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De DD a 17 de Janeiro de 2010 às 23:28
Tem razão o Garcia Pereira, mas é uma razão nada honesta porque não refere a exploração operária na China, Vietname, Laos, Coreia do Norte e Cuba.

A Segurança Social portuguesa contratou médicos cubanos a 2.500 euros mensais, mas 2000 vão para a família Fidel e respectivo Partido Comunista e, apenas, 500 para os médicos. Que me dirá a isto o Garcia Pereira? Quem explora quem?

Por outro lado, a China acumulou reservas no valor de 2.273 mil milhões de dólares à custa dos seus trabalhadores e não importa carne e outros alimentos da Argentina e do Brasil em quantidade suficiente para fornecer a preços subsidiados ao seu povo.

As mães chinesas estão convencidas que os europeus são mais altos porque em criança beberam muito leite. Mas com tanto dinheiro, a China não importa o excesso de leite em pó europeu para alimentar as suas crianças. E poderia fazê-lo a preços muito baixos. Os chineses têm muitos porcos e bufalos, mas faltam-lhes as vacas em quantidade suficiente e também têm falta de trigo e outros cereais.Enfim. com reservas da ordem dos 902.307 dólares por cada um dos 1.3 mil milhões de chineses, a China continua a manter o seu povo na pobreza e até na fome. Nunca, em país nenhum da história da Humanidade houve reservas tão grandes para um povo tal mal pago e a viver na pobreza. As reservas chinesas são de quase um milhão de dólares por cada habitante, homem, mulher, criança, novo ou velho.

Aqui o Garcia quer distribuir "défice" pelos trabalhadores, o que só é possível até a um limite muito estreito, e não critica o facto de cada chinês ser um paupérrimo milionário a viver numa ditadura que controla toda a comuniação social, incluindo a internet. O Google vai deixar de comunicar com a China por não aceitar uma censura prévia.

Hoje, nenhum intelectual, seja de esquerda ou de direita, tem o direito de falar de filosofia política e até de política e economia em geral sem considerar a mais gigantesca das contradições que é a China Comunista-Capitalista.

Garcia Pereira fala na generalidade, mas saberá ele qual a diferença monetária entre a "exploração" na Alemanha e na China?

Garcia não sabe que na China um trabalhador trabalha uma hora diária para si e 8 a 9 horas para o patrão e é este regime comunista-ultra-capitalista que está a modificar todas as relações de trabalho a nível mundial. Na Alemanha, está calculado que o ytrabalhador trabalha só vinte minutos por dia para o patrão, o resto é para os seus altos salários.

O portátil que o Garcia Pereira leva para o seu iate é feito na China como muita coisa mais que nos permite obter alguns produtos a preços razoáveis, mas à custa do desemprego.

Quando compramos um produto chinês ou estrangeiro não pagamos só o preço exigido na loja, mas igualmente uma parte dos subsídios de desemprego de meio milhão de desempregados portugeses e, indirectamente, de mais de 25 milhões de desempregados da União Europeia.

Curiosamente, a China importa da Alemanha quase dez vezes menos que a Holanda, apesar da conhecida diferença de tamanho e de população, mas exporta imenso.

A Índia queixou-se à Organização Mundial do Comércio da prática do dumping chinês, a Indonésia instituiu agora uma nova pauta aduaneira que aumentou em 300% os direitos aduaneiros, o mesmo está a fazer o Laos e as Filipinas.

Desde que a China desvalorizou a sua moeda, fazendo-a acompanhar a desvalorização do dólar, muitos países do Terceiro Mundo estão a aplicar novos direitos aos produtos importados porque não podem deixar de ter algumas fábricas e produções próprias. Os europeus têm de seguir a mesma via como fizeram agora os EUA com direitos aduaneiros especiais para os pneus chineses.

O Garcia deveria saber que a Continental-Mabor em Lousada fabrica 16 milhões de pneus a um preço que é mais do dobro de um pneu chinês fabricado na China pela própria Continental. Se a Continental fosse a tal empresa exploradora capitalista que Garcia descreve já teria fechado a fábrica portuguesa e lançado para o desemprego os trabalhadores com indemnizações que seriam pagas pela diferança de preço no primeiro milhão de pneus importado da China, logo com menos de um mês de produção.

Portugal e a União Europeia vão pelo cano de esgoto abaixo da história se não travarem a ganância chinesa.


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