4 comentários:
De Zé T. a 4 de Janeiro de 2010 às 13:42
De acordo.
O problema é que quem tem o poder (económico, político, militar, comunicação social, ...) não quer abdicar dele nem um bocadinho, pelo contrário, quer mais e mais poder... mesmo que isso traga perda de valores, falhas de educação e de Humanismo, traga desemprego, pobreza e infelicidade para muitos outros...

O egoísmo tem de ser limitado e o Estado (e organismos internacionais) tem de valorizar e promover os valores de Cooperação, de entre-ajuda, de solidariedade, de partilha, de comunidade, de família, de interesse e propriedade pública, ...
ao invés de ''deixar andar'' o mercado em roda livre, a ''espremer'' cada vez mais os trabalhadores e as suas famílias, usando e abusando de eufemismos como 'competitividade', 'flexibilidade', 'auto-regulação dos mercados', o 'direito' (com acesso e ao serviço só para quem tem dinheiro, e quem tem muito até a 'justiça' compra e novas leis manda fazer) ... que só servem os interesses de meia dúzia de grandes exploradores e 'novos escravocratas' sem pátria.


De [FV] a 4 de Janeiro de 2010 às 14:40
Pois é Zé T., é uma tristeza não é? Um mundo onde tudo tem um preço, tudo se compra (e cada vez mais barato)...
O que em princípio podia não ser nem ter nada de mal , acabou por se tornar tão pernicioso.
O que faz a ganância, a 'fome' pelo poder e pela sua perpetuação... O que se faz pelo 'hoje' hipotecando o 'amanhã'. O vale tudo.
E se acha que o sistema se auto regenera ou que são os que dele tiram proveito, os que mandam, os que estão e são poder, que vão regenerá-lo, tire daí o 'cavalinho da chuva'... Bem podemos esperar sentados.


De Cidadãos decentes, com valores éticos a 6 de Janeiro de 2010 às 15:34
Seres decentes

Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si. O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber.

Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira.

O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.

Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.

Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro.

Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados.

As pessoas de bem logo o olharam empolgadas:
o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social.

Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe.
«Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a. Mas pedi-la, não. Nunca!»

O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.

“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”.

Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta - acrescentando os outros.

“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”.

O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética.

Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.

- Fernando Dacosta


De Pois é a 6 de Janeiro de 2010 às 19:31
A atitude do general Ramalho Eanes foi a oposta ao comportamento do actual candidato ás próximas eleições presidenciais, ainda militante socialista (?) Manuel Alegre, que não se coibiu de receber uma choruda reforma por alguns meses de trabalho numas radio pública, com a desculpa que a Lei assim o obriga.

Posturas!!!


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