Uma infâmia miserável

Há cerca de um mês, a revista Sábado publicou um texto (de seis páginas). Chamou-lhe "Guia prático para calar inimigos" e defendia a tese de que o Governo, o BCP e as empresas ligadas ao Estado utilizavam o investimento publicitário para castigar alguns órgãos de informação (Sol e Público) e premiar outros (DN e JN). Nesse trabalho julgou-se até conveniente desenterrar o fecho do Independente (em 2006) como mais uma vítima dessa cabala.

A Direcção do Diário de Notícias não se pronuncia sobre eventuais razões de queixa de outros órgãos de informação, que não conhece e cujos interesses respeita. Somos pela completa separação dos planos editorial e publicitário, aliás determinada pela observação dos códigos que regem a profissão, pelo que estaremos sempre ao lado de títulos, empresas e jornalistas que possam estar a ser vítimas de delitos de opinião.

Neste caso, apenas não podemos deixar de calar a nossa revolta pela infâmia de um texto miserável em que se podia ler que o nosso jornal se mantinha como "parceiro preferencial do Governo", tentando estabelecer em diversas passagens desse mesmo texto uma ligação entre notícias e investimento publicitário. A partir dele, vários opinion makers fizeram considerações infundadas, que, por repetidas, trouxeram prejuízos evidentes ao bom-nome do nosso jornal e da empresa a que pertence. Se só agora manifestamos a nossa revolta isso tem que ver com o facto de só agora estar fechado o trabalho de apuramento de números que permite ao leitor perceber melhor a indignação profissional de todos os jornalistas desta casa.

Um trabalho sério e completo na área do investimento publicitário do Governo, que demorou um mês a fazer, mostra que a revista Sábado, do Grupo Cofina, escondeu os factos essenciais: é o Correio da Manhã, detido curiosamente pela Cofina, que tem uma posição privilegiada, pois recebe este ano, como já aconteceu no anterior, 50% do investimento publicitário do Governo! Esse investimento não é proporcional às audiências. O JN, que tem basicamente o mesmo número de leitores do CM, recolheu menos dois milhões de euros este ano no período que vai de Janeiro a Setembro - e isso, sim, é incompreensível. Todo o restante investimento publicitário do Governo nos outros títulos, como qualquer pessoa de bom senso com seriedade intelectual reconhecerá, cai no domínio do compreensível.

Deixamos aos leitores a verdade substantiva destes dados, que têm a chancela de credibilidade da Marktest (Correio da Manhã — 4,4 milhões de euros; Jornal de Notícias — 2,4; Diário de Notícias — 1,0; Público — 876 mil euros; 24 Horas — 54 mil)

Eles reúnem os números constantes da monitorização da Media Monitor (empresa da Marktest que analisa e mede os investimentos publicitários), respeitantes aos cadernos principais de todos os cinco diários generalistas, com um trabalho específico e exaustivo que lhes junta a publicidade publicada nos respectivos cadernos de anúncios classificados. Estes dados reflectem os preços de tabela dos diversos jornais, mas o dinheiro recebido por todos é na verdade bem menos em função dos descontos geralmente praticados, e que variam de título para título.

Esperamos que a verdade esclareça e afaste deste tema a intriga política e o terrorismo empresarial. Os jornais, as revistas e as respectivas empresas de comunicação social vivem um momento tão delicado, fruto da crise económica e da mudança de hábitos no consumo da Informação, que bem dispensam intrigas mesquinhas e textos como este que não estão à altura do bom jornalismo que normalmente a Sábado pratica. [Diário de Notícias]



Publicado por JL às 00:29 de 22.12.09 | link do post | comentar |

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