2 comentários:
De DD a 18 de Janeiro de 2010 às 00:06
Falta considerar o trabalho dos dois cônjuges como elemento fomentador do aparecimento mais generalizado das classe média em Portugal. Dois salários de adultos operários mais ou menos qualificados ou funcionários, empregados, intelectuais, profissionais liberais, etc. acabam por ter algum significado monetário.

O trabalho da mulher levou também à redução da natalidade e ao desaparecimento em Portugal da aldeia miserável que mandava os seus filhos para as cidades ou para o litoral fazerem trabalhos de serventia porque não estavam habilitados para qualquer profissão urbana. Nos anos sessenta, muitos jovens aldeões emigraram e a natalidade desceu em todo o lado, pelo que a disponibilidade de mão de obra só foi colmatada com a vinda de estrangeiros. Não é xenofobismo, é a verdade.



De António Viriato a 12 de Janeiro de 2010 às 10:35
Caro Elísio,
Agradou-me bastante o conteúdo deste artigo.

Desde logo, o fino raciocínio de Toqueville, com a sua arguta observação dos fenómenos sociais. E o restante é igualmente estimulante.

Hoje, o conceito de classe social perdeu rigor, daí que se fale sobretudo de classe média, em contraposição à alta e à baixa, mas sem a sua correspondente consciência de pertença, como forma de individualização política, mais que social.

O desinteresse da Política cresceu imenso, pela decepção sofrida com os Partidos do arco do Poder, socialista e social-democrático, principalmente.

Cabe, por ex., questionar :
- Em que se traduziu a passagem desses Partidos pelos Governos do País ?
- Diminuiu ou aumentou a precariedade dos vínculos laborais ?
- Que se passou nas áreas que definem o chamado bem-estar social : aumentou ou diminuiu o nível de conforto social dos trabalhadores e do povo em geral ?
- Que têm lucrado os trabalhadores da classe média, com a passagem alternada do PSD e do PS pelo Governo do País ?
- Que trabalho tem sido feito, na preparação científica, técnica e cultural da nossa juventude ?
- Que credibilidade tem o combate à corrupção, à fraude e à incompetência conduzido por estas famílias políticas que têm dominado o Poder nos últimos 20 anos, sobretudo ?
- Quando conseguirmos responder com seriedade e com convicção a estas e outras questões similares, talvez a indiferença política dos portugueses venha a desaparecer.

Até lá, vamos de ilusão em ilusão, mudando de Pôncio para Pilatos, que o mesmo é dizer de Barroso, para Santana ou para Sócrates, este talvez ainda pior, pela teia que propaga atrás de si, no Estado, nas Instituições e nas Empresas em que o Estado mantém influência.

Um abraço,
AV_11-01-2010


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