Capitalismo social e ambientalmente sustentável

 

Capitalismo ou morte?

Tenho ouvido comentadores “liberais” queixarem-se do “pensamento único” acerca das questões ambientais. Para uns a responsabilidade humana do aquecimento global é um embuste. Eles têm a certeza. Outros têm dúvidas e admitem mesmo que é admissível pensar que, pelo sim pelo não, deveríamos abster-nos de causar um mal que pode ser irreversível e absoluto.

No entanto, uns e outros não hesitam em atribuir as preocupações ambientais ao que designam por sentimentos ou preconceitos anti-capitalistas. Para eles o resultado da acção colectiva pela sustentabilidade não poderia deixar de ser mais governo e, pior que tudo, governo global. Para eles “mais governo” seria um mal que se sobrepõe a todos os outros, mesmo ao risco de outros males absolutos e irreversíveis. Eis um caso de fundamentalismo.

Não quero dar conselhos mas acho que há outras defesas mais inteligentes do capitalismo. Por exemplo: um capitalismo compatível com a sustentabilidade ambiental, em vez deste. Não sei se existe, nem sei se chamaríamos capitalismo a uma economia social e ambientalmente sustentável. O que me parece é que a defesa do não-governo a todo custo, dado o que hoje sabemos ou pensamos saber, não é senão uma forma de insensatez.

[Ladrões de Bicicletas, José M. Castro Caldas]


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Publicado por Xa2 às 00:03 de 18.12.09 | link do post | comentar |

1 comentário:
De DD a 18 de Dezembro de 2009 às 19:22
O exemplo da EDP é elucidativo. Esta empresa, agora capitalista-social, pretende chegar em breve a produzir 60% da sua electricidade por meio de energias renováveis e está altamente lançada nas eólicas, tanto em Portugal como noutros países, nomeadamente nos EUA.

As eólicas produziram já o aparecimento de uma série de indústrias em Portugal, apesar de o investimento ser muito caro, mas tem a garantia de um preço mínimo pelo Estado.

Por outro lado, o facto de o Imposto Automóvel incidir sobre a cilindragem tornou o parque automóvel português no mais eficiente em termos de consumo energético.

Para além de não sermos ricos e andarmos mais em viaturas pequenas, a diferença entre estas e as de grande cilindrada é muito maior em Portugal que na maior parte dos países europeus.

Portugal está no bom caminho e também por razões negativas despoluiu muito nas últimas décadas. Refiro-me a muitas fábricas que fecharam, nomeadamente as do Barreiro que fabricavam adubos e ustulavam as pirites. Por um lado, perderam-se postos de trabalhao; por outro, a atmosfera daquela zona deixou de estar irrespirável como acontecia há mais de vinte anos atrás.



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