De Izanagi a 26 de Janeiro de 2010 às 18:20
Quando ainda ingenuamente pensava que vivia num estado de direito, não via inconvenientes em que os particulares (pessoas singulares ou colectivas) também financiassem os partidos. Quando tomei consciência que estava enganado quanto ao estado de direito, passei a defender um financiamento exclusivamente público, com a única excepção das quotas dos militantes, que pelo seu valor, meramente simbólico, não têm qualquer relevo nas receitas dos partidos.
O problema não está na fonte do financiamento, mas sim, na inoperacionalidade do sistema judicial. Veja-se, o Madoffjá está preso e o património que detinha foi-lhe retirado para a massa falida. Em Portugal, dos responsáveis pelas falências financeiras apenas um está detido e a residir, imagino que numa sumptuosa casa e um deles ainda se dá ao luxo de afirmar que vai processar (não sei quem, talvez os incautos dos clientes). E o problema não está apenas no deficiente desempenho da justiça (há que realçar que me Processo Penal, só é lenta com arguidos endinheirados, já que com os demais funciona em tempo útil) mas também na moldura penal, que convida ao crime. Não há muitos anos, num dos raros processos crime de “inside trading” o condenado foi obrigado a pagar uma quantia muito inferior ao lucro conhecido que obteve. O crime compensa.
Dizer-se que a culpa é dos políticos também é falso, porque os políticos são eleitos pelos cidadãos e como diz o ditado: á primeira todos caem, á segunda cai quem quer e á terceira…) o problema está nos cidadãos que continuam a votar nos partidos que os enganam e exploram, sem experimentar outros.
Regressando ao financiamento dos partidos, os mesmos poderiam ser financiados por particulares, desde que o financiamento fosse transparente e sem contrapartidas directas para os financiadores e se isso não fosse observado, duras sanções para quem violasse esse princípio. Como no quadro actual do nosso “estado democrático” é impossível, defendo, tal como DD, uma financiamento exclusivamente público.


De DD a 26 de Janeiro de 2010 às 19:57
Não confundamos o caso Madox com qualquer outro. O Madox confessou o crime e mostrou como fazia, pelo que não houve necessidade de qualquer investigação e o homem não disfarçou nada, recebia dinheiro como aplicações e utilizava-o para o pagamento de juros elevados. Enquanto as entradas eram superiores às saídas, a situação ia correndo bem, mas com a crise os depositantes começaram a querer resgatar o dinheiro aplicado e não havia mais. De resto, os bancos também não têm o suficiente para pagar uma corrida de todos os depositantes aos bancos. Segurança? Só com as notas metidas num buraco secreto no chão da casa a de banho.

A sentença contra Madox de prisão perpétua foi extremamente injusta por exagerada e o dinheiro que não resgatou foi muito menos que os milhões anunciados, pois a maior parte das aplicações eram de longa data e os detentores tinham recebido em altos juros grande parte ou mesmo mais que o capital investido.

Os verdadeiros prejudicados foram os últimos a entrar no sistema, mas foram bem pouco, pois a partir da falência da Eon , há dois ou três anos atrás , as aplicações começaram a diminuir e Madox até disse que se sentia aliviado por aquilo ter terminado. Claro , se o homem colocasse todo o dinheiro num carrossel de offshores " e dissesse que tinha perdido por falência do banco A, B, C, D, etc., a investigação seria complicada e, talvez, ainda não tivesse sido condenado.

Os juízes americanos aplicaram uma pena tão grave no calor da crise e estava como toda a gente nos EUA com a cabeça perdida. Hoje, talvez fossem mais comedidos.

Eu traduzi o artigo do "Der Spiegel " para mostrar que na Alemanha há muita corrupção como em toda a parte.

O Caso Schreiber das comissões pagas a Helmut Kohl pela Airbus que passaram pelo Canadá para disfarçar está em processo há ONZE ANOS na justiça alemã e ninguém sabe porquê. Se pegasse em revistas "Der Spiegel " antigas podia escrever sobre muitos casos de atrasos na justiça e corrupção verificados na Alemanha e em muitos países europeus. Até podia falar dos blindados estanques a químicos e radioactividade que Kohl vendeu a um intermediário e amigo na Suíça para serem revendidos aos árabes e americanos na I. Guerra do Golfo. Eram blindados de reserva do exército alemão e foram vendidos por metade do preço da revenda. Kohl tinha tanto dinheiro num banco suíço que este até o nomeou administrador quando deixou de ser chanceler.

Nós, os portugueses não somos santinhos, mas os outros também não. Parem lá com isso de dizer sempre mal do que está cá só porque não sabem o que se passa lá fora.


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