Um Homem do 31 de Janeiro e a República

 

Costumo passar com alguma frequência pela Rua José Estêvão, na zona da Estefânia, pois trabalho ali perto. A rua está cheia de prédios modernos à excepção dos números 12 e 14, dois pequenos e lindíssimos edifícios de andares com fachadas de azulejos bem conservados, varandas antigas com grades rendilhadas de ferro. Estão já no fim da rua, perto da entrada para o Quartel da GNR do Cabeço de Bola.

 

Ao passar olho sempre com muita tristeza para o número 14, ainda sem qualquer placa a recordar o trágico evento da noite do 19 de Outubro de 1921. Em especial olho para o segundo andar do prédio. Não sei quem lá mora agora, mas sei que naquela noite trágica há 89 anos atrás, residia lá o almirante António Maria de Azevedo Machado dos Santos, o herói da Rotunda, o homem que após o suicídio do almirante Reis aguentou valentemente uma pequena força de revoltados militares e civis da carbonária que conseguiram, por fim, a vitória do 5 de Outubro de 1910, implantando o regime republicano em Portugal.

 

Eram duas da madrugada daquele dia 19. A Camioneta Fantasma parou à porta do 14, um grupo de marinheiros dirigidos pelo primeiro-cabo Abel Olímpio, o sinistro assassino conhecido pelo Dente de Ouro, saltaram e obrigaram o guarda nocturno a abrir a porta do prédio para subiram as escadas, batendo com as coronhas das espingardas nas paredes. Acordaram todo o prédio. Batem com força à porta do almirante, a esposa de Machado dos Santos pergunta quem é, marinheiros, respondem. Queremos o Machado dos Santos, tem de ir falar com o capitão Procópio de Freitas – ou abrem ou bombardeamos o prédio.

 

Logo de seguida disparam para a porta do almirante. Machado dos Santos abre a porta, decidido a enfrentar os energúmenos e pergunta –O que querem? Os energúmenos apontam-lhe as espingardas engatilhadas e dizem ao que vêm.

 

É de mais – protesta o almirante – vocês esquecem-se que sou vosso superior! Almirante!

 

O Dente de Ouro, sem respeito por nada e arrogante bate com a coronha da espingarda no chão e diz que vai a bem ou a mal.

 

O almirante veste-se e mete algum tabaco no bolso, enquanto a esposa, temendo o pior, grita: Ai que mo vão matar! Qual matar! Olha que ideia! – diz cinicamente o sinistro primeiro-cabo. – Nós lavamo-lo ao Arsenal a trazemo-lo já, comenta outro dos marinheiros.

 

O almirante desce e entra para a camioneta, ficando ao lado do Dente de Ouro. Esta arranca e passa pela porta de armas do quartel da GNR, cujas sentinelas assistem a tudo sem intervirem. Lá dentro estavam duas companhias de infantaria e um esquadrão de cavalaria bem armados.

 

A Camioneta Fantasma leva o terceiro membro do Governo de António Granjo para o assassinar. Governo que se tinha demitido ao fim da manhã do dia anterior, entregado o poder ao então presidente da República António José de Almeida. António Granjo e José Carlos da Maio eram já cadáveres. Ali perto, no Largo do Intendente, o veículo dos assassinos pára por avaria no motor.

 

O Dente de Ouro ordena então ao almirante – desça almirante, vai ser fuzilado. A ideia era fazerem o trabalho no Arsenal da Marinha e trazerem-no para a morgue, ali perto, junto ao Hospital de São José. Os facínoras decidem que o herói da República tinha de ser liquidado ali mesmo. Dão-lhe alguns tiros que não o matam logo. Passa um carro com o empresário de teatro Augusto Gomes, ou já lá estava. Anos depois Augusto Gomes foi envolvido no estrangulamento da sua amante, a actriz Maria Alves.

 

Os facínoras metem o moribundo no carro do Gomes e ordenam ao condutor para o levar para a morgue, seguindo alguns facínoras no mesmo. O carro pára e aparecem os maqueiros da morgue, mas o almirante ainda estrebuchava. Logo ali. Frente aos maqueiros, acabam com a vida do herói com coronhadas na cabeça e mais uns tiros.

