Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Em nota divulgada na sua página na Internet, a Presidência da República adianta que Pedro Santana Lopes será agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, que distingue "destacados serviços prestados ao País no exercício das funções dos cargos que exprimam a actividade dos órgãos de soberania ou na Administração Pública, em geral, e na magistratura e diplomacia, em particular", de acordo com a justificação oficial.

O ex-primeiro-ministro era o único antigo chefe de Governo que não tinha sido ainda agraciado.
[Semanário Expresso]


Publicado por [FV] às 10:48 | link do post | comentar

8 comentários:
De Mérito da Treta a 20 de Janeiro de 2010 às 11:40
Se fosse só PSL o único 'palhaço'... isto não ia tão mal assim...

Há 'barões' partidários de vários quadrantes e 'barões económicos e sociais' que têm feito muito mais mal ao país ... do que este 'bombo da festa'...

este ''comendador/grâ-cruz'' está para os restantes ''paisanos'' como o dia de Carnaval está para os restantes dias do ano - serve de bode escapatório para toda a tristeza e impossibilidades gerais


De [FV] a 20 de Janeiro de 2010 às 11:49
"... Foge cão, que ainda te transformam em Barão..."


De Mordomias e agraciados pela incompetênci a 20 de Janeiro de 2010 às 14:01
Um acto de justiça
por Sérgio de Almeida Correia | 19.01.10 | em Delito de Opinião

Já aqui tinha deixado entender, fazendo minhas as palavras de Camões, o que penso sobre a atribuição de condecorações a eito, como é o caso das que têm sido distribuídas entre nós.

É evidente que o problema não começou com Cavaco Silva, correspondendo antes a uma prática instalada há décadas.

Ao olharmos para a galeria de medalhados do regime, para o número verdadeiramente indecoroso de agraciados e para os progressos que o país registou à custa desses mesmos medalhados (e isto é que importa sublinhar), facilmente concluímos que se esses medalhados tivessem metade do mérito que as palavras que lhes foram ditas lhes atribuíram, e o alto nível das condecorações oferecidas deixa perceber, o País não estaria como está.

De que serve ter um português à frente da União Europeia, outro ex-primeiro ministro como Alto Comissário para os Refugiados e milhares de medalhados por altos serviços prestados, se o Estado está como está, se temos mais de meio milhão de desempregados e se são cada vez mais os portugueses que não têm para pagar o aquecimento ou comprar uma posta de peixe?

Aquilo que deveria servir para manifestar o reconhecimento de todos, todos, os portugueses pelos relevantes serviços prestados à Pátria, ao Estado e à Nação pelos cidadãos condecorados, tornou-se num gesto corriqueiro destinado a agraciar funcionários públicos, ainda que bem pagos, e clientelas políticas e empresariais, sendo cada vez mais raros os casos em que a atribuição de uma medalha é consensual e de inteira justiça. Não aos olhos de quem atribui, mas aos olhos em nome de quem elas são apostas, único critério que deveria estar presente na hora da decisão.

Por tudo isso, enquanto português e cidadão, sinto verdadeiro asco quando vejo serem agraciados políticos profissionais - enquanto agraciado Pedro Santana Lopes não tem culpa nenhuma - e nojo sinto quando o critério da atribuição da honraria reside, inclusivamente, no facto de, in casu, como foi por diversas vezes referido, Santana Lopes ser o único primeiro-ministro que ainda não tinha sido condecorado. Como se tal critério pudesse valer entre gente inteligente, responsável e consciente do seu papel, ou como se houvesse condecoração maior, honra maior, do que ter servido Portugal e os portugueses como primeiro-ministro ou ministro da República.

Aliás, as mordomias inerentes a algumas funções, e a forma como o poder político retribui os seus pelo exercício de funções de Estado, promovendo esses servidores, alguns simplesmente medíocres, sem currículo, obra ou sequer qualificações que os guindassem aos lugares que ocuparam (e ocupam), a administradores de empresas públicas e participadas e banqueiros, num vergonhoso carrossel de lugares e recompensas até à sua reforma, muitas vezes à custa de erros políticos que deviam dar cadeia pelos custos que representam, parece-me forma de compensação mais do que suficiente, e já de si suficientemente indecorosa, que deveria bastar para que os medalhados sentissem alguma repulsa, já não digo vergonha, pelo recebimento deste tipo de condecorações.

Transformar um mandato sofrível, um desastre orçamental, um desconchavo governativo permanente que até mereceu acusações de traição em directo por parte de "amigos do peito" e companheiros de partido, por sinal o mesmo onde militou Cavaco Silva, que mais pareciam amigos da onça, num "acto de justiça", só pode ser entendido como um acto de pública ignomínia.

É, pois, natural, que o anúncio da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, com tudo o que isso significa para um presidente em exercício, no seu primeiro mandato e a um ano de vista das próximas eleições presidenciais, não esteja no rol das preocupações de Cavaco Silva.

Hoje ficou-se a perceber um pouco melhor porquê. É que no rol das preocupações de Cavaco Silva, Presidente da República, estava exactamente condecorar Pedro Santana Lopes, ainda que para preservar uma "longa tradição", que tem tanto de paroquial quanto de atávica, mas que muito honra a Chancelaria das Ordens Honoríficas Portuguesas, se tenha acabado de espetar mais um prego no caixão deste regime.
...


De sacrossanto poder a 20 de Janeiro de 2010 às 14:03
...
Estranho o silêncio de uma certa direita, sempre atenta quando se trata de defender os seus valores, alguns dos quais não são seu exclusivo, mas que nada diz perante tamanha afronta à dignidade do regime, talvez ciente de que o seu silêncio ainda poderá vir a ser recompensado com uma aliança no futuro que lhe permita de novo ascender ao sacrossanto poder.

