A Saturação dos Mercados

A actual crise tem um único paradigma, o da saturação dos mercados dos países mais desenvolvidos da Europa, dos EUA, Japão e Oceânia.

De uma ou de outra forma, nesses países a esmagadora maioria da população adquiriu hábitos de consumo e bens e serviços típicos das classes médias.
As economias de mercado conseguiram abastecer as populações com quase todos os produtos possíveis, um modelo de carro ou qualquer produto para cada bolsa, daí que a pronúncia da simples palavra crise acarrete uma grande retracção no consumo e, logo, nas vendas, na produção e no aumento do desemprego. O ciclo vicioso fecha-se. Com medo da crise aforra-se mais, compra-se menos e alimenta-se a crise.
A teoria dos ciclos está cheia destas fases de sobreprodução que surgem em períodos relativamente determinados e que tem sido resolvida com o aparecimento de novos produtos que produzem uma nova fase de consumo.
Veja-se a crise de 1929 e anos seguintes. Verdadeiramente, a crise começou a ser resolvida com o aparecimento do motor eléctrico produzido em massa que alterou todo o equipamento industrial que deixou de estar ligado a grande máquinas a vapor por meio de veios gigantescos e perigosas correias transportadoras. Ao mesmo tempo, o pequeno motor impulsionou o aparecimento do frigorífico caseiro, das máquinas de lavar, aspiradores, etc. Primeiro no EUA e depois na Europa.
Assistiu-se também a mais de meio Século de construção civil e ao contrário do que muita gente diz, o caso do “subprime” nos EUA não foi tanto devido a empréstimos para a compra de casas a valores especulativos concedidos a pessoas que não tinham casa nem dinheiro para as pagar. O que sucedeu foi que a dinâmica dos construtores levou muita gente a trocar de casa, ou seja, comprando rapidamente uma nova sob a pressão dos vendedores e bancos que ofereciam créditos a juros baixos para vender posteriormente a mais antiga de modo a amortizar a dívida, o que se tornou muito difícil por não haver compradores para casas velhas.
O paradigma da saturação dos mercados não é do agrado da maior parte das mentes humanas que dão sempre a preferência a uns malvados que cometeram fraudes, auferiram de ordenados gigantescos, etc. É evidente que há aí muita verdade e na economia capitalista o objectivo é sempre o lucro máximo, mas os benefícios da massificação da oferta de bens e serviços não podem ser esquecidos.
A saturação engendra por si próprio uma redução nas vendas e logo uma quebra no crescimento económico do produto.
O exemplo português é paradigmático da situação dos países ricos. Recentemente o Banco Mundial estimou Portugal como o vigésimo sétimo país mais rico do Mundo per capita no fim de 2008 com 20.762 dólares por pessoa e o trigésimo segundo em termos de paridade de poder de compra com 21.755 dólares. O Banco Mundial opera com demografias actualizadas a 2008, daí pois o excelente lugar de Portugal num universo de 178 nações do Planeta, mas não considera os 19% de rendimentos não monetários dos portugueses e que fariam subir mais uns dois a três lugares na escala mundial. O FMI utiliza nos seus cálculos os dados dos censos de 2001, o que produz erros imensos, principalmente quando compara países com diferentes taxas de crescimento populacional.
As 3,8 milhões de famílias portuguesas possuem cerca de 6 milhões de unidades habitacionais independentes de acordo com o número de contadores domésticos da EDP e das estatísticas dos censos do INE que passou a incluir o número de fogos. Mas, metade das famílias portuguesas estão ainda pagar 1,4 milhões de habitações e mais de 80% vive em casa própria, contabilizáveis nos rendimentos não monetários, e cerca de 23% do total das habitações estão ainda em pagamento. Os portugueses são o povo europeu com maior número de segundas casas.
Também são bem visíveis os 5,8 milhões de automóveis com seguro pago, revelado pelo Instituo de Seguros de Portugal, a circular no país europeu que possui a mais densa rede de auto-estradas com quase 25 km por mil km quadrados de área quando os EUA têm apenas 9 e o segundo país mais equipado de rodovias do género, a Holanda, tem 20 km e Alemanha menos ainda.
Os portugueses possuem mais de 10 milhões de ligações de telemóvel e há muito que têm uma rede extremamente densa de caixas Multibanco e aparelhagem de compra nas lojas.
Nos 25 anos entre 1980 e 2005, Portugal foi o oitavo país do Mundo com o maior crescimento da riqueza per capita, graças à sua baixa taxa de natalidade. O Mundo cresceu cerca de 68% e os países asiáticos registaram taxas globais da ordem dos 350%, mas a partir de valores extremamente baixos. Tudo recordes nunca observados na história económica mundial.
O desenvolvimento social com salários mais elevados, segurança social, habitação social, etc., acarreta custos e tornou o continente europeu menos competitivo em fabricos de mão-de-obra intensiva, incluindo Portugal. Há quem critique o facto de o salário médio português ter aumentado 24% nos últimos dez anos quando o alemão subiu apenas 13%. Claro, considerando o ponto de partida, foi o salário alemão que aumentou muito mais. Recorde-se que na Alemanha há o consenso de considerar como salário mínimo o de um carteiro que ronda os 1.400 euros mensais. A Alemanha não tem salário mínimo estipulado por lei.
A saturação dos mercados é sempre precedida por um período eufórico em que se pensa que a bola do dinheiro gira continuamente para cima. Depois vem a verdade. As acções descem, as dívidas permanecem e ultrapassam o valor dos activos ao mesmo tempo que as vendas diminuem, os mercados encolhem e surge o desemprego com todo o drama que acarreta e custos sociais imensos que podem levar os estados a entrar em insolvência como aconteceu na Islândia e um pouco na Irlanda e na Grécia. Mas, o futuro está à vista e serão mais uma vez as novas tecnologias a provocarem uma saída. O automóvel eléctrico ou híbrido, transportes colectivos mais eficazes e rápidos, os novos sistemas de produção e utilização de energias, as biotecnologias, a protecção ambiental, uma agricultura mais eficaz baseada em novos cultivares e melhor protecção vegetal. Tudo associado a novas organizações empresariais, por ventura baseadas na redução do gigantismo onde a criatividade tenha um lugar mais importante.
A crise não veio para ficar. A velha gestão empresarial terá de ceder o seu lugar a algo de novo e mais inteligente e o gestor tem de conhecer melhor os seus mercados.
O que é certo é que os mercados não regulam nada; apenas existem e resultam da interacção humana, são mesmo o mais antigo fenómeno social. Os mercados não podem ser prescritivos ou pré-regulados, apenas podem ser analisados de forma descritiva.


