CELEBRAR FALHANÇOS

 

Por muito que me esforce, não consigo compreender a azáfama das comemorações do centenário da República nem as largas somas de dinheiro colocadas à disposição da respectiva comissão. A República não é propriamente um regime de sucesso – a balbúrdia da Primeira República conduziu à ditadura e os 36 anos posteriores ao 25 de Abril falharam em grande escala dois dos três ideais republicanos: a Justiça e a Educação; apenas a Saúde apresenta indicadores razoáveis. O não funcionamento da Justiça em Portugal – desde a investigação até aos Tribunais – mostra como o Estado não se preocupa de facto com os cidadãos. Esta República criou um país onde os crimes ficam sem castigo, onde os boatos se perpetuam, onde os julgamentos se arrastam para além do admissível. Por estas e por outras é que não é de admirar que apareçam no YouTube gravações de escutas – basta ouvi-las para se ficar um pouco surpreendido com o desfecho de alguns processos e as conclusões de alguns tribunais.
 
Torná-las públicas tem a vantagem de ajudar a perceber melhor aquilo que se quer tapar. Na Educação, o falhanço do sistema é total – desarticulado o ensino técnico, transformadas as universidades em fábricas de diplomas para desempregados, o ensino não estimula a ligação da teoria à prática e pouco incentiva a ligação das escolas às empresas.
 
O abandono escolar, o desajustamento do conteúdo de muitos cursos, a caótica situação do financiamento do Ensino Superior, as permanentes confusões em torno do Ensino Secundário, fazem da República portuguesa um triste exemplo de criadora de gerações pouco qualificadas.
 
Os republicanos de há 100 anos diziam querer promover a igualdade em torno do acesso dos cidadãos à Saúde, à Educação e à Justiça. Não é preciso ser visionário para perceber como estamos longe dos objectivos, não é preciso ser muito exigente para perceber que meio país anda enrolado em comemorações de um regime consideravelmente falhado – e nem digo nada da pouca vergonha da política que por aí se faz
 
Metro


Publicado por Izanagi às 14:24 de 03.02.10 | link do post | comentar |

2 comentários:
De citador a 4 de Fevereiro de 2010 às 14:02
"O povo completo é aquele que consegue reunir dentro de si, todas as qualidades e todos os defeito. Coragem, portugueses, só vos faltam as qualidades"
José de Almada Negreiros


De DD a 3 de Fevereiro de 2010 às 22:12
A República deve ser recordada por nós, socialistas e democratas, como aquilo que não pode e não deve acontecer na actual democracia.
Os partidos portugueses continuam com grande dificuldade em coligarem-se para formar governos multipartidários estáveis como acontece em quase toda a Europa. Temos aqui ainda muito que aprender e não nos podemos deixar enredar em conflitos nem sujeitar os contribuintes às chantagens de uns e outros.
Nunca é o Estado que paga, são sempre os CONTRIBUINTES que somos todos nós.
Não devemos esquecer que os fabulosos lucros da banca de cinco milhões de euros por dia significam menos de 50 cêntimos por cada português e nesses lucros também estão incluídos os da Caixa Geral de Depósitos que é dos contribuintes (Estado).


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