O Desemprego e Garcia Pereira

 

 

 

O despedimento e inerente desemprego é terrível para os trabalhadores visados, mas está totalmente fora da esfera judicial, ao contrário do que pretende o jurista Garcia Pereira que lidera um partido que em mais de 36 anos de história nunca conseguiu eleger um deputado à AR e, nem sequer, a uma Assembleia Municipal ou de Freguesia.

 

Não se pode obrigar os construtores civis a construírem as casas que não vão vender. No Algarve, revelam as estatísticas de hoje, o desemprego aumentou mais que no resto do país porque a compra de segundas casas para o verão acabou por completo. Não há novos-ricos para as comprarem no Algarve nem no resto do país.

 

Por outro lado, a desvalorização da libra tornou o Algarve muito caro para os muitos ingleses que vinham passar parte do inverno e primavera no Algarve, muitos dos quais eram reformados.

 

Os novos reformados europeus não têm dinheiro para adquirirem segundas casas em Portugal nem para passarem longos períodos no país.

 

O parque habitacional português chegou às 6 milhões de unidades para 3,9 milhões de famílias. Há mais de meio milhão de casas devolutas que o BE quer ver o Estado a reparar e a alugar, mas não há meio milhão de famílias para as ocupar.

 

As estatísticas de hoje do desemprego revelam um aumento enorme entre Dezembro de 2008 e Dezembro de 2009 com particular incidência na construção civil e nos sectores metalúrgicos e de materiais de construção. Parado o ciclo da construção, entraram em crise as fábricas de tintas, torneiras, canalizações, equipamento eléctrico, etc., isto depois da crise que resultou do fecho das fábricas estrangeiras que foram para a China, Roménia, etc. ou nem foram parte alguma por falta de encomendas.

 

Nada disto tem a ver com leis, juízes, tribunais, etc.

 

O mercado capitalista sempre teve a tendência de fornecer um grande número de bens a muita gente até saturar o mercado e entrar em crise. Antes isso que o modelo comunista em que os cidadãos nunca eram fornecidos com os bens necessários, pelo que só havia mesmo excesso de produção de Kalashnikovs, mísseis, tanques, bombas atómicas, etc.

 

Além disso, a gigantesca produção da China está a tornar as restantes economias do Mundo em economias de serviços e não é por acaso que a maior empresa do Mundo, a Wall Mart, é uma cadeia de supermercados americanos que emprega 2,1 milhões de trabalhadores em mais de 8 mil lojas. Emprega mais que os caminhos-de-ferro da China e Índia ou os respectivos correios que são sempre as empresas com o maior número de trabalhadores em quase todos os países.

 

O papel dos serviços numa economia merece uma análise económica e social muito séria para se aquilatar da sua função como empregadora e, bem assim, a função da produção de bens ditos não transaccionáveis como obras de construção, etc. que não podem ser importados da China.

 

O impacto da China no desemprego global, tanto no dos países do chamado primeiro Mundo como nos do terceiro e quarto mundo, também deve ser estudado por toda a pessoa politicamente séria e empenhada em resolver os problemas do país.

 

A China não é um pequeno “tigre asiática” como a Coreia, Taiwan, Singapura, etc. com limitações populacionais. A China é uma fonte inesgotável de trabalhadores baratos e ainda tem mais de 300 milhões de “disponíveis” porque os seus níveis de consumo global são muito reduzidos. Mais de 80% das aldeias chinesas não estão electrificadas e mais de 50% do povo chinês não possui saneamento básico nem água canalizada. Contudo, como já escrevi, as reservas em dólares da China atingem quase um milhão de dólares per capita.

 

Por isso, tudo o que Garcia Pereira escreve é asneira, porque os tribunais não podem alterar as regras mundiais do mercado.

 

O problema do desemprego é, para nós, o problema chinês e só pode ser resolvido com o fecho de fronteiras, a não ser que a China passe a comprar mercadorias do resto do Mundo de modo a haver um equilíbrio entre a compra e a venda.