Publicado por DD às 00:18 de 19.05.09 | link do post | comentar |

7 comentários:
De Anónimo a 19 de Maio de 2009 às 09:43
Senhor "DD" que fazer?

Há vários copos a transbordar e não um só.

Há o copo dos excessos de produção em certas zonas do globo, mas só aí;

Há o copo do excesso de famintos por todo o globo ainda que numas regiões mais do que noutras;

Há o excesso de natalidade numas regiões e população a diminuir em muitos paises;

Há o excesso de falta de equilibrios, mesmo ecologico e planetário.

Há excesso de tudo o que é mau e falta de quase tudo o que é necessário, incluindo o equilibrio do bom senso.

Senhor "DD" secalhar deveria haver a coragem de se acabar com as fronteiras geograficas. Se para o capital financeiro já acabaram há muito tempo, para os serviços são incipientes, porque não acabar com elas, também para as pessoas?

Isso é perigoso, não é?

Porque se não exigem as mesmas condições de trabalho e de vida,segundo as suas necessidades e capacidas, para todo e qualquer cidadão viva ele onde viver trabalhe ele onde trabalhar.

Os trabalhadores da china, de africa ou qualquer outro lugar deveriam ter iguais condições às dos europeus, japoneses ou americanos, não acha?

A saturação dos mercados nas regiões referidas deve-se as duoas ordens de razão:
A primeira é execesso de produção em si mesmo, paradoxalmente, e em grande parte realizado em país onde as populações não têm acesso aos produtos que produzem, esta a segunda razão


De DD a 19 de Maio de 2009 às 10:38
Não há soluções perfeitas.
A escolha é entre os postos de trabalho dos portugueses (e europeus) e o dos pobres do Terceiro Mundo. Os pobres destroem o trabalho dos portugueses e se não poderem exportar para a Europa e EUA, etc. ficam mais pobres; se o fizerem ficam os trabalhadores portugueses mais pobres. O produto do trabalho dos mais pobres é muito mais barato, mas acarreta a falência das empresas portuguesas. Exemplo: A Soc. Luso Britânica .... (apesar do nome era portuguesa) fabricava os computadores City Desk. Com a invasão chinesa dos Asus, Tsunami, etc. fechou, deixando umas boas dezenas de informáticos no desemprego. Estou a escrever num excelente City Desk que, infelizmente, já não se fabrica em Alferagide. O enorme edifício dessa empresa está às moscas em degradação.

Temos de acrescentar ao preço dos produtos baratos vindos do Terceiro Mundo o que o contribuinte paga em termos de subsídio de desemprego a mais de meio milhão de desempregados. Eu sou a favor dos portugueses e europeus, portanto favoreço algum proteccionismo que não necessita de ser exagerada. Bastam direitos aduaneiros generalizados sobre todas as importações oriundas de fora da Europa da ordem dos 25% Ad valorem, os quais deverão ser revertidos para ajudar empresas europeias e pagar subsídios de desemprego. Como povo, não podemos ajudar os mais pobres sem empobrecer. Do mesmo modo, não se pode tirar aos ricos sem que estes fiquem mais pobres ou menos ricos. Os 42% da tabela máxima do IRS e os 25 mais 75% de impostos em IRC e IRS para pagamentos extraordinários a administradores e gerentes são uma forma de redistribuição, mas atingem aqui o limite máximo a taxar, o que acho muito bem, pois, sendo sincero, não me toca a mim. Que tirem as vacas, mas não as minhas poucas galinhas.

Claro, os alemães não querem esse proteccionismo porque exportam produtos de grande valor acrescentado e querem vestir-se e consumir em casa com artigos muito baratos que, de alguma forma, aumentam largamente o seu poder de compra.
Os horticultores portugueses, que não são ricos, enfrentam neste momento a gravíssima concurrência da horticultura marroquina que trabalho com pessoas a ganharem 2 a 3 euros por dia e aqui ganha-se 8 ou mais euros por HORA. Os marroquinos têm direito à vida e se podem desenvolver com exportações. Nós também temos o mesmo direito.

Como socialista português não posso deixar de apoiar em primeiro lugar o emprego português.

Nota: O IRC das micro e médias empresas foi reduzido para metade, cerca de 12,5%, e, como tal, também o pagamento por conta. o que favorece muito mais de 150 mil empresas, principalmente de pequenos serviços como cafés, pequenos restaurantes, oficinas, mini-construtores civis, comércio tradicional, feirantes, etc.


De Anónimo a 19 de Maio de 2009 às 12:26
O senhor "DD" tal como os ideólogos da nossa praça continuam a não querer compreender de que a solução não é os trabalhadores europeus, americanos e japoneses descerem ao nível dos marroquinos, asiáticos e africanos em geral mas sim estes evoluírem , progressivamente ao nível económico e social de uma Europa que, apesar de tudo, ainda cultiva os valores da solidariedade, da partilha e da justiça social.

A escolha tem de ser feita entre o egocentrismo e o universalismo, entre o retrocesso e o progresso.

É muito mau quando aceitamos para os outros o que não queremos para nós próprios.

É péssimo , muito desgraçado mesmo, quando socialistas já aceitam ideologias próprias de ultraliberais.


De DD a 19 de Maio de 2009 às 13:58
É verdade o que diz, só que nada se faz sem um processo e este passa pela instalação de indústrias básicas com exportação garantida e depois avanços no sentido de maior valor acrescentado por via da inteligência.
Esse processo aconteceu no Japão e na Alemanha e foi dirigido pelo Estado apenas no sentido de criar indústrias de guerra para matar pessoas.
Em termos pacíficos, o desenvolvimento esteve sempre a cargo de grandes malandros como o Thomas Alva Edison que inventou a lâmpada e a própria aplicação prática da electricidade, criando a General Electric e sendo um grande explorador de outros inventores que contratava para trabalhar nos seus laboratórios como o Tesla que resolveu o problema da grande produção e transporte da electricidade com a corrente alterna que se deve a ele. Edison prometeu-lhe 50 mil dólares da época se resolvesse o tal problema do transporte da electricidade e nada lhe deu. Até Einstein foi malandro como foram os irmãos Philips e os irmãos Siemens .
Quem me dera que Portugal tivesse tido malandros como os irmãos Philips que nunca quiseram fazer o bem aos trabalhadores e aos povos do Terceiro Mundo, mas contribuíram largamente para a única e grande revolução da modernidade, a revolução tecnológica. Outras revoluções não existiram, as políticas foram apenas mudanças de nomes e pessoas para tudo ficar na mesma.

A exportação passa por baixos custos salariais e depois custos mais elevados na medida em que o "input" tecnológico aumenta, mas só se for criação indígena, porque do exterior ninguém oferece nada a ninguém.

