Assim vai este Portugal
 
O Eng. Sócrates (não digo o PS, porque este não se esgota no Eng. Sócrates) hoje está de parabéns, pois o Ministério da Educação chegou a acordo com os sindicatos: todos os professores vão conseguir atingir o topo da carreira. A actual Ministra conseguiu o que a anterior nunca alcançou. O ter cedido em tudo e desperdiçar todo um trabalho da sacrificada ex-Ministra da Educação é de somenos. O importante é que agora deixa de haver manifestações desta classe profissional. Ficamos a aguardar se no futuro, também os médicos não vêm exigir que todos tenham a garantia de terminar a carreira em Chefes de Serviço, os militares de carreira em Generais, os juízes todos em Conselheiros, os técnicos todos em Director de Serviço. Não ficaria surpreendido, já que constitucionalmente os portugueses são todos iguais e seria absurdo, para não dizer injusto e ilegal que o patrão Estado faça descriminações observáveis num reduzido número de países.
Acautelados os interesses dos professores não devemos questionar se os interesses dos alunos foram igualmente acautelados? E naturalmente os interesses dos contribuintes, já que Portugal, país com um dos mais baixos níveis de vida da UE é dos que mais gasta per capita com o ensino, que tem o maior rácio professor/aluno e espantosamente, apesar dos recursos disponíveis apresenta um dos maiores índices de iliteracia e de abandono escolar. Com este cenário a vitória do governo do Eng. Sócrates foi uma vitória de Pirro e uma derrota do país.
Mas isso parece irrelevante para o governo. Tal como é irrelevante que duas das empresas públicas mais deficitárias tenham uma qualidade de serviço ineficiente e improdutiva. E nem vou falar da defesa dos interesses dos consumidores, defesa que consome parte dos impostos pagos, mas cuja produtividade é invisível para o cidadão.
Antes de ontem tentei fazer a compra de um bilhete para ontem no site da TAP, através da internet. Impossível, só via telefone e com pagamento no aeroporto. Pois para fazer esse pagamento entre a espera e conclusão do mesmo foram dispendido mais de 30 minutos e ainda por cima o nome foi redigido de forma incorrecta obrigando a um regresso ao balcão.
Hoje no Metro tentei saber qual o crédito que dois bilhetes ainda continham, já que estes rapidamente deixaram de funcionar. Para obter essa informação a funcionária tem que telefonar para um serviço central, não tendo essa informação disponível no computador. Os vários telefonemas que a funcionária fez enquanto estive presente não obtiveram resposta. No actual estado da arte, é de todo inadmissível que se tenham optado por este modelo, quando todos os Metros apresentam modelos já testados e muito mais eficientes e menos onerosos. Não acredito que tenha sido uma opção para beneficiar alguém. Talvez tenha sido só uma medida negligente de quem decidiu. Acresce que, se a informação for correcta, os bilhetes custam ao Metro o triplo do que custam ao utente. Não só são caros como ineficientes, além de não permitirem, mesmo quando funcionam, apurar com rapidez, isto é, sem obrigar a criar filas, qual o montante ainda disponível.
Mais uma vez os interesses dos contribuintes não foram acautelados.
Enquanto escrevia este texto, ouvi nas notícias que com a entrada do novo código de trabalho, nas situações de despedimento, que não sejam resolvidas em tribunal no espaço de um ano, ou seja, todas, são os contribuintes que passam a suportar os encargos que deveriam ser dos empresários.
Ouvi igualmente que a deputada independente do PS, Inês de Medeiros, eleita por Lisboa, repito, Lisboa, exige que o Parlamento, leia-se contribuintes, pague as suas deslocações de Paris, onde tem residência, para Lisboa, quando se desloca ao Parlamento.
Mas tudo isto são peanuts, o importante é que o governo através do seu grupo parlamentar conseguiu aprovar a lei do casamento entre pessoa do mesmo sexo.


Publicado por Izanagi às 23:40 de 08.01.10 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Esquerda Desalinhada... ou não?... a 14 de Janeiro de 2010 às 09:30
A entrevista do Alegre vem confirmar o que se disse em “Esquerda, PS e Alegre – Confusões e premeditações” , texto publicado uma semana atrás.