Publicado por DD às 22:42 de 18.01.10 | link do post | comentar |

2 comentários:
De formação política globalização a 19 de Janeiro de 2010 às 14:38
I Curso de Formação Política da Fundação Res Publica 2010

GLOBALIZAÇÃO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS

O curso pretende proporcionar uma formação introdutória e geral sobre as várias dimensões da
globalização e suas consequências para o sistema de relações internacionais, através de abordagens
disciplinares diversas e qualificadas.

Metodologia:
Cinco módulos práticos, ao longo de quatro semanas, entre as 20.30 e as 23.00, e uma conferência
de encerramento. A Fundação Res Publica é uma entidade certificada pela DGERT.
1 - A Globalização Económica - (2 e 4 de Fevereiro de 2010)
Por: João Marques da Cruz (Economista, EDP)
2 - Democracia no Mundo - (10 de Fevereiro de 2010)
Por: Andrés Malamud (Politólogo, ICS/UL)
3 - Segurança: Ameaças e Respostas - (9 e 12 de Fevereiro de 2010)
Por: José Loureiro dos Santos (General)
4 - Globalização e Relações Internacionais - (15 de Fevereiro de 2010)
Por: Carlos Gaspar (Politólogo, IPRI/UNL)
5 - Portugal no Mundo - (24 de Fevereiro de 2010)
Por: Bruno Cardoso Reis e Pedro Aires Oliveira (Historiadores, FCSH)

Notas:
Conferência de Encerramento por Nuno Severiano Teixeira, quinta-feira, 25 de Fevereiro,
pelas 18.30, no Auditório do Edifício Novo da Assembleia da República.
As conferências vão realizar-se em Lisboa, no ISCTE (Alameda da Universidade).
A conferência será aberta não só aos formandos, mas também à comunicação social.

Avaliação:
Os formandos são convidados a apresentar um ensaio sobre um dos cinco temas do curso.
O ensaio que obtiver melhor classificação será premiado com uma bolsa de incentivo ao seu
aprofundamento. Os segundo e terceiro melhores ensaios serão divulgados no sítio e na revista da
Fundação.

Inscrição:
Número de vagas: 40 pessoas
Candidatura: Os candidatos que já frequentaram outro(s) curso(s) em 2009 devem enviar apenas um
email com a indicação de que também pretendem participar neste primeiro curso de 2010. Se ainda
não frequentou nenhum curso da Res Publica, envie o seu CV para geral@fundacaorespublica.pt
Matrícula: 40 euros
Pagamento: Por transferência bancária para a Conta da Fundação, de acordo com informação enviada
no email de confirmação da aceitação da candidatura.
O regulamento deste curso está disponível em: www.fundacaorespublica.pt


De Justiça e economia a 19 de Janeiro de 2010 às 14:25
DD - «... Por isso, tudo o que Garcia Pereira escreve é asneira, porque os tribunais não podem alterar as regras mundiais do mercado.
O problema do desemprego é, para nós, o problema chinês e só pode ser resolvido com o fecho de fronteiras, a não ser que a China passe a comprar mercadorias do resto do Mundo de modo a haver um equilíbrio entre a compra e a venda. »

G.P. em «Inefectividade das leis e tribunais do trabalho» (em Portugal, actualmente):
leis do trabalho (código de T. e código de processo de T.) e tribunais do trabalho com aplicação duvidosa dos ''direitos'' dos trabalhadores, com não aplicação de Justiça (embora possa aplicar Direito...) .

Um fala de ''alhos'' e o outro replica sobre ''bugalhos'' ... independentemente destes ou daqueles serem os mais azuis ou os mais amarelos... embora em ambos tratem de vegetais ou de cores...

Oh DD !! - posso concordar que Portugal e o ocidente têm um grave problema económico (...) em parte devido às exportações chinesas (e ...)
mas daí a dizer que tudo o que GP escreve (sobre leis e tribunais do trabalho...) é asneira ... - não está a ser racional.
e dizer que os tribunais não podem alterar as regras mundiais de mercado ... não é nada.
Mas os legisladores (parlamentos e governos) têm a ver com as leis e os tribunais e com a efectiva aplicação de Justiça !!


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