Assim vai este Portugal

Uma das notícias do Jornal de Notícias de 20 do corrente, rezava assim:

Milhares de pais natais pelas ruas do Porto

A pé, de mota, carro, cavalo ou autocarro, foram milhares os pais natais que desfilaram hoje, domingo, no Porto, para tentar bater o recorde do "Guiness" de maior número de participantes neste género de desfile.”

Recentemente ao procurar um documento arquivado no computador, deparei-me com um texto, publicado no “Público” a 1 de Junho de 2006, do qual vou colocar os três primeiros parágrafos por entender que apesar da distância e da crise, continuamos iguais.

Jack Welsh, descrito na imprensa portuguesa como "um dos gestores mais admirados em todo o mundo" não esteve com meias medidas e, numa conferência em que participou, exprimiu o seu espanto pelo facto de os portugueses não se mostrarem "envergonhados" pela maneira como são vistos no estrangeiro. E disse mais: "É humilhante para os portugueses a percepção que o exterior tem de Portugal, que é a de uma contínua degradação e declínio ao longo dos últimos anos"

Welsh fez bem em dizê-lo e fazia-nos bem ouvir mais verdades como esta para substituirmos a nossa balofa e inconsequente auto-estima pela percepção de que a realidade não é propriamente um espelho do nosso excesso identitário. Como vivemos no mundo das ilusões, não queremos saber por que é que homens como Welsh, que não precisava sequer de se dar ao trabalho e à incomodidade de dizerem coisas feias sobre os seus anfitriões, são capazes de sentir por nós a "vergonha" que nós não temos. Basta ler os comentários indignados a estas declarações para ver como a "arrogância do estrangeiro" nos serve para esconjurar o que não queremos ver e desresponsabilizarmo-nos do que fazemos e não fazemos.

É particularmente útil sermos confrontados com a nossa imagem vista de "fora", quando mais uma vez nos entregamos à tarefa permanente de nos iludirmos com o futebol. A futebolândia está a assumir o papel de nossa "pátria", quando não conseguimos fazer melhor a que temos. Talvez por isso lidamos bem e contentamo-nos com o que dura pouco e não dá muito trabalho, fadados para bater os recordes do Guinness, se isso implicar número, festa, um pouco de idiotice e muitos autocarros pagos pelos nossos impostos. Encher as ruas de Pais Natais e os estádios de senhoras coloridas, isso somos capazes de fazer. Ser exigentes e abandonar a nossa consabida "displicência", que Eça retratou como ninguém em Fradique, isso não nos leva a colocar bandeirinhas nas janelas.”


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Publicado por Izanagi às 10:22 de 22.12.09 | link do post | comentar |

14 comentários:
De DD a 25 de Dezembro de 2009 às 19:08
Jack Welch é admirado porquê?

Ele dirigiu a GE até 2004 e durante o seu tempo, a empresa aumentou de valor enquanto se transformou cada vez mais num dos maiores fabricantes de material de guerra, nomeadamente de motores de avião militares e civis, além de grande equipamento eléctrico não sujeito à concorrência chinesa.

Também fez entrar a GE nos serviços financeiros como a GE Money destinada a transformar devedores a curto prazo em devedores para toda a vida. A GE Money de Portugal fecha as suas portas e despediu todo o pessoal a partir de 1 de Janeiro porque, afinal, os devedores em Portugal não são em número suficiente para alimentar a ganância da GE . Por isso o Sr. Welch acha que os portugueses se devem se envergonhar de si mesmo.

O Sr. Welch é hoje dono de uma empresa de consultadoria empresarial da qual a GE é o principal cliente e faz conferências em toda a parte e escreve livros, quase tudo mais ou menos financiado pela General Electric .

Acrescente-se que a GE durante o mandato do Welch deixou de fabricar milhares de produtos, nomeadamente frigoríficos, de foi a empresa inventora, no primeiro quartel do século XX.

Quase todos os electrodomésticos anteriormente feitos pela GE são fabricados na China e exportados para os EUA e outros países. Welch reduziu largamente o pessoal da sua empresa e se não fossem as encomendas do Pentágono e o célebre motor GE 50 já estaria falida. Recorde-se que as turbinas das fragatas Vasco da Gama são GE como são as turbinas de reserva para alimentar Lisboa com electricidade em caso de avaria nos sistemas de transporte das centrais hídricas, térmicas e eólicas. Turbinas desenvolvidas a partir dos dinheiros do Pentágono que não admite armas fabricadas na China.

Mesmo assim, a GE possui fábricas na China onde produz peças e artigos com muito capital móvel (humano) que trabalha uma hora para si e nove horas para a GE por dia.

Com a CHINA COMUNISTA milhares de industriais ocidentais estão a fazer fortunas fabulosas porque o Estado Comunista aceita que a sua imensa indústria (principalmente multinacional) trabalhe a troco de dólares ou euros. No dia em que quiser trocar esses dólares por produtos para melhorar o nível do seu povo, os preços dos produtos a adquirir vão subir dramaticamente como terá acontecido com o Ananás com s e pode acontecer novamente com o petróleo.

A GE não deve muito ao Sr. Welch. Deve principalmente ao seu fundador Tomás Alva Edison e ao inventor Tesla que desenvolveu a corrente alterna que produziu a grande revolução eléctrica do século XX. Edison só desenvolveu a corrente contínua que não serve para alimentar cidades e países. Apenas para os pequenos fonógrafos, telefones, rádios, etc.

Mas foram as duas guerras mundiais e a guerra fria que mais impusionaram a GE.

Quanto ao poder de compra dos desempregados é óbvio que será quase nulo e a aumentar o seu números em todo o Mundo Ocidental está já a repercutir-se na China que sofreu este ano uma quebra de quase 30% nas exportações, enquanto as exportações portuguesas até aumentaram ligeiramente e proporcionalmente não são muito inferiores às chinesas. Convém recordar que a China ultrapassou a marca dos 1.300.000.000 habitantes


De Anónimo a 2 de Março de 2010 às 01:20
A GE Money fecha portas em Portugal???
Tou doido. Onde e que eu trabalho afinal???
: )


De DD a 23 de Dezembro de 2009 às 22:20
Uma das mais prósperas e eficazes economias europeias, a sueca, registou hoje uma derrota fenomenal.

O gigantesco fabricante chinês de automóveis, Gelly, adquiriu à Ford a maioria do capital da Volvo. A ideia é repetir o que foi feito com a Rover, isto é, transferir toda a maquinaria, modelos e patentes para a China e fechar as fábricas na Suécia.

Assim, depois de a Mercedes ter resolvido deslocalizar para a China a produção dos seus Mercedes da classe C, é a agora a vez da Volvo passar para a China, deixando os bem pagos operários suecos no desemprego.

A taxa de mais valia ou exportação na China e na Índia proporciona lucros fabulosos que permitem a aquisição da tecnologia ocidental e o desaparecimento da Europa como dos EUA enquanto potencias industriais.


De Izanagi a 24 de Dezembro de 2009 às 00:48
Noutro post já perguntei a DD quem vai comprar esses bens, se os operários e a classe média europeia fica sem poder de compra, fruto do desemprego, e os operários chineses nem chegam a adquirir poder de compra, quem compra os bens e como vão os donos das empresas obter lucros fabulosos de produtos que não conseguem comercializar?
Fiacmos a aguardar um esclarecimento.


De DD a 24 de Dezembro de 2009 às 19:34
Eu defendo a tese de uma nova legislação europeia anti-dumping, pois Bruxelas considera dumping quando um produto é especialmente subsidiado para exportação, sendo mais barato que no mercado interno.

A nova lei deve considerar dumping todo o produto que seja feito por operários com salários inferiores aos 475 dólares mensais que é o que os sindicatos livres asiáticos consideram como mínimo de subsistência. A não ser assim, devem ser impostos direitos aduaneiros de 85% como acontece nos actuais regulamentos anti-dumping.

Isso não protegia muito as indústrias alemãs e francesas, mas teria alguma importância em Portugal, Roménia, Polónia, Hungria, Repúblicas Bálticas e Bulgária.

A China pode escolher entre valorizar a sua moeda ou aumentar os salários.
Dado ser um país gigantesco que importa só algumas matérias primas, petróleo, sucatas e papel velho, a valorização da moeda teria um efeito irrisório no nível de vida.


De Izanagi a 25 de Dezembro de 2009 às 12:52
Eu pergunto a DD se sabe a razão porque o preço do ananáz subiu bastante nesta ultima semana e DD respnde-me que Roger Federer perdeu no US OPem de 2009 com Juan Martin del Potro. Alguém encontra alguma relação entre uma coisa e coutra?


De DD a 23 de Dezembro de 2009 às 21:04
A economia norte-americana atravessa uma crise tremenda, porincipalmente quanto à produção dos mais diversos bens industriais. Proporcionalmente não está melhor que a portuguesa.

Acontece o mesmo com as economias de quase todos os países do Mundo, mesmo da China em que a miséria abarca mais de mil milhões de pessoas. Os 8% de crescimento chineses são obtidos à custa de salários de ERSCRAVATURA.

Esse tal de não sei quantos é estúpido que nem uma porta. Desconhece o Mundo.

Dizer que os portugueses devem envergonhar-se de si mesmo é estupidez crassa num Mundo em que toda a gente está em crise.


De marcadores a 23 de Dezembro de 2009 às 20:38
De "De mal a pior" post do Luminária

Os eleitos são de extracção cada vez mais medíocre e o que trazem à agenda política – e o modo como o tratam – demonstra geralmente as mais preocupantes carências de conhecimentos, verticalidade e carisma.
...
A política partidária ... Visa, directa ou indirectamente, quase sempre, apenas a conquista ou a manutenção do poder...


