Esquerda e direita nas opções orçamentais
Curioso o debate sobre o orçamento na TV 1. Já não se discutiu se o défice era grande ou pequeno. O défice vai ficar igual, menos uns pós simbólicos. A direita, contra tudo o que tem dito do despesismo, cala e consente. Fica mal no retrato. Perde a face. Estamos sempre a ser surpreendidos: o que ontem parecia impossível, deixa de o ser da noite para o dia.

Mesmo assim ficou claro que há critérios para distinguir entre esquerda e direita nas questões orçamentais: antes do mais os critérios de repartição (na receita e na despesa). Decência: é o que vai faltar no orçamento da convergência à direita. E não tinha de ser assim porque a decência ajudava muito. Até a reduzir o défice.

  



Publicado por Xa2 às 00:06 de 27.01.10 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Alguém gosta deste OE ? a 28 de Janeiro de 2010 às 15:06
Alguém gosta deste Orçamento do Estado?
por Filipe Paiva Cardoso, em 28 de Janeiro de 2010, ionline

Teixeira dos Santos pediu ontem o "benefício da dúvida", mas cinco anos depois de tomarem conta do país a lua-de-mel já passou há muito

Empresários, sindicados e agências de rating têm algo em comum: não gostam do Orçamento do Estado para 2010. Uns porque congela salários e destrói reformas antecipadas. Outros porque aumenta impostos ou porque viram o défice português saltar de 6,3% para 9,3%.

"Redução das reformas, salários congelados, perdas de regalias... Os últimos anos foram sempre em perda. É um quadro extremamente difícil para motivar as pessoas", comentou Paulo Macedo, ex-director geral dos Impostos e vice-presidente do BCP (pág. 27). O cenário português não está animador para ninguém. A economia tem potencial, mas "ninguém em Portugal consegue demonstrar que o país tem estratégia e um plano de desenvolvimento", defendeu Ricardo Salgado, presidente do BES, ontem na apresentação de resultados do banco (pág. 28).

A falta de estratégia é precisamente o sentimento nas agências de rating. "Um défice de 9,3% (...) são mais três pontos do que quando colocámos o outlook para a dívida portuguesa em negativo. É maior a probabilidade de cortar o rating do que o contrário", avançou Douglas Renwick, da Fitch. Uma análise para levar a sério, mas não demasiado. "Não se pode negligenciar as reacções internacionais, mas não daria demasiada relevância a estas mais a quente", comenta ao i Pedro Gonçalves, líder da Soares da Costa.

Já Carlos Martins, da Martifer, manifesta-se preocupado: "Se o rating baixar, a nossa competitividade fica comprometida". Contudo, o que assusta é que os próximos anos serão mais difíceis.

"Os esforços necessários ao reequilíbrio das finanças recairão em 2011/2013, (...) [e] só serão possíveis mediante a aplicação de medidas drásticas", é a opinião das associações Industrial e Empresarial (AIP e AEP). Portugal tem três anos para chegar a um défice de 3%.

Medidas Taxar os banqueiros? "Isso é um fait-divers sem relevância para as pessoas. Os bancos não são um problema para os portugueses, problema real é acordarem um dia num país insolvente", dispara o presidente do grupo Leia, Miguel Pais do Amaral. Já no sector bancário o sentimento é de injustiça. "Tenho pena que tenhamos sido postos todos no mesmo saco. Os bancos portugueses tiveram um comportamento espectacular nesta crise", defende Ricardo Salgado.

Outra novidade do orçamento passou pelo IRC. Antes as empresas podiam reduzir até 40% do lucro tributável, agora só poderão até 25%. "A incidência fiscal sobre as empresas devia ser a última das medidas a tomar. O tecido empresarial português já não é muito apelativo e para ser tem que ser rentável... O enfoque está errado", garante Pais do Amaral.

Ao nível da função pública, o congelamento dos salários caiu muito mal. "Os trabalhadores vão ter que se mobilizar e impor a mudança na decisão do Governo", pré-anuncia já Carvalho da Silva. No entanto, quem sintetiza melhor o sentimento maioritário sobre o OE para 2010 acaba por ser o fiscalista Saldanha Sanches: "Foi-se para uma espécie de dieta geral, como alguém que tentasse emagrecer sem perder gordura e perdendo peso no corpo inteiro, incluindo coração." Com Sónia Cerdeira, Nuno Aguiar e Bárbara Barroso


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