 

Hoje, as autoridades do País discursam sobre a primeira revolta da República, o 31 de Janeiro, mas será que Cavaco e Sócrates sabiam que o assassinato de um governo inteiro e demitido foi feita na sequência de um golpe de estado dirigido por uma dos heróis do 31 de Janeiro, o então tenente Manuel Maria Coelho e, a 18 de Outubro de 1919, auto-nomeado presidente de da Junta Dirigente do Movimento Revolucionário Nacional. Nessa altura era coronel e estava em Belém na tentativa de depor o presidente da República António José de Almeida.

 

Não há provas que o coronel Coelho tenha ordenado o assassinato do ex-presidente do ministério António Grano e dos ministros comandante José Carlos da Maia e almirante Machado dos Santos, além de outros atentados, em que num deles foi ferido o Capitão Cunha Leal que não fazia parte daquele governo. Tinha ido ao Arsenal ver se salvava o Dr. António Granjo.

 

O industrial Alfredo da Silva estava na lista das pessoas a liquidar; fugiu para a Leiria, mas não deixou de ser aí alvejado a tiro, recolhendo em estado grave ao hospital. O ex-ministro de Sidónio e ex-chefe de Governo, o jornalista Tamagnini Barbosa, também esteve na lista. Um grupo de três polícias e um cabo marinheiro foi a Santo Amaro de Oeiras para assassinar o familiar de um dos nossos camaradas actuais, mas em longa discussão com o chefe da Estação foram dissuadidos de seguirem para vila, a fim de eliminarem o político. Ainda foi morto o intelectual Carlos Gentil num café do Chiado e um modesto motorista porque entrou em discussão com um dos grupos de facínoras.

 

O Ministro da Marinha, Ricardo Pais Gomes, foi procurado para ser assassinado, mas como estava em Viseu, sem que alguém soubesse, apanharam o seu chefe-de-gabinete, capitão-de-fragata Freitas da Silva conhecido pelo Coca. A ideia do o matar partiu do Palmela Arrebenta, um segundo-sargento da marinha. Com o sinaleiro da Armada José Maria Félix foi à casa do comandante Freitas da Silva que residia perto do Arsenal e trouxeram-no a pé pela Baixa, mas foram interpelados por uma viatura com soldados da GNR armados de metralhadoras, comandados pelo capitão Camilo de Oliveira que perguntou quem levavam preso. Responderam que era um oficial da marinha por ordem da Junta Revolucionária. É mentira – diz o capitão – a Junta não mandou prender ninguém. Tiveram que largar o comandante que deveria seguir no carro da GNR que o queria entregar no Arsenal, julgando que aí estaria a salvo. Antes de arrancar, o Arrebenta e o Félix gritam para os guardas que levam o Coca, enquanto aparecem outros marinheiros armados.

 

Cercada por dezenas de espingardas, o capitão Oliveira ouve a ameaça de que ou entrega o Cocas ou ficam aí todos mortos. Oliveira manda avançar o carro em direcção ao Arsenal onde julgava haver forças para o proteger, mas chovem os tiros e aos gritos ouve-se: Aí vem o Coca! Olha o Coca! Mata-se! Mata-se já! E de repente, caía no chão mais uma vítima da Noite Sangrenta.

 

Logo de seguida, os que rodeavam o cadáver do capitão-de-fragata, vêem o sargento Heitor Gilman de pistola em punho a empurrar o velho coronel Carlos António Botelho de Vasconcelos, tendo-o ido buscar à sua residência no 44 da Rua Gonçalves Crespo, em cuja vizinhança imediata residiam dois chefes do Movimento Revolucionário Nacional, Cortês dos Santos e Serrão Machado.