Seria bom que o próximo Presidente da República, e já agora o secretário-geral do Partido Socialista, fossem pensando nestas coisas para quando chegar a hora, não do Juízo Final, que isso é com outro rosário, mas de acertar contas com a República. E mesmo assim não sei se algum dia ela estará disposta a perdoar-lhes.


De [FV] a 20 de Janeiro de 2010 às 14:28
"...por Santana Lopes ser o único primeiro-ministro que ainda não tinha sido condecorado. Como se tal critério pudesse valer entre gente inteligente, ... ... para preservar uma longa tradição".

Ora está a ver? É como nos 'touros de morte em Barrancos'. Está legalizado porque é de tradição...
Triste República, triste País este ...


De F*d*-se a 21 de Janeiro de 2010 às 01:09
"um desastre orçamental"
Com que autoridade se pode falar em desastre orçamental a um primeiro ministro que não chegou a estar 6 meses no governo?
Haja um mínimo de pudor e alguma decência naquilo que se diz.


De Desejam-se melhores colheitas... a 22 de Janeiro de 2010 às 11:42
«
Os nossos políticos são como o vinho

Ao olhar para a nossa classe política concluo que os nossos políticos são como os vinhos, há anos bons e anos maus, os anos excepcionais são raros, no caso dos políticos são mesmo muito raros. Se no caso do Vinho do Porto de vez em quando há uma colheita que dá lugar à produção dos Vintage, já com os políticos há muito que não há uma colheita de que se possa dizer “benza-te Deus!”, a última geração digna dessa distinção foi a de Mário Soares, Sá Carneiro, Álvaro Cunhal (acabei de engolir um sapo a título de aperitivo) ou Amaro da Costa.

Daí para cá se os políticos fosse vinho só se aproveitavam para fazer vinho branco para fins culinários da marca Pingo Doce, e já estou a ser simpático pois bem engarrafado o branquito do Pingo Doce bem embrulhado ainda inspiraria muitos odores nos narizes de muitos enólogos amadores da Bica do Sapato. É um pouco como o José Seguro, o vinho branco do Pingo Doce engarrafado com uma garrafinha moderna e o rótulo de VQPRD teria direito a destaque na lista de vinhos dos nossos restaurantes de luxo, até porque as papilas gustativas de uma boa parte da nossa burguesia abastada é tão exigente como uma boa parte dos militantes dos nossos partidos.

Na nossa classe política há vinhos para todos os gostos, desde os brancos aos mais tintos, veja-se o caso de Manuel Alegre que com aquela voz de vinho encorpado anda a praguejar porque José Sócrates é rosé demais para o nosso gosto. Alegre assume-se como um tinto encorpado mas com taninos suaves para evitar as alergias. Aliás, a condição para alinhar com alegre é ser tinto, quanto mais tinto melhor, palhete nem pensar e rosé só mesmo para as ocasiões., aquilo não é um MIC, é uma adega do Ribatejo.

Se no PS o problema é haverem mais marcas de vinho do que de cerveja na Bélgica, cada morgadio dá direito a uma marca nova, no PSD o problema é ainda mais grave a filoxera deu cabo da vinha e a adega começa a estar vazia, a última garrafa que abriram estava há tanto tempo abandonada na garrafeira que acabou por se revelar vinagre. O problema do PSD é ainda a indefinição da marca, passam a vida a dizer que são rosé mas na hora da colheita só têm castas de branco. E como se sabe os brancos não têm grandes aptidões para envelhecer, perdem gosto e aroma, Cavaco e Ferreira Leite são um bom exemplo disso.
Santana bem se esforça por dizer que é da velha colheita, Passos Coelhos afirma-se como um vinho jovem produzido em modernas cubas de aço inoxidável, mas a verdade é que a adega está repleta de velhos cascos de carvalho que deixam o vinho com sabor a bafio.

Resta-nos o Louçã que é como o vinho de Lagoa, é a dar para o rosé mas com uma graduação bem acima dos tintos e o Jerónimo de Sousa que insiste em apresentar-se em velhos garrafões da Camilo Alves enrolados em vime. Resta-nos o Paulo Portas que se afirma como um vinho a martelo engarrafado em garrafas de chateau francês com rolha de plástico.
»
.............
Parabéns ao Jumento (post de 21.1.2010) pela excelente prosa... independentemente das abrangências ou preferências politico-vínicas.


De Medalhas louvores títulos e (de-)méritos a 9 de Fevereiro de 2010 às 10:35
Luta pelo direito à mediocridade

Pobre País aquele que quer impor quotas diferenciadoras aos funcionários públicos ao mesmo tempo que condecora ex-primeiros ministros, apenas porque o foram.
É caso para perguntar se apenas estamos obrigados a reconhecer apenas os maus funcionários públicos?

A recente condecoração de Santana Lopes, teve o condão de desmistificar os rituais carnavalescos de atribuição de méritos, medalhas e títulos da República que, afinal de contas, não passam de cerimónias bacocas que apenas servem para massajar o ego de uns quantos.

A situação, é em tudo parecida com os louvores que são freneticamente publicados em DR, onde motoristas, telefonistas, assessores e afins, são graciosamente premiados pelos governantes de turno.
É uma espécie de atribuição de medalhas no fim duma corrida de Karts, onde todos, sem excepção, levam para casa uma ao peito.

Pobre País aquele que não preserva o simbolismo dos seus reconhecimentos oficiais a indivíduos que verdadeiramente merecem.
Afinal de contas esta República está a ficar cada vez mais Monárquica!
- por PlanetasPolitik - Bruno, 21.1.2010


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