assuntos que mais me interessaram e que cito de memória.
Como não podia deixar de ser, até porque o tema é caro à blogosfera e permite ataques aos dois partidos do “centrão” (um destes dias vou escrever um post a explicar que, na minha opinião, isso é algo que não existe em Portugal), falou-se bastante da Constituição Europeia e do Tratado de Lisboa e de o referendo prometido não se ter realizado. Foi aqui que admirei mais Paulo Rangel, por defender a legitimidade da democracia representativa (se essa questão é tão importante para vocês, não votem nos partidos que “traíram” a promessa do referendo, afirmou), pelas desconfianças em relação às vantagens dos referendos a questões mais complexas (e lembrou o que são as taxas de abstenção nesses casos…), pela coragem em não querer ser “popular” dizendo o que a plateia, creio que maioritariamente, gostaria de ouvir. Defendeu até que o jargão em Portugal é eurocéptico (e, a meu ver, bastante banal) e não pró-europeu, esquecendo as vantagens que a integração europeia nos trouxe e sem coragem de assumir a ruptura com Bruxelas…
Enfim, isto já vai longo, e há blogues (O Insurgente, Papa Myzena, ABC do PPM pelo menos) que transmitiram o debate, para quem quiser ver na totalidade. Foram duas horas muito bem passadas e saí de lá mais federalista do que entrei, porque fiquei a saber que Paulo Rangel também o é (tenho que ler o seu livro O estado do Estado) e tem de certeza melhores argumentos do que eu para o defender. Para mim, é mais o gostar da ideia supra-nacional, de uma certa rejeição do nacionalismo-tribalismo que me ficou dos tempos de trotskista e, sobretudo, de verificar que, desde 1910, com um ou outro período excepcional, os portugueses têm mostrado uma vocação suicida ao escolherem os melhores governantes para conduzir o País para abismo. Um dia também vou escrever um post a explicar porque é que um monárquico como eu também é federalista. Mas Paulo Rangel já me ajudou ontem ao dizer que o federalismo reforça a identidade dos países europeus.

Quem fez lá falta, para ajudar a debater tudo isto ainda com mais elevação, foi o Pedro Quartin Graça.
...


De Alex a 18 de Maio de 2009 às 10:15
Gostei DD.
-a continuar ?
-que problemas, políticas e opções se põe actualmente na UE/ Parlamento e Comissão e que opõe os diferentes partidos/ blocos políticos no PE ?


De DD a 18 de Maio de 2009 às 17:21
É isso que eu gostava de ouvir dos candidatos deoputados europeus e qual a atitude do Governo relativamente à protecção europeia dos postos de trabalho.
Distribuir dinheiro pelas empresas não produz quaisquer resultados em termos de reduzir o desemprego, nem o gastar dinheiro em obras, pois isso dá algum conforto na altura das obras, mas depois volta tudo ao mesmo.
Viu-se que os triliões de euros gastos pela Alemanha na antiga RDA tornaram as cidades muito bonitas, fizeram aparecer auto-estradas, TGVs e aeroportos, mas a questão do desemprego não foi resolvida. Claro, as circunstâncias são diferentes porque se trocou um moeda sem valor por outra quatro vezes mais valiosa, o que tornou os produtos industriais da antiga RDA excessivamente cara.


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