 

No pátio do Arsenal, o coronel tenta discutir com os seus assassinos e até oferece-lhes uma cigarreira. O sargento Heitor ainda lhe diz: Queres armar ao pingarelho? Pois reza o acto de contrição, entrega a alma ao diabo e mete a cigarreira no cu. Sabendo o que o esperava, o valente coronel dá a ordem de fogo junto ao portão do Arsenal. É trespassado por várias balas, cai no chão, mas não está morto. Da boca jorram golfadas de sangue. Os oficiais de serviço do Arsenal mandam remover o corpo e pedem à Cruz Vermelha para trazer um side-car que o levou para o Hospital de São José. Atiram o corpo do coronel para o veículo e Gilmann ainda aproveita para disparar mais tiro sobre o coronel. Os maqueiros da Cruz Vermelha cobrem-nos com a bandeira de organização humanitária, dizendo que está sobre a protecção da Cruz Vermelha, e levam-no para o Hospital onde chega ainda vivo para morrer dois dias depois num sofrimento atroz.

 

O então já ex-primeiro ministro, chefe do grupo liberal, António Granjo, demitiu-se na sequência da 25ª revolta em nove anos de República, a fim de evitar derramamento de sangue e procurou refugiar-se em caso do seu adversário política, Dr. Cunha Leal, que nada tinha a ver com o Movimento Revolucionário Nacional do coronel Coelho. Para tal seguiu pelas traseiras do seu prédio na Av. João Crisóstomo para a Av. Miguel Bombarda onde Cunha Leal, em casa, procurava festejar o aniversário da esposa. Cunha Leal recebeu logo o Dr. António Granjo, garantindo-lhe abrigo. Leal tinha amigos juntos dos nacionalistas, pelo que não esperava ser atacado e disse que sentia honrado em dar abrigo ao ex-chefe do Governo, apesar de dias antes ter querido bater-se em duelo com ele. Granjo não quis passar pelo ridículo de entrar pela porta das traseiras, pelo que foi pela porta da frente onde terá sido visto pela porteira que informou os soldados e civis armados que já andavam pelos quintais e ruas à procura do malogrado chefe do Partido Liberal.

 

Um civil acompanhado por dois GNR tentou entrar na casa de Cunha Leal pelas traseiras para levar o Granjo, mas o capitão Cunha Leal não deixou e disse que a Junta Nacional mandasse um oficial mais graduado que ele mesmo e responderia à pistola se quiser entrar em sua casa. O civil retirou-se.

 

Depois de vários telefonemas, Cunha Leal foi ao acampamento dos revoltosos na Rotunda tentar convencê-los que não tinha Granjo em sua casa e deveria levantar o respectivo cerco. Trouxe o capitão Guerra e encontrou vários oficiais que queriam levar o Granjo para o chamado couraçado Vasco da Ganha. Cunha Leal resolveu então acompanhar Vasco Granjo ao navio, julgando que a sua presença seria uma protecção suficiente. Granjo ainda deu um nota um escudo ao Zeca, o filho de Cunha Leal.

 

Cunha Leal e António Granjo sentaram-se ao lado do motorista, enquanto na caixa de carga seguia uma dezena de marinheiros. A camioneta seguiu para o Rato, a fim de não dar nas vistas, e pela Rua da Escola Politécnica, Chiado, Rua Nova do Almada e Arsenal. Ao chegarem ouviram uma vozearia assustadora: Cá vai preso o malandro! Mata-se já!

 

Cunha Leal quis proteger o corpo de António Granjo e disse que não tinha medo das balas dos marinheiros, pois também não teve das dos alemães na guerra. Separaram Granjo do Leal. Um oficial de nome Benjamim Pereira prometeu levar os dois para o Vasco da Gama onde estariam protegidos, mas meteu só o Cunha Leal com um marinheiro num bote. Ao aproximarem-se do navio, um dos sentinelas perguntou quem era o malandro que ia no bote, como o outro não respondeu, foi Cunha Leal que deu a resposta ao que o sentinela disse: Ah, é o malandro do ex-ministro das Finanças, pois toma lá uns tiros. Cunha Leal foi ferido no peito e acabou por regressar ao arsenal onde coberto de sangue encontra António Granjo que geme ao vê-lo assim e diz, tudo por causa da mim. Não pense nisso que me ofende – responde Cunha Leal. Alguns marinheiros fazem uns pensos a Cunha Leal e clamam: foi por engano, foi por engano, capitão. Levam o fogoso militar e tribuno para o hospital com os pensos desarranjados e a sangrar do pescoço e de outras feridas. O capitão Agatão Lança acompanhou Cunha Leal ao S. José e regressa rapidamente ao Arsenal para ver se salva António Granjo, mas é confrontado com triste notícia: - Mataram-no!