Só no interior de um país é que os próprios podem aumentar a tecnologia nacional, criando mercados internos que depois passam a exportadores. É o caso das eólicas em Portugal. Hoje temos várias empresas que fabricam e exportam muitos componentes das eólicas.


De DD a 19 de Maio de 2009 às 14:14
Não se trata de aceitar teorias ultra-liberais, mas quando vejo os trabalhadores portugueses à porta de fábricas fechadas fico fulo. Claro, sei que os oposicionistas esfregam as mãos de contentes, quanto pior, melhor para eles, mais fácil será derrotar o PS. Esquecem-se é que não têm nenhuma varinha de condão para fazer ressuscitar as fábricas fechadas. A boa vontade não serve para nada. Há que conhecer a realidade para a corrigir. Quem leu "O Capital" de Karl Marx observou que em certas ocasiões Marx diiz que nenhum sistema como o capitalista provocou um aumento tão grande da produção mundial
Quem melhor analisou o capitalismo foi Marx. Ainda é actual a sua leitura e Marx compreendeu o processo evolutivo do "modo de produção capitalista".

Marx acreditou que a mais valia produzida pelos trabalhadores ao serviço do capital era da ordem dos 50% e isso é que nunca aconteceu ou só esporadicamente.


De Xa2 a 19 de Maio de 2009 às 12:40
Interessante artigo e comentário DD.
Concordo que nestes ''pratos da balança mundial'' (seja trabalho/emprego, seja trocas comerciais, produtos agrícolas, apoias/subsídios, ...) quando se carrega num prato sobe o outro e vice-versa, sendo muito difícil manter um equilíbrio, permanente e com a balança a funcionar.

Concordo que algum nível de proteccionismo (português e europeu) tem de haver , não só para protecção da produção local como do próprio nível de qualidade, influenciando a produção e não ficando os consumidores totalmente nas mãos dos produtores externos ... mas sem exageros nacionalistas.

Aliás o ponto fraco parece estar ligado a essa noção de empresa/capital nacional (centros de ''decisão nacional'', ...).
É que actualmente, o dinheiro não tem nacionalidade, as empresas ''de bandeira'' (tal como os aviões e os barcos) são apenas um nome, um rectângulo colorido... que usam, abusam, espremem, torcem, trocam, alteram, deitam fora, vendem a quem der mais, ...

A generalidade é a da «globalização» e da transferência electrónica em bolsas ou inter-bancos (entre contas numeradas ou com nomes fictícios, escondidos em 'offshores'...),
incluindo dinheiros 'ex-sujos'/'lavados' do tráfico de droga, armas, pessoas, prostituição, produtos e resíduos tóxicos, ... medicamentos.

Apenas as empresas públicas/estatais e os ''fundos soberanos'' (porque são do ou são geridos pelo 'Estado' ou do/pelo 'Soberano') é que realmente podem fazer a diferença e defender o interesse público, o interesse nacional, defender o erário e o património da maioria dos cidadãos de determinada comunidade política e social.

Em cada país podem existir alguns empresários e empresas com forte sentido nacionalista, que não se deixem vergar pelo dinheiro incolor, que participam e colaboram com a colectividade em que se inserem, com prática e sentido de responsabilidade social e ambiental.
Jus lhes seja feita. Mas são poucas, muitas vezes pequenas, familiares, antiquadas...
Precisamos de mais, muitas mais, grandes pequenas ou micro-empresas e cidadãos com responsabilidade social e ambiental.

A generalidade é a da «globalização» e da transferência electrónica em bolsas ou inter-bancos (entre contas numeradas ou com nomes fictícios, escondidos em 'offshores'...), incluindo dinheiros 'ex-sujos'/'lavados' do tráfico de droga, armas, pessoas, prostituição, produtos e resíduos tóxicos, ... medicamentos.


De DD a 19 de Maio de 2009 às 14:19
Recordo só uma frase de Mário Soares dita após a assinatura do Tratado de entrada na então Comunidade Económica Europeia: "Quem (empresa) não souber vender em Madrid, Paris e Londres não conseguirá vender em Lisboa e Porto. E a nossa política económica deve asssentar em três pilares: exportar, exportar, exportar.
Essa verdade não foi aceite por Cavaco que valorizou o Escudo, dificultando as exportações, e nunca se preocupou com as exportações nem com as despesas do Estado no futuro. O resultado esteve à vista.


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