Sucatas

 

 

            O Correio da Manhã veio hoje a dizer que no inquérito dos procuradores e juiz de instrução de Aveiro foi detectada a entrega de cheques no valor de 72 mil euros a Santana Lopes para apoiar a sua candidatura à CML por parte do empresário da sucata, Sr. Godinho.

            Verbas deste nível destinam-se geralmente a corromper políticos, ou seja, obter favores de elevadíssimo valor. Sucede que o Sr. Godinho trabalha com sucatas e, por aquilo que vem dito de Aveiro, como sendo dinheiro entregue a administradores, encarregados, directores, políticos, incluindo oferta automóveis de alta gama, estaríamos já na ordem de um valor muito superior a meio milhão de euros.

            Mas alguém é tão estúpido para acreditar que o negócio da sucata envolve verbas que permitam ofertas desse valor? Será que o procurador ou juiz de Aveiro julga que ninguém sabe o que é sucata?

            A sucata limpa de um só material como alumínio, ferro e cobre vale entre cinco a sete cêntimos por kg, mas só a vendem empresas que desmontaram equipamentos ou descarnaram fios ou cabos eléctricos ou então fábricas metalúrgicas que vendem os restos dos cortes de peças para varandas, janelas, etc. Na generalidade, a sucata não vale mais que um a dois cêntimos por kg, pelo que aquele valor corresponde a umas 30 mil ou mais toneladas de sucata. As luvas ou comissões políticas correspondem em geral a 2 a 3% do valor do objecto, pelo que luvas de meio milhão de euros corresponderiam bem a um milhão e quinhentos mil toneladas de sucata. Alguém está a ver a REN e a CP mais a CML, a PT e sei lá que empresas mais a produzirem tanta sucata e o Sr. Godinho a comprá-la a um preço inferior ao do mercado, portanto meio cêntimo por kg? A única grande fonte de sucata é o parque automóvel de quase seis milhões de viaturas, das quais cerca de  99% pertence a privados

            A CML recolhe resíduos sólidos que não têm valor como frigoríficos, fogões, máquinas de lavar, mobílias velhas, etc. e os enterra como fez no Vale do Forno ou entrega a sucateiros que pouco fazem com isso pois a indústria portuguesa de sucata está limitada aos automóveis e à transacção da tal sucata limpa. Mesmo um automóvel dá muito trabalho a transformar em sucata, pois a Siderurgia Nacional comprava, não sei se ainda compra, carroçarias comprimidas em pacotes de automóveis e para os fazer tem de se tirar o motor, os diferenciais, as suspensões, as partes de plástico, o interior, etc.

            Não vejo pois que a sucata vendida pela CML, PT, REN, CP, etc. tenha assim tanto valor para se pagarem luvas de montantes tão elevados. Até porque o material circulante do Metro ou da CP, os cabos de alta tensão, os transformadores, etc. duram muito tempo, pelo que não originam toneladas de sucata por ano e essas empresas só têm sucata pura resultante de pequenas reparações feitas nas suas oficinas, montagens, etc., o que é ainda menos.

            A minha interpretação é que há ali uma conspiração de elementos do PSD para derrubarem o Sócrates e derrotarem o PS e que estão também contra o Santana Lopes para evitar que também ele se candidate a presidente do PSD. Recordemos que foi Santana Lopes que recolheu assinaturas para se fazer em breve um congresso partidário. Certamente que o fez para ser mais um candidato. Bom ou mau? Mas isso não é da conta do juiz de Aveiro.

            Claro, também pode ser tudo invenção de jornalistas com os mesmos fins. Mas, nesse caso, o tribunal de Aveiro tem a obrigação moral para consigo e para com os visados de fazer uma declaração formal a dizer o que é verdade e não é. Não pode ser imputado um certo comportamento a uma dada instância judicial sem que esta venha a público repor a sua verdade e defender a sua honra, porque isto tudo põe em causa a honorabilidade dos procuradores e juízes de Aveiro. Se continuarem sem dar explicações, os portugueses têm o direito a admitir que há manobras de bastidores e estratégias capciosas com fins politiqueiros no Tribunal de Aveiro.

 

            Repare-se nesta diferença de atitudes da justiça portuguesa. A licenciada Cândida de Almeida diz que na operação Furacão foram detectadas cerca de 500 empresas que fugiram ao fisco com facturas falsas, transacções com offshores, etc. e vão dar origem a 13 processos. Mas, até agora não se conhece um só nome de uma dessas 500 empresas e dos seus empresários. O segredo de justiça foi aqui rigorosamente observado.

            Porquê?

            A meu ver, pela simples razão de que nenhum dos empresários é ministro ou foi ministro ou secretário de Estado de qualquer governo e nem sequer deputado.

            Onde não há políticos, o segredo é bem guardado, apesar de nessas 500 empresas deve estar muita gente conhecida e, provavelmente, bancos, construtoras, supermercados, etc., só que não são políticos.

            Há uma guerra de elementos da Justiça contra a política democrática, apesar desta lhes ter proporcionado ordenados muitas vezes acima do que ganham os portugueses médios, incluindo os licenciados.

            O juiz e procurador está distorcido pela ideia que é membro de um órgão de soberania e não admite concorrência. Quer ser o senhor inimputável nas suas decisões e nas suas falcatruas com a premeditada e calculada fuga a conta-gotas ao segredo de justiça para ser o ditador no País..

 

 



Publicado por DD às 19:37 de 15.02.10 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Traficancias a 16 de Fevereiro de 2010 às 19:06
A maior de todas as sucatas é esta politica em que vivemos e o descalabro social em que o país e o mundo se encontram.

Continuamos sem ver quaisquer propostas, seria, quanto a medidas de regulação e controlo do regabofe das offshore`s e mercados financeiros.

A outra sucata, a do Godinho, decorre da sucata maior que é a corrupção, cujo maior sustentáculo é o trafico de influencias com o financiamento ilegal de partidos e campanhas eleitorais de braço dado.


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