 

António Granjo tinha sido levado para o refeitório e um criado tentou refugiá-lo num pequeno quarto contíguo. Aí um grupo descobre-o e trá-lo para baixo. Granjo diz: sei que me querem matar!

 

Soou uma descarga. António Granjo caiu ao comprido, vertendo sangue por inúmeros ferimentos. Estava ainda nas últimas convulsões quando um clarim da GNR sacou da espada e a cravou no estômago com tal violência que atravessou o corpo e penetrou profundamente no chão. O facínora teve de pôr o pé no peito de António Granjo para retirar a espada vermelha de sangue.

 

Ainda o corpo de Granjo não chegara à morgue e já a Camioneta Fantasma saia do arsenal para no Rossio receber ordens do tenente Mergulhão, filho do proprietário da ourivesaria do mesmo nome, para prender José Carlos da Maia, oficial de marinha que se tinha destacado no 5 de Outubro de 1910. O comando da operação foi dado ao Dente de Ouro, Abel Olimpío, morador na Rua da Bempostinha Nº 11.

 

A camioneta segue para a Rua das Janelas Verdes onde toma conhecimento que Carlos da Maia mudara-se para a Rua dos Açores. Num primeiro andar, Carlos da Maia com a esposa Berta Maia observavam o seu bebé de poucos meses a dormir. Eram onze horas da noite. Batem à porta, a esposa abre-a sem preocupações e entram alguns marinheiros e GNRs com as armas apontadas, outros tantos ocupavam o patamar e as escadas, eram uns dezoito facínoras.

Viemos buscá-lo para prestar umas declarações no Arsenal!, disseram ao prestigiado comandante Carlos da Maia.

À ordem de quem! Pergunta o comandante.

À ordem da Junta Revolucionária Nacional! respondem-lhe.

Então vão dizer ao Sr. Coronel Manuel Maria Coelho que mande um oficial da minha patente para me acompanhar!

Não pode ser! Responde o cabo marinheiro, tem de vir já. O comandante não teve alternativa, estava já agarrado pelo Dente de Ouro. A mulher, temendo o pior, implora e ajoelha-se para que lhe não levem o marido.

 

Os marinheiros queriam deixá-lo, mas o Dente de Ouro disse que era o malandro que os tinha deportado para Angola a um pataco por dia, o que era mentira, pois o Dente de Ouro nunca foi para Angola.

 

 

Ao chegarem ao Arsenal, o Dente de Ouro grita: cá está o Barbas de Chibo! É preciso liquidar este bandido. No Arsenal, a chegada de Carlos da Maia foi presenciada pelo contra-almirante Câmara Leme e o capitão-de-fragata Francisco Luís Ramos, nomeado pela Junta Revolucionária Nacional como comandante das forças do Arsenal.

 

Ao sair da camioneta, Carlos da Maia leva coronhadas de vários marinheiros, enquanto os oficiais se retiram para o interior do edifício. Carlos da Maia procura segui-los e refugiar-se na sala dos oficiais. Alguém do primeiro andar dispara uma bala de pistola que acerta em cheio no cérebro do ex-presidente do Ministério.

 

 O coronel Manuel Maria Coelho governou ainda durante um mês para ser “agraciado” com o posto de administrador da Caixa Geral de Depósitos.

 

 No decurso das sessões do Tribunal Misto Militar que pretendeu julgar os fautores de tão execráveis assassinatos, a revista Seara Nova tomou partido pelos mandantes dos facínoras que, obviamente, não actuaram de moto próprio. Eram todos honestos republicanos, a culpada era a sociedade e os males do país. Os assassinados faziam parte da campanha que a Seara Nova tinha dirigido antes contra certos republicanos.

