Sei que não devemos ir por aí

Cavaco Silva terá declarado, um destes dias e a propósito do questionamento sobre a sua posição em relação ao processo legislativo que decorre na Assembleia da Republica quanto ao casamento “gay” que, e cita-se, "a minha atenção está noutros problemas", concretizando ser o "desemprego, o endividamento do país, o desequilíbrio das contas públicas, a falta de produtividade e de competitividade", desaconselhando novas "fracturas na sociedade portuguesa". Tudo um conjunto de preocupações genéricas que são comuns a qualquer cidadão minimamente consciencioso deste país tão mal tratado e pouco melhor gerido. Salvo os gestores bancários que conseguiram em tempo de crise ver as suas remunerações aumentadas 17% e mais uns tantos privilegiados o grosso da população viram os seus rendimentos diminuir quando não mesmo desaparecer completamente.

Segundo divulgaram uma boa parte dos órgãos de comunicação social, quiçá mal interpretando as declarações, os socialistas (ou aqueles que se pronunciam publicamente em seu nome) terão reagido mal às declarações proferidas pelo PR, Prof., Aníbal Cavaco Silva e terão mesmo afirmado que o Presidente está, em "coro com a direita", a querer interferir na agenda do PS, a causar instabilidade e a "exorbitar a sua legitimidade".

Um dos responsáveis a quem são atribuídas declarações apontadas como oficiais e "em nome do PS", é o deputado Sérgio Sousa Pinto, já protagonista há alguns anos em outras "causas fracturantes" dinamizadas por certos socialistas, disse que o Presidente da República "tem a liberdade de ter a sua posição pessoal", acrescentando que apesar disso, "já não terá o direito de se intrometer na agenda dos partidos como, no caso vertente o casamento gay, na agenda do partido que apoia o Governo". E, ainda por cima, "em coro com a oposição de direita". Lá Palice não diria melhor nem mais claro.

Sérgio Sousa Pinto, que falava em Lisboa à entrada de uma reunião de José Sócrates com autarcas do PS, terá afirmado que o Presidente "está a contribuir inutilmente para a dramatização da vida nacional". E, com isso, "a pôr em causa as condições de estabilidade política que são indispensáveis para dar resposta aos problemas que preocupam o Presidente, o Governo e o PS".

O parlamentar socialista terá acrescentado que foram os comentários do Presidente da República (feitos no contexto de perguntas sobre o casamento gay e recusando novas "fracturas" na sociedade portuguesa), que representam "uma interferência na agenda dos partidos". "Os portugueses não escolheram o PS para que a sua agenda (de governação) fosse determinada pelo Presidente da República".

Declarações de utilidade muito duvidosa (pouco menos que ajudar à afirmação pessoal de quem as profere) em nada contribuem para ajudar a resolver os problemas das populações, a criar emprego, contribuir para o crescimento económico ou a atenuar os constrangimentos provocados pela grave crise que a economia e a balança comercial que o país atravessam.

Compete aos socialistas assumirem as suas responsabilidades na governação do país, muito particularmente a administração directa e indirecta do Estado. Para isso é necessário garantir a estabilidade necessária ao governo e respectivos ministros e secretários de estado.

Para que tal desiderato seja conseguido torna-se necessária mais labuta e menos lamuria e má língua. Será que os responsáveis socialistas não são capazes de dar conta do recado e vão defraudar as expectativas do eleitorado? Está nas suas mãos (ainda que não em exclusivo mas sobretudo) responder positivamente escolhendo o correcto caminho da boa gestão rés-pública, mesmo assumindo a assunção de medidas mais ou menos fracturantes.



Publicado por Zé Pessoa às 10:54 de 21.12.09 | link do post | comentar |

1 comentário:
De De mal a pior a 21 de Dezembro de 2009 às 16:11
As grandes batalhas políticas de hoje cingem-se a pequenas traições e a grandes manipulações em que o interesse nacional já não conta para nada.


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