O poeta não passa de um cacique sem ideias para além da sua disponibilidade para se sentar em Belém e que é obrigação da esquerda - no seu conceito é uma coisa vaga e abrangente e portanto, sem conteúdo - apoiá-lo. Não se define em coisa alguma a não ser naquilo que já se sabia, que quer e precisa do apoio do PS para acampar em Belém.

Ficamos a saber que Cavaco é fraquito e tosco; que o PS quer a economia de mercado; que são pornográficos os ganhos dos bancos e dos banqueiros. Isso demonstra que Alegre anda informado mas que não é capaz de enformar uma só opinião própria. Como é que ele pensa estabelecer a linha de fractura entre ele e o Cavaco? Quais as rupturas que está disposto a promover para se afirmar como candidato da esquerda?

Ele é anti-capitalista? Não é, dada a natureza do PS, a sua continuada militância no partido em lugares de proeminência e o alinhamento com a política do partido, salvo uma ou outra coisa. E se não é anti-capitalista só por oportunismo pode sorrir para a esquerda.

Quer que acreditem ser ele um homem providencial, iluminado, com um projecto próprio indecifrável para os comuns mortais e que aceitem a sua liderança como a de um profeta. Nesse aspecto não difere em nada do ignorante Cavaco, sempre titubeante e preferindo o significado dúbio, o nim, ao não ou ao sim, recheados de sorrisos forçados e aparentemente enigmáticos. É a continuidade da tradição caudilhista da política à portuguesa.

Quer o apoio do PS, sem o apoio de Sócrates? Este até pode inventar um argumento idiota qualquer para não aparecer em campanha e deixar essas funções aos seus centuriões e outros labregos, para melhor enganar os eleitores de esquerda; e facilitar o golpe estratégico e palaciano dos caciques da esquerda institucional que poderão argumentar que não estão do lado de Sócrates e que este está fora da carroça presidencial de Alegre.

Em 2005, Alegre ainda poderia reunir algumas simpatias à esquerda, capazes de captar o voto de militantes e simpatizantes pouco atraídos pelas candidaturas partidárias e rituais de Jerónimo e Louçã. E, essas simpatias, resultaram decerto da rebeldia (melhor será chamar-lhe ressaibo) de Alegre contra a direcção do PS e do secretário-geral. Em 2010, como vimos afirmando, não é isso que Alegre deseja ou afasta. Ele quer o apoio viabilizador do PS e portanto de Sócrates.

Em comentário às declarações de Alegre, Sócrates nada acrescentou para além de que ainda é cedo para opções presidenciais; não se comprometeu e portanto, continua o PS sem estar comprometido. Sócrates acha prematura a colheita do milho e deixa os primeiros grãos para os pardais, com um sorriso benévolo e matreiro. E a figura de pardal ajusta-se perfeitamente a Louçã!

Ao que sabemos, as estruturas do BE não andam a discutir e menos ainda a aprovar o apoio a Alegre. Sabe-se do crescimento, no aparelho e nomeadamente, nos grupos parlamentares na AR ou no PE de deputados defensores de coabitações com o PS, que não terão igual representatividade junto da massa dos militantes. Desses elementos, alguns chegaram mesmo a recusar a luta pelo socialismo no último congresso do BE, como que dando sinais de que se querem sentar à mesa do orçamento com Sócrates e garantir uma vida fácil e doce, esquecendo rapidamente que a sua notoriedade resultou da confiança (ingénua) de muitos militantes e eleitores. Qual será o papel de Louçã nesta estratégia da ala direita do BE?

Dado que o BE tem apostado numa conduta de partido de “one man show” notam-se sinais de aplauso às declarações de Louçã, de apoio a Alegre, por parte de militantes e simpatizantes pouco dados a pensar com a própria cabeça e a anuir cegamente às palavras do líder. O que não é prática de uma esquerda a sério, mais inclinada para a democracia directa, para o debate, para a decisão em que todos são ouvidos.

Grazia.tanta@gmail.com
Esquerda_desalinhada.blogs.sapo.pt
via Tribuna Socialista, 9.1.2010 http://militantesocialista.blogspot.com/


De contribuinte a 11 de Janeiro de 2010 às 09:00
Entretanto a ex-ministra da educação é nomeada presidente da FLAD - fundação luso-americana desenvolvimento. É um óptimo prémio para a sua ... gestão à frente do ministério... e, em termos pessoais e financeiros, deve valer bem a pena tudo o que aguentou fez ou mandou fazer...
A deputada I.Medeiros ... também já devia saber ao que vinha...


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