 

Os assassinatos resultaram do facto de o Partido Liberal ter ganho as eleições de 1921, embora os Republicanos Democráticos tivessem vencido em Lisboa.

Quando se quis levar os facínoras a tribunal muitas figuras conhecidas recusaram presidir ao Tribunal Militar. Foram o almirante Silveira Moreno, o general Gomes da Costa, o vice-almirante Hipácio de Brion

  

Após os acontecimentos caiu um véu de silêncio e nada se moveu para prender os culpados. Só o livro de Berta da Maia que interrogou o Dente de Agora é que revelou tudo o que se passou, mas sendo católica, foi muito atacada pelos católicos e pelos homens que fizeram depois o 28 de Maio. O Dente de Ouro chegou a dizer a Berta Maia que reproduziu no seu livro: os responsáveis dos morticínios, os criminosos, não ele (o presidente), não são os homens da camioneta. Não! O responsável, o único responsável, é o governo saído da revolução! O do coronel Manuel Maria coelho – herói do 31 de Janeiro, enquanto jovem tenente e depois aposentado da Caixa Geral de Depósitos.

 

Escrevo isto porque sei como foi dramática a vida da I. República, tal como a das República Alemã de Weimar, República Espanhola, Monarquia Liberal italiana e Romena, República Polaca e Finlandesa, etc. no pós-guerra de 1914-1918. Comparo este episódio ao assassinato em Berlim de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht em 1919 por um tal major von Pappen.

 

A Primeira República foi recordista mundial com 45 governos entre o 5 de Outubro de 1910 e o 30 de Maio de 1926.

 

Não foi muito diferente do liberalismo monárquico com mudanças frequentes de governo e ditaduras intermédias.

 

Por conhecer a história difícil do estabelecimento das liberdades em muitos países de que só a imensa tragédia da guerra de 1939-1945 conseguiu levar os políticos a aprenderem alguma coisa é que eu não me deixo escandalizar por tantas questiúnculas de reduzido valor que enchem este nosso blogue e esta nossa democracia que gostava que continuasse estável e progressista como tem sido.



Publicado por DD às 20:59 de 31.01.10 | link do post | comentar |

7 comentários:
De Jsé Duarte a 20 de Dezembro de 2014 às 06:35
Excelente trabalho,mas as declarações feitas pelo Abel Olimpio,que constam do livro de D.Berta da Maia,não batem certas com as que li neste artigo.E tenho aqui á mão a 2ªedição aumentada do livro,datada de 1929.


De Ensinamentos a 2 de Fevereiro de 2010 às 09:27
O que se passa neste blog, LUMINÁRIA, como em alguns outros é bem ilustrativo do que deveria ser a democracia participada.

Este post , os comentários e outros postes aqui publicados, consagrantes da liberdade de escrever, deveriam constituir ensinamento a muitos responsáveis políticos , que mais não se têm preocupado além de "negócios " de ocupação de lugares que, afinal não conseguem ocupar , prejudicando com isso a democracia e a vida partidária.

Os que se demitem acabam, sem o assumir, por ser coniventes com tais situações.


De DD a 1 de Fevereiro de 2010 às 20:23
O blog do José Brandão é o seguinte:
http://www.aventar.eu/tag/jose-brandao/


Neste blog pode ler-se mais sobre este assunto e sobre a República com várias fotos.


