Corrupção, carrossel jornalístico e auto-flagelação

Plano maquiavélico de pressuposto domínio de órgãos de comunicação social, faces ocultas à mistura com mal salvaguardadas escutas que se deveriam manter em segredo de justiça enquanto decorrem os respectivos processos judiciais, tudo teve, tem e continuará a ter origem em, presumíveis, actos de corrupção envolvendo tantos interesses particulares como colectivos e de financiamento dos partidos.

Certamente que, José Sócrates, pelo facto de ser líder do PS e também Primeiro-ministro de Portugal, não é louco nem, tão pouco, suicida, mesmo que só politicamente.

Contudo, é já tempo, dado que a, tão apregoada, democracia portuguesa já leva mais de 30 anos de vida, de os partidos políticos, eminentemente os pertencentes ao arco da governação, e muito particularmente o PS de debaterem internamente as vantagens e conveniências de separar o protagonista que assuma funções de Secretário-geral das do indigitado nas funções de Primeiro-ministro. A confusão de tarefas e responsabilidades adstritas a uma e a outra das funções acabam, inevitavelmente, por prejudicar ambas e por arrastamento a governabilidade do país.

As mais recentes circunstâncias e factos em torno de notícias, verdadeiras ou apócrifas, que envolvem a pessoa de José Sócrates são bastante demonstrativas dos malefícios provocados quer ao partido quer á função de primeiro responsável pela governação do país e concumitantemente da própria economia e estabilidade tanto públicas como privadas.

Pouco adiantará clamar inocência, bradar que são cometidos crimes, gritar pelo respeito do segredo de justiça se no meio de tudo isto ninguém está inocente, todos cometeram irregularidades, os tribunais não são respeitados nem são concluídos, atempadamente, os mais simples processos-crime. A justiça, simplesmente, não existe.

Vivemos uma política jornalística panfletária e de carrossel que nada aprofunda nem contribui para a resolução de qualquer situação de injustiça social ou corrupção, apenas coloca lixo sobre lixo num processo de auto-destruição e de aniquilamento da sociedade portuguesa.

O caso do “plano para dominar a comunicação social” deriva das escutas, estas resultaram do processo “Face Oculta” e este foi determinado para combater, segundo divulgação oportuna, situações de corrupção. Este dias, mais recentes, deixou de se falar de corrupção, da elevada taxa de desemprego, da pesada divida externa, do excesso de pobreza e excluídos e de tudo o mais que deveria ser preocupação de governantes de políticos, dos tribunais e dos órgãos de comunicação social.

Vivemos um processo de auto-flagelação colectiva.



Publicado por Zé Pessoa às 00:15 de 17.02.10 | link do post | comentar |

5 comentários:
De ...Município privatiza ilegalmente !... a 18 de Fevereiro de 2010 às 16:00
Tribunal de Contas considera ilegal privatização de estacionamento

O Tribunal de Contas reitera que a venda de 30% do capital da Empresa Municipal de Estacionamento de Sintra (EMES) à empresa privada Gisparques, em 2007, foi ilegal e viola as leis da concorrência. No relatório final de auditoria enviado à câmara no final de Janeiro, os juízes afirmam que "não se pode deixar de concluir pela existência de um auxílio ilegal a favor da empresa".

Em causa estão várias decisões aprovadas pela câmara e pela Assembleia Municipal de Sintra, que permitiram a alteração dos estatutos da EPMES (na altura designava-se empresa pública) e a venda de parte do capital social à Gisparques, uma empresa integrada no grupo Emparque. Os 30% da empresa foram vendidos por 200 mil euros, cerca de 125 mil acima do valor nominal das acções. O relatório reitera as conclusões preliminares enviadas em Agosto, para exercício do contraditório, mas é mais suave com os autarcas envolvidos. Ao contrário da versão anterior, os juízes perdoam a eventual responsabilidade financeira dos vereadores e deputados.

O tribunal reforça, no entanto, as críticas a vários procedimentos, nomeadamente ao protocolo celebrado em 2007 entre a então EPMES e a Gisparques. Segundo o tribunal, a empresa municipal "carecia de legitimidade" para atribuir com efeitos retroactivos a 2006 a gestão do estacionamento junto à estação de Sintra. O negócio deu à Gisparques "uma posição preferencial face aos restantes operadores", conclui.

Outro documento considerado "ilegal" é o contrato celebrado em 2008, já pela EMES, válido por dez anos. Os juízes entendem que "o contrato de prestação de serviços de gestão e de assessoria técnica" permite à Gisparques "assumir o controlo operacional da actividade da EMES. Os juízes consideram que estas decisões "desrespeitam os princípios da legalidade e do interesse público, e violam as regras da concorrência". Na resposta, a autarquia justifica as decisões e defende que o processo foi "transparente". A câmara defende os fundamentos do negócio com a Gisparques e salienta que o contrato prevê uma cláusula de resolução caso o tribunal inviabilizasse o acordo. Para o presidente Fernando Seara, o processo decorreu com "inigualável transparência e fundamentação", pelo que "não pode verificar-se qualquer ilegalidade ou actuação passível de responsabilização sancionatória".
DN, 18.2.2010 - http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1497543&seccao=Sul


De ISTO É QUE OS DEVERIA PREOCUPAR! a 17 de Fevereiro de 2010 às 15:46
A taxa de desemprego em Portugal atingiu os 10,1% no último trimestre do ano passado, revelou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE). É o valor mais elevado desde o início das séries do desemprego que têm cerca de três décadas.

Segundo as estatísticas, no ano de 2009, a taxa de desempregados situou-se nos 9,5% com um agravamento de quase dois pontos percentuais em relação aos 7,6% registados em 2008. O agravamento do desemprego no ano passado foi a consequência da recessão, num ano em que a economia portuguesa recuou 2,7%, e tudo indica que poderá continuar a subir nos próximos meses.

O desemprego normalmente reage com algum atraso à recuperação económica e, além disso, as projecções para este ano apontam para um ritmo de crescimento fraco que não será suficiente para reduzir a taxa de desemprego de forma sustentada.


De Pressões dos agentes Económicos-fin. a 19 de Fevereiro de 2010 às 10:13
PRESSÕES

«O director do Diário Económico garantiu, na comissão parlamentar de Ética, que não tem notado que com o actual Governo haja mais pressões do que as que sempre houve com todos os outros governos de outros partidos.

António Costa acrescentou que, na sua opinião, não há “pressões legítimas ou ilegítimas, há pressões”.
Sublinhou depois que ser director “é um risco” e que é mais pressionado pelos agentes económicos, financeiros e empresariais do que pelos políticos. » [Jornal de Notícias]

Parecer do Jumento:

Começo a achar que os outros são uns merdosos!


De O Valioso Tempo dos Maduros a 17 de Fevereiro de 2010 às 09:18
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!
Mário de Andrade


De Sinais dos tempos a 17 de Fevereiro de 2010 às 08:42
Hoje de manhã, na Antena 1, alguem dizia que temos um jornalismo de patrão. Os jornalistas, sejam os jornais propriedade do Estado ou de grupos economicos, têm de escrever o que a estes interessa mais.

como a crise também chegou a esta profissão os profissionais não têm outro remedio que não seja sederem à chantagem do desemprego.

Tempos actuais, como serão os tempos futuros?


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO