Governar

Vira o disco e toca o mesmo. Tem sido assim a discussão à volta da existência ou não de condições de governabilidade.

Os partidos da oposição a dizerem que o Governo devia preocupar-se com as suas tarefas e deixar em paz o Parlamento, o Governo a enfatizar que a oposição vive preocupada em fazer acertos de contas com o passado e, consequentemente, em impedir a governação de acordo com o programa sufragado em eleições.

O que fica para além destas declarações genéricas que valha a pena introduzir nas nossas reflexões? É um facto que o Governo tem procurado, por todas as formas ao seu alcance, sublinhar a circunstância de ser um Executivo de maioria simples, com as fragilidades próprias dessa situação, mas é igualmente verdade que a(s) oposição(ões) tem(têm) feito a vida negra ao Governo, tentando travar um combate que, em última instância, redundará em prejuízo dos interesses nacionais. Um Governo de maioria simples pode fazer duas coisas: ensaiar todas as formas de diálogo com os partidos da oposição e, se esse diálogo se revelar uma impossibilidade, apelar ao magistério de influência que o Presidente da República pode exercer, e ainda sensibilizar o povo que lhe deu o mandato para a irresponsabilidade da ‘praxis’ dos partidos da oposição.

Não tenhamos dúvidas sobre a questão central desta polémica: é preciso resolver os problemas do País, e essa é a obrigação do Governo, é preciso conduzir os negócios e a vida pública de acordo com os interesses nacionais, e esse é o dever do Governo, sendo óbvio que não pode aceitar uma acção concertada de obstrução que pouco ou nada permite. Vivemos um período grave de crise económica, o número de desempregados é assustador, os valores do défice das contas públicas impressionam, e por isso, ao Governo, tem de se exigir que realize com eficácia programas de combate a este cenário. As oposições, se não puderem ou não quiserem ajudar, o que se lhes pede é que não criem dificuldades adicionais, como aquelas que há duas semanas levaram BE, PCP, PSD e CDS a unir-se para retirarem 800 milhões de euros às receitas do Estado.

Em Janeiro teremos aí o primeiro Orçamento do Estado preparado pelo actual Governo. É um momento de capital importância. É claro que pode e deve ser melhorado com contribuições de todos os partidos mas tem de ser um Orçamento do Governo, um documento em que o Governo se reveja inteiramente, uma matriz para cumprir um ano de governação. Não pode ser um OE das oposições para o Executivo levar à prática.

[Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:02 de 21.12.09 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Izanagi a 21 de Dezembro de 2009 às 11:50
“retirarem 800 milhões de euros às receitas do Estado.”
Já aqui comentei sobre este assunto. Há uma coisa que o Governo tem que fazer que é falar verdade quando se dirige aos cidadãos. O Governo afirmou que não ia aumentar os impostos. Então como se explica que com a aprovação do Código Contributivo arrecadava mais €800 milhões. Isto só seria possível com o aumento de impostos e mesmo que se aplique apenas a uma parte dos cidadãos, há para estes um aumento de impostos.

“e ainda sensibilizar o povo que lhe deu o mandato para a irresponsabilidade da ‘praxis’ dos partidos da oposição”
Ficamos a conhecer um dos “expert” em que o governo se apoia para traçar a sua estratégia de vitimização. O problema é que as consequências negativas desta errada estratégia, não recaem sobre estes peritos em marketing, mas sim no PS


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