2 comentários:
De Maioria 'assobia para o lado'... a 29 de Janeiro de 2010 às 09:48
A resposta errada
Li agora esta notícia do Público, sobre um pedido do PCP para que seja feita uma auditoria à Parque Escolar, empresa que assegura o grosso do programa de modernização das escolas secundárias.
Pelo que vem na notícia, o PCP questiona a falta de transparência da empresa, cujos contratos são feitos sem concurso e sem justificação, e cuja actuação não é passível de controlo parlamentar.
Ainda segundo o jornal, a deputada do PS a quem coube a resposta optou por acusar o PCP de estar a fazer mera luta partidária, aproveitando para elogiar o programa de modernização das escolas.

Eu não conheço os pormenores do funcionamento da Parque Escolar, não sei se são verdadeiras as afirmações do PCP, nem qual a motivação deste partido para esta iniciativa.
Mas ficaria muito mais descansado se a deputada da maioria enfrentasse a questão em vez de assobiar para o lado.

Não tenho dúvidas que a decisão de acelerar o programa de modernização das escolas foi uma das medidas mais acertadas do governo em 2009. Essa não é, parece-me claro, a questão relevante neste contexto.

Alguém que defende a pertinência da intervenção do Estado - ainda mais em tempos de crise - não pode ser conivente com o alimentar das suspeitas de que essa mesma intervenção serve propósitos menos claros.
Se a Parque Escolar tem um funcionamento opaco, não deveria ter.
Se o Parlamento não tem poderes para fiscalizar aquela empresa, isto é algo que deveria indignar qualquer socialista (moderno, pós-moderno ou de outra espécie que se queira).
Se estas sugestões são descabidas, então a deputada do PS deveria tê-lo dito claramente. Ao dar a resposta errada, legitimou a iniciativa do PCP.
-por Ricardo Paes Mamede em 28.1.10 Ladrões de Bicicletas


De comentários a 29 de Janeiro de 2010 às 09:51
Anónimo disse...

Mas em Portugal há alguma coisa que seja séria?...
O que se passa no nosso País é um "arrombo ao Orçamento do Estado", através de negociatas em favor de determinados "players" com grande capacidade de influência.

Mário Machaqueiro disse...

Mas o pior é que, para além da utilização suspeita de dinheiros públicos, os resultados da tão elogiada recuperação do parque escolar estão a revelar-se desastrosos, como se noticia aqui:
http://educar.wordpress.com/2010/01/24/convite-aceite/

Anónimo disse...

É verdade que no âmbito da modernização das escolas foram feitos concursos de concepção/construção mas em muitos (maioria?) dos casos não foi feito qualquer procedimento concursal.

Infelizmente isto é regra.

Rogério Pereira disse...

O seu post é oportuno. Julgo que a notícia dignifica o jornal. Mas este poderia (e deveria)ir mais longe. Contudo, nem mesmo os jornais de referência fazem jornalismo de investigação séria e sistemática. Se a imprensa, em particular os semanários que não têm a pressão do tempo, fosse mais agressiva (expressão de Engº Belmiro, hoje, na Visão) talvez estes processos fossem mais transparentes e os resultados mais eficazes. O jornalista tem várias vantagens e, neste caso, tem uma fonte: O PCP.

D., H disse...

“Se o Estado não for profundamente reformado e democratizado em breve será, agora sim, um problema sem solução”, citando Boaventura S.Santos.

A verdadeira reforma do Estado é a pedra de toque deste problema, não só pelo carácter democrático que ele deve ter, assim justificando-se, como também como garante da transparente aplicação dos fundos públicos. Afinal, deve ser o primeiro grande agente para “controlo das contas públicas”.

Os ajustes directos com os valores exorbitantes que a lei confere, como estes da Parque Escolar, são uma porta aberta para o forrobodó clientelar. Tal como o “outsourcing”, para pareceres jurídicos, e não só…
A semente também ficou por cá: corromper e esvaziar. É preciso mudar radicalmente (de vida e de agente), antes que não haja solução.

29 de Janeiro de 2010


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