De DD a 1 de Fevereiro de 2010 às 20:14
Para não tornar o artigo ainda mais longo faltou descrever o que aconteceu aos intervenientes. Foi formado um Tribunal Militar de Santa Clara que antes se chamou Tribunal Misto Territorial e de Marinha. Presidia o tribunal o general José Alves Camacho, tendo como auditor o Dr. José Ribeiro Castanho e como promotor de justiça o general António Óscar Fragoso Carmona. Os principais oficiais, incluindo o coronel Coelho foram presos com acusações iam entre serem mandantes dos crimes ou testemunhas que nada fizeram para os evitar. Logo na primeira sessão foi declarado inocente o tenente-coronel Marreiros, antigo director da Polícia de Segurança do Estado, apesar de se saber que esta polícia sabia do que se estava a passar e nada fez para evitar. Cunha Leal acusou e foi provado que o major Almeida Arez esteve frente à camioneta quando para lá levaram António Granjo, de mãos nas algibeiras nada disse e nada fez, mas foi absolvido. O comandante do Arsenal capitão-de-fragata Luís Ramos também foi absolvido, apesar de nada ter comandado e nada ter feito para evitar os hediondos crimes que tanto envergonharam a Pátria quando relatados na imprensa estrangeira.
O tribunal constituído em Fevereiro de 1923, absolveu todos os oficiais em Junho do mesmo ano e condenou apenas a arraia miúda, ou seja: O Abel Olímpio (Dente de Ouro), o Heitor Gilman e o José Carlos a 10 anos de prisão, o Matias Carvalho, Palmela Arrebenta, José Maria Félix e Acácia Ferreira a 8 anos de prisão. O Benjamim Pereira a 1 ano de prisão, dada como expiada. Muitos dos outros marinheiros e soldados da GNR como Manuel Aprígio , Baltasar Freitas, Manuel Costa Coutinho, Cipriano Santo, Manuel Combro, António Fonseca, João Domingos dos Santos e José Batista foram absolvidos e vieram para fora gabar-se de ter dado tiros naqueles malandros republicanos.

Berta da Maia passou anos a visitar o Dente de Ouro na prisão em Coimbra para sacar dele a verdade sobre quem mandou matar o marido e os outros republicanos liberais e escreveu um livro que Salazar chegou a mandar apreender.

O Dente de Ouro confessou, por fim, que foi o padre Lima que deu dinheiro, mais de 100 contos, ao conjunto de marinheiros e soldados para fazerem o trabalho e isto na redacção do jornal católico A Voz e também confessou que foi o tenente Mergulhão que lhe arranjou a camioneta com o depósito cheio e uma lata com mais gasolina de reserva. Claro, o tenente Mergulhão foi dos primeiros a ser absolvido, o promotor Carmona nem lhe perguntou de onde veio a camioneta.

Enfim, temos muito que aprender com a República para evitar cenas destas e não tenho dúvidas que se Portugal não estivesse na União Europeia e na Nato, os militares não mandavam as esposas passear frente à casa do primeiro-ministro , nem os polícias iam lá largar os bonés. Há muito que Sócrates estaria crivado de balas de G3 ou das novas Kalashnikovs Galil israelitas que equipam alguma unidade do nosso exército e, provavelmente, teríamos assistido a cenas de combates violentas entre militares democráticos e antidemocráticos e nestes, entre comunistas e fascistas.


Todas as informações dadas no post vêm dos livros do nosso camara José Brandão, ex-sindicalista e ex-membro da comissão nacional e grande historiador da República e do Liberalismo, intitulados "A Noite Sangrenta" e "Carbonária - O Exército Secreto da República".

Também colhi informações no livro J. Freire Antunes "A Desgraça da República na Ponta das Baionetas" com alguns erros, tal como no livro de Douglas Wheeler "História Política de Portugal, 1910-1926" e na "História da I. República Portuguesa de Oliveira Marques.

O nosso camarada César de Oliveira também escrevu umas coisas na sua obra "A Preparação do 28 de Maio".


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 1 de Fevereiro de 2010 às 17:54
Todas as verdades podem e devem ser ditas.
E as mentiras também.
Nada nem ningém é perfeito, logo todu e todos têm coisas que podem não ser muito lisonjeiras.
Mas tudo tem de ser visto à época.
E ainda, é preferível uma má solução/atitude, do que nenhuma.
E só os inoportunos e descontentes criam a mudança.
Muito bem DD.


De Pontos de Vista a 1 de Fevereiro de 2010 às 17:14
Este DD ainda corre o risco de ser excomungado do partido que, segundo parece, ajudou a fundar . É que há certas verdades a não dever ser ditas...


De bom apontamento a 1 de Fevereiro de 2010 às 12:47
Excelente apontamento histórico , pena é ser tão longo

A républica é um regime ziguezaguiante cheio de contradições


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO