
A liberdade de informação está cada vez mais em perigo em Portugal; praticamente vivemos num país de informação próforma devido a uma cada vez maior falta de receptores de informação.
Efectivamente, todos os dias tomo o metro do Lumiar para as Picoas por voltas das nove horas. Pois posso garantir que não devo ver mais que uma a duas pessoas por semana a lerem um jornal pago e geralmente trata-se um jornal desportivo.
Há uns tempos atrás, quase toda a gente lia no Metro um jornal gratuito, por isso quando eu entrava o local dos jornais Metro estava vazio. Ultimamente continua lá uma pilha de jornais e reparo que menos pessoas lêem esse ou outro jornal gratuito. Quando chego à estação das Picoas verifico aí que a maioria das pessoas não gostou do jornal e deitou-o para o chão e alguns mais civilizados encheram já o local para os papéis.
Seguidamente passo por dois quiosques com todos os jornais muito bem arrumado, dou uma vista de olhos pelos títulos de caixa alta e só vejo ataques ao Governo e a Portugal, pelo que faço como toda a gente à minha volta e não compro nenhum. De resto, os quiosques vendem cada mais bugigangas e menos a imprensa escrita.
Ao fim da tarde, passo pelos mesmos quiosques e lá vejo os montes de jornais e ninguém a comprar. O papel informativo não se vende e já pouco é lido quando gratuito. Algo vai mesmo muito mal na imprensa escrita. Os jornais perdem leitores e dinheiro.
No café e restaurante onde tomo a bica estão lá sempre dois televisores. Verifico de manhã que ninguém olha para os mesmos e durante o almoço na sala dos fundos, muito bem aquecida, o televisor é para o boneco. Ninguém presta atenção ao mesmo. Como conheço lá muita gente, às vezes tento falar de política e dizem-me: por favor, fale de tudo menos de política, não queremos saber disso para nada. Quem me disse isso ainda hoje até foram uns serralheiros de uma oficina que é deles e até têm feito trabalhos para a sede do PS, etc. Toda a gente critica as televisões e confessa-se farta de ouvir e ver os mesmos comentadores, os mesmos economistas, juristas e "génios" a dizerem sempre o mesmo nos mesmos programas com os mesmos jornalistas, isto ano e anos a fio.
Um estudo recente diz que os jovens não vêem televisão e só sabem alguma coisa através da Net, mas, mesmo assim, não se interessam pelas muitas meias notícias sem seguimento, acusações, intrigas e a constante afirmação de que Portugal está em último lugar disto e daquilo e, mesmo, pior que a Grécia.
Enfim, o jornalismo português vive cada vez mais amordaçado, não pelo que pode falar e dizer, entre meias verdades e mentiras, mas porque o consumidor é cada vez em menor número. Não vale a pena anunciar nos jornais e na televisão porque não se vende mais. Os grandes anunciantes como os supermercados, lojas de informática, móveis, etc. recorrem à publicidade directa colocada nas caixas do correio por considerarem isso mais eficaz que a publicidade nos jornais e na televisão. A rádio ainda vai sendo ouvida porque sempre é uma distracção enquanto se conduz, mas em casa ou no trabalho ouve-se muito pouco, apesar de ser um meio que permite fazer outra coisa enquanto se ouve.
Fala-se muito que a PT quis comprar a SIC por iniciativa de Sócrates. A verdade é que o Estado tem umas “golden shares” que permitem bloquear algumas decisões, mas não tem a maioria das acções para decidir grandes investimento. Para isso as tais “golden share” estatutariamente de nada servem. Fundamentalmente, a PT é uma empresa privada interessada em fornecer aos seus cliente o pacote completo de telefone, net e televisão, não se interessando pelos conteúdos que são cada vez mais produzidos pelos próprios clientes.
Mas, o curioso é que a PT reparou subitamente que a televisão já não é negócio e entregou a licença da Televisão Digital Terrestre pela qual deu uns bons milhões de caução e quer o dinheiro de volta, o que está a criar um problema ao Teixeira dos Santos. A União Europeia tinha decidiu que a partir de 2012 toda a televisão deveria ser digital, o que não vai acontecer porque não há interessados. Consta que o segundo detentor de uma licença também quer prescindir da mesma.
Os detentores das licenças de TDT poderiam abrir novas estações e dedicarem-se a todo o tipo de conteúdos e há espaço em termos de frequências até para novas estações recebidas por antenas, mas a falta de clientes implica a falta de meios financeiros para os necessários investimentos.
O mesmo está a acontecer com a Rádio de Alta Definição, dita HDR. Apenas a RDP emite em HDR, mas não há receptores à venda. Na Alemanha e noutros países europeus, todos os carros são vendidos com rádios HDR que possuem outras funcionalidades para além da audição rádio, mas em Portugal não há qualquer interesse por parte das restantes emissoras que não têm publicidade suficiente para arcarem com os custos acrescidos do novo equipamento de emissão.
Enfim, eu, como centenas de milhares de portugueses, estou a matar a liberdade de imprensa e atentar contra o Estado de Direito por não adquirir meios de informação. E, apesar de minha idade, sou como muitos jovens que só aceitam aquilo em que podem participar e dar as suas opiniões. A sociedade globalizada está a tornar-se no equivalente da “Ecclesia” da Grécia Antiga, ou seja, da Assembleia de Cidadãos, em que não falavam apenas os arautos e os demagogos, mas sim todos os cidadãos e quem não podia falar também não lhe interessava ouvir.
Para serem ouvidos, jornalistas, políticos e até magistrados inventam notícias, lançam calúnias e suspeitas e o povo está cansado de toda essa porcaria.
No caso Freeport, a magistrada licenciada Cândida de Almeida mais os outros dois licenciados que falsamente se tratam por doutores (sem doutoramento) receberam sete mil perícias inglesas e portuguesas e em nenhuma delas vem qualquer ligação a Sócrates ou a um seu familiar ou pessoa susceptível de ser relacionada com ele em termos de pagamentos de comissões, etc. O licenciamento não está ferido de qualquer ilegalidade e se estivesse seria também da responsabilidade do ministro do ambiente que sucedeu a Sócrates muito antes de iniciadas as obras de construção, portanto a tempo de ser cancelado.
O engenheiro Smith diz que deu dinheiro durante mais de um ano após a aprovação do “outlet” a um secretário de um ministro do Ambiente que não era Sócrates, como é evidente. Entretanto, Smith já desmentiu e afirmou que estava a mentir a um solicitador privado, relativamente ao qual não tinha nenhuma obrigação de dizer a verdade, o qual gravou a conversa sem avisar o engenheiro escocês.
Portanto, morto o caso Freeport há que inventar algo de novo contra Sócrates.
Recordo que acusaram Sócrates de ter falsamente assinado projectos de engenharia de construção de habitações. Perguntaram aos proprietários das casas e ninguém sabia que Sócrates teria feitos os cálculos de engenharia das mesmas.
Na verdade, vivi sempre em Lisboa e em vários prédios e nunca tive conhecimento do nome do engenheiro ou, mesmo, do arquitecto dos prédios em causa e até nem eram maus de todo ou pequenos. O actual tem oito andares e 24 apartamentos, mas só sei o nome do construtor que me vendeu a habitação. Acontece o mesmo com quase toda a gente a quem pergunto quem foi o engenheiro do prédio em que habita.
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