Sombrio Saraiva

Aconteceu qualquer coisa ao Saraiva do Sol. Apercebi-me disso, quando numa das minhas peregrinações televisivas deparei com o inefável Crespo a conversar gravemente com um juiz, sobre umas tantas perguntas que alguém teria feito ao desusado arquitecto Saraiva.

A coisa terá sido grave. Não consegui saber o que foi. Busquei no sítio do Sol, na esperança de compreender. Em vão. Ainda agora, estou para saber quem realmente lhe perguntou o quê.

Em compensação, deparei, no referido sítio, com um texto ferocíssimo do azougado arquitecto contra Sócrates. Não me espantou a veemência dos ataques, já que é natural e nada tem de espantosa, vinda de quem vem.

Mas espantou-me o seu contorcionismo intelectual, que mistura factos com insinuações, hipóteses com evidências, numa caldeirada que, verdadeiramente, não é mais do que um arremesso de lama a um político de quem o arquitecto não gosta. É um dos textos intelectualmente mais desonestos que alguma vez me foi dado ler.

Por exemplo, sublinha a implicação de Sócrates no processo “ Face Oculta”, quando a única coisa que se sabe, sobre uma qualquer conexão do Primeiro-Ministro com o processo, é o facto de ele ter sido escutado por tabela, através de um dos arguidos, tendo sido público que nas escutas não transpirara nada que tivesse, fosse o que fosse, a ver com esse processo. Portanto, a implicação de Sócrates no “Face Oculta” é uma simples invenção insultuosa. Depois, meteu Sócrates, que não foi sequer constituído arguido em qualquer processo, no mesmo saco de Isaltino, que já foi condenado num julgamento, em primeira instância.

Por fim, sugere que o conteúdo das escutas ilegais, difundido ilegal e ilegitimamente, devia levar à demissão do primeiro-ministro, pelo modo como ele se refere não sei bem a quê nem a quem.

Fazendo-se passar por tonto, o arquitecto espanta-se pelo facto de que tantos notáveis socialistas, que ele generosamente carimba de honestos, defendam Sócrates, sugerindo ainda que são essas opiniões favoráveis a única coisa que, verdadeiramente, o segura como chefe de governo.

Ou seja, o imaginativo arquitecto começa por inventar uma desqualificação insultuosa para Sócrates, para, em seguida, retirar das suas próprias invenções insultuosas a drástica consequência política de uma possível demissão do governo.

[O Grande Zoo, Rui Namorado]



Publicado por JL às 00:01 de 12.12.09 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Zé das Esquinas o Lisboeta a 12 de Dezembro de 2009 às 16:34
O menos que se pode chamar ao Saraiva:
- É o LOL do SOL


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO