Corrupção em Portugal e na Alemanha

 

            Na revista alemã “Der Spiegel” Nr. 4, que saiu hoje, aparece um interessante artigo sobre corrupção na Alemanha em que o termo é alterado para “Beziehungen”, relações.

            Depois de ler artigo cheguei à conclusão que a diferença entre a Alemanha e Portugal no que respeita à corrupção é que esta é legal na Alemanha e ilegal em Portugal.

            Os grandes capitalistas e respectivas associações podem financiar livremente os partidos políticos com verbas que são declaradas nas respectivas contas após o fecho do ano e, como tal, comprarem leis. O problema é quando dois grupos compram leis contraditórias. Assim, os interesses ligados às velhas centrais nucleares financiaram os democratas cristãos e liberais em vários milhões de euros para continuarem a funcionar e para que o grupo “Solarworld” da energia fotovoltaíca veja reduzidos os subsídios que estiveram previstos antes das últimas eleições.

            No primeiro esboço de acordo dos liberais estava prevista a redução em 30% dos referidos subsídios, mas, entretanto, o senhor Frank Asbeck deu uma festa gigante para a qual convidou os principais políticos do Partido Liberal e aí foi recolhida para o partido uma soma recorde na história alemã, segundo o próprio tesoureiro do partido, e no novo acordo de coligação já só é falado em diálogo com o sector energético solar e nada sobre reduções. Em compensação há mais apoios para o nuclear e decidiu-se deixar funcionar as centrais mais velhas e perigosas por mais dez anos. Estas centrais são altamente lucrativas por estarem amortizadas.

            O rei da hotelaria na Alemanha, o Barão August von Finck da Holding “Substantia AG” ofereceu 850 mil euros ao partido liberal e já conseguiu com isso uma redução do IVA na hotelaria.

            A accionista maioritária da BMW, Joana Quandt, fez uma oferta recente de 150.000 euros, como tem feito antes, e conseguiu que o seu donativo tivesse por escrito uma contrapartida no “Diário Federal Alemão” (Diário do Governo) sob a forma de uma redução nos impostos a pagar pelos carros de empresa e carros de empregados fornecidos pelas empresas. A BMW tem sido muito generosa para com os políticos, aos quais oferece carros de topo de gama, concorrendo com a Mercedes que também procura oferecer as suas maiores limousines a membros de governos regionais e nacional ou vendê-las ao preço limite de lei que daria apenas para um C 250. Na Alemanha, um Mercedes 600 oferecido a um presidente regional ou chanceler é considerado “publicidade”, não corrupção.

            Um grande construtor de máquinas tuneladoras ofereceu uma importante verba ao partido da Sra. Angela Merkel para que não seja cancelado o projecto de fazer com que o comboio atravesse em túnel a cidade de Frankfurt e a estação central seja subterrânea.

            Ao contrário do que acontece noutros países, na Alemanha as empresas podem financiar os partidos e contabilizar como despesa do tipo mecenato.

            O mesmo não acontece nos EUA em que as dádivas das empresas são proibidas, mas o “Bank of América” e outras empresas resolveram o problema ao fazerem “colectas” entre os seus funcionários que atingiram dezenas de milhões de dólares, tendo os ditos funcionários recebido como prémio anual a quantia que “generosamente” ofereceram aos políticos.

            Escreve ainda o “Der Spiegel” que o fabricante norte-americano de mísseis “Raytheon” entregou uma importante verba a um “Atlantic Council” que convida deputados alemães e paga generosos presentes para aprovarem a proposta dos democratas-ditos cristãos de modernização dos mísseis anti-aéreos das forças armadas alemãs.

            Enfim, quando se conhece algo de um país sabe-se como a crise de valores e económica é geral.

            Portugal atrasou-se na Revolução Industrial por não ter carvão nem aço, o que não aconteceu com a Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Inglaterra, etc. Além disso, o projecto imperialista português foi concretizado antes de todos os europeus, nos tempos da madeira, pelo que Portugal não necessitou de uma indústria de guerra como a Alemã que só na II. Guerra Mundial empregou 17 milhões de escravos, os chamados “Zwangsarbeiter” ou “Trabalhadores Forçados”.

            Não critiquem Portugal só porque não sabem o que se passa e passou noutros países.

           

 



Publicado por DD às 20:34 de 25.01.10 | link do post | comentar |

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Novembro 2019

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO