Criar um Estado, fundo ONU-estado ... ou continuado apoio a estado-falhado ?
Sismo no Haiti
Plano Marshall no Haiti. Ou a arte de criar um Estado onde ele não existe
por Gonçalo Venâncio e Filipe Paiva Cardoso, 21.01.2010, i online.
 

Director do FMI alertou para a necessidade de ser feito algo "em grande". Haverá vontade?

Arquitectado por George Marshall, secretário de Estado da Administração Truman, o plano Marshall tinha como objectivo recuperar as economias europeias arrasadas pela Segunda Guerra Mundial. Custou, a preços correntes, qualquer coisa como 130 mil milhões de dólares.
"Percebem-se as boas intenções por trás do apelo de Strauss Khan FMI) mas plano Marshall houve só um e em circunstâncias políticas e ideológicas muito particulares" aponta Paulo Gorjão, director do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança.

Depois do terramoto de dia 12, praticamente não sobraram vestígios do Estado. E as palavras de Strauss-Khan abrem a porta ao que muitos analistas já vêm como a necessidade de uma operação de 'state building'. Até porque, como a história do Haiti já mostrou, as operações de manutenção de paz de curto prazo não servem para contornar a turbulência do futuro - especialmente quando uma elite corrupta continua a reproduzir-se nas estruturas do Estado.

"É verdade que o Haiti é um estado falhado mas não me parece que mexa muito com os interesses regionais. E depois, há vários problemas que se colocam numa missão desse estilo:
quem financia? quem implementa? com que mandato?"
questiona Gorjão. Na opinião do especialista em relações internacionais, a era dourada das intervenções de 'nation' ou 'state building' terminou quando as Nações Unidas (ONU) perceberam a dificuldade em pôr um ponto final nas suas missões.
"Hoje há uma grande pressão no Conselho de Segurança para conter este tipo de compromissos. Até porque não estamos numa fase em que a comunidade internacional esteja a nadar em dinheiro." Dinheiro, muito dinheiro (mais de sete mil milhões de dólares só nos próximos cinco anos), e tempo, muito tempo. É o que é preciso para desenhar um país a partir do zero.

Entre a elite académica internacional, discute-se a criação de um "Fundo para o Haiti" a ser gerido pelo governo haitiano e pelas Nações Unidas.
As prioridades, como assinala Paul Collier - professor de economia em Oxford e conselheiro especial para o Haiti do Secretário-geral das Nações Unidas - não devem estar centradas na reconstrução imediata mas sim no lançamento dos elementos fundacionais do país. "Isto significa criar oportunidades económicas nos centros urbanos menos vulneráveis às catástrofes naturais e significa modernizar a agricultura" diz o professor citado pela "Foreign Policy". Turismo, biodiesel e agricultura são algumas das áreas onde o investimento internacional poderia garantir a sobrevivência do Haiti no longo prazo.
De um Haiti independente e soberano. "Essa é outra questão importante quando se fala numa operação de 'nation building':
já por acaso alguém perguntou aos haitianos se eles estão interessados nisso?" remata Paulo Gorjão. Exemplos do passado mostram como as intervenções das Nações Unidas provocaram grandes choques entre a comunidade internacional e as lideranças políticas domésticas.


Publicado por Xa2 às 00:05 de 23.01.10 | link do post | comentar |

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