De DD a 21 de Dezembro de 2009 às 21:45
É lamentável que alguém a escrever num jornal sobre economia não veja que os problemas do País são económicos e estes não se resolvem com mais lei ou menos lei, mais decisão competente ou menos decisão da parte dos governantes.

Portugal insere-se numa Europa em crise, por sua vez, inserida num Mundo globalizado em que o crescimento económico é uma função unívoca da maximização da taxa de exploração do trabalho.

O homem não vê as empresas do Terceiro Mundo a comprarem as do primeiro Mundo, Europa e EUA, porque aqui a taxa de exploração do trabalho é quase zero e eles compram a tecnologia para depois fecharem as empresas do primeiro Mundo..

O estúpido não sabe que a Mercedes está a deslocalizar o fabrico dos seus carros da classe C para a África do Sul e para a China, onde o trabalhador ganha uma hora para si e dez para o patrão, enquanto em Singelfingen, o trabalhador trabalha em média apenas dez minutos para o patrão por dia, o resto até às 8 horas é para ele. Isto na produção de bens susceptíveis de serem adquiridos pelas classes trabalhadoras que fazem em quase toda a Europa parte das classes médias em termos de rendimentos e standard de vida.

Os países ditos desenvolvidos estão a transformar-se em economias de serviços, mas só daqueles que não são deslocalizáveis.

O tal de Vilar não pensou ainda porque razão, Portugal é um País bem fornecido de serviços modernos e eficazes e possui uma capacidade produtiva cada vez menor. Simplesmente porque a taxa de exploração do trabalho é no Terceiro Mundo mais de dez vezes superior à portuguesa. O homem não sabe que Marrocos exporta cenouras, cebolas, feijão, etc. a preços que impedem os agricultores portugueses de produzirem e venderem. O homem não sabe que a Europa já tem mais de 25 milhões de desempregados e, enquanto não colocar barreiras aduaneiras, terá um dia 50 a 100 milhões de desempregados e a sua tecnologia produtiva terá morrido.

Chegou a hora de ler Karl Marx e ver a realidade a nível mundial e ousar criticar esta obscena incongruência que é a máxima exploração do trabalho na China dita comunista e marxista.

Marx estudou o capitalismo e ensinou os marxistas a via efectiva do capitalismo. Tudo o que ele criticava no capitalismo foi absorvido pelos comunismos no poder multiplicada por n vezes mais.

Portugal com a Europa tem de defender a sua sustentabilidade, impondo direitos aduaneiros ao dumping social da China e outros países.

A escolha é dura, mas única, ou vamos todos para o desemprego e o Terceiro Mundo também, ou encontramos um meio de funcionar em termos de justiça em que deixará de haver salários de escravatura na Índia ou na China para que uns oligarcas terceiro mundistas comprem o Mundo todo.

Temo que pugnar pela defesa dos salários e empregos europeus, não deixando os postos de trabalho serem destruídos pelos de fora.


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