De batalhas políticas(-partidárias) de hoje a 23 de Dezembro de 2009 às 15:58
De De mal a pior a 21 de Dezembro de 2009 às 16:11

As grandes batalhas políticas de hoje cingem-se a pequenas traições e a grandes manipulações
em que o interesse nacional já não conta para nada.


De políticos com fasquia muito baixa a 23 de Dezembro de 2009 às 15:49
Equilíbrios espantosos (3)

De todos os actos públicos em que o 1º Ministro usou da palavra (o que deixa de fora naturalmente as reuniões e outras cerimónias a que faltou, tão despiciendas como a posse dos novos membros do Conselho de Estado...), o mais politicamente significativo foi, sem sombra de dúvida, o da intervenção televisionada no almoço de natal do Grupo Parlamentar do PS.
Particularmente, a tirada em que elogiou Francisco Assis, Ricardo Rodrigues e Sérgio Sousa Pinto.

Seguindo as palavras do Secretário Geral do PS, as personalidades destes três deputados socialistas trouxeram ao debate político a qualidade ( ?! ) que às vezes falta às nossas pachorrentas discussões.

É curioso.
Quem acompanhou de perto a actividade política de Francisco Assis antes de assumir a presidência do grupo parlamentar socialista, poderia ter gostado dele. Batia-se até à exaustão pela sua dama, com firmeza e acutilância, argumentação bem montada, mas nada de comparável aos
sucessivos fretes, fintas e tristes faenas a que se tem obrigado nas novas funções.

Ricardo Rodrigues batalhou recentemente, nos tribunais, contra um jornalista do Açoreano Oriental que o acusara de pertencer a um gang, coisa que o Tribunal da Relação deu como provada, ilibando o jornalista e não descortinando nas peças que escreveu quaisquer inverdades difamantes.

Sérgio Sousa Pinto deu que falar, não há muito, devido a uma intervenção endereçada a Belém, sem novidade nem chama.

Não surpreende que José Sócrates se declare persuadido de que as contribuições de Assis, Rodrigues e Pinto fazem furor ( !! ) na cena política.
Os quatro anos e tal de maioria absoluta moldaram nele o dirigente que parece levar os slogans a sério e a discussão como ofensa. ( !! )

Com a fasquia tão baixa, corremos o risco de termos de aturar um ano de 2010 marcado pelo critério balofo que faz do frete, o exemplo esplendorosos a seguir;
da pertença aos gangs que pululam em torno dos off-shores, a postura cívica digna de elogio;
e da gritaria à volta de Belém, as hossanas do espírito natalício de paz na terra aos homens de boa vontade.

# posted by Manuel Correia, PuxaPalavra, 22.12.2010


De Izanagi a 23 de Dezembro de 2009 às 20:29
Sérgio Sousa Pinto também se destacou no Parlamento europeu: foi de todos os deputados portugueses no PE aquele que menos trabalhos apresentou.


De Linguas de fogo a 22 de Dezembro de 2009 às 18:37
Não precisamos que ninguém nos flagele, nós somos peritos em auto-flagelar-nos.

Desvalorizamo-nos mutuamente e persistentemente sem nunca relevarmos muitas das coisas que temos de positivo, até dizermos mal do clima, das praias e da natureza que em sorte nos calhou.

Desmercemo-nos, efectivamente...


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 23 de Dezembro de 2009 às 08:26
Há quem defenda que a flagelação leva à purificação.
Se assim fosse estávamos mais do que purificados.

Quanto à benesse do bom clima, até isso está a mudar, ou AINDA NÃO REPAROU?


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 22 de Dezembro de 2009 às 17:27
Somos os "maiores" em tudo o que é "faz de conta" ou que não vale a "ponta de um corno".
A trabalhar é que é pior, a não ser lá fora...
Todos os dias nas mais diversas actividades deparo com a má postura de inúmeros trabalhadores de serviços. Há excepções, pois há, mas são excepções.
É na função pública, nos seguros ou nos bancos em que a "caixa" é do pior. Não é o governo ou os PRs que os mandam ser assim. São assim mesmo.
O povão assim que tem um cargo/função mesmo que seja atrás de um balcão de comércio ou outro, torna-se no "maior" e quem quiser que espere ou vá a outro lado que vai ver que ainda há-de ser pior atendido..
Pior que o nosso governo só o nosso povo.
Ou com um povo destes, como é possível governar?
Ou ainda temos um governo que nos representa lindamente.
Ou, ou...
Agora, para fazer a maior feijoada do mundo, o maior bolo rei do mundo e arredores, etc., etc., aí sim, estamos sempre e verdadeiramente disponíveis e bem dispostos e há sempre dinheiro... Nosso ou de um autarca que pode não pagar aos fornecedores, mas para entrar no Guinness tem sempre um dinheirito disponível.
Somos realmente diferentes dos outros euro comunitários , mas só no nosso país, porque lá fora, somos do melhor.
Porque será?


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