Eu pago !
"Depois da Crise Financeira, vários Governos e Autoridades monetárias tomaram medidas para reforçar a transparência dos movimentos de capitais nestas regiões. Em Junho do ano passado, o Banco de Portugal (BdP) avançou com a obrigação de todas as operações com paraísos fiscais superiores a €15 mil terem que ser comunicadas ao Banco Central.

  

Neste momento, a regra ainda não está em funcionamento porque ainda não teve luz verde da Comissão Nacional de Protecção de dados, uma vez que, segundo revelava esta semana o "Diário Económico", o BdP ainda não pagou a taxa de €100 para dar andamento ao processo."
 
Expresso, 13 de Fevereiro de 2010 

«E se encerrássemos a Bolsa?»

 
As boas perguntas são as que nos fazem pensar, transportando-nos da esfera do que vemos como natural, inquestionável e imutável, para a esfera da construção, da escolha e do possível. São as que nos mostram que não temos que estar passivamente sentados a consumir sentidos únicos.
No número de Fevereiro do Le Monde diplomatique – edição portuguesa, o economista Frédéric Lordon aplica este raciocínio à Bolsa. Começa por listar os argumentos que poderiam ser usados a favor da sua manutenção para, em seguida, os descontruir e defender o seu encerramento. Com essa medida ganharia a economia e voltaria a associar-se o enriquecimento à remuneração do trabalho, defende.
  
Fica um excerto; o longo artigo de Lordon pode ser lido no número em banca:
«A Bolsa tem pois a notável característica de concentrar num único lugar a nocividade económica e a nocividade simbólica, coisa em que deveríamos ver razão bastante para encarar a possibilidade de desfechar contra ela alguns ataques sérios. Não dizemos que os argumentos aqui expostos concluem em definitivo a discussão sobre o encerramento da Bolsa, havendo seguramente muitas objecções a refutar para nos convencermos, de uma vez por todas, que se impõe juntar os gestos às palavras. Não é isso, portanto, que dizemos, mas apenas que é tempo, pelo menos, de as pessoas não se coibirem de pensar no assunto.»
 


Publicado por Xa2 às 15:07 de 17.02.10 | link do post | comentar |

1 comentário:
De crise, Economistas e Políticas a 19 de Fevereiro de 2010 às 09:56
Heresias de onde menos se espera

Já todos percebemos que ainda não foi desta que uma crise de dimensões dramáticas nos permitiu sair da era do Consenso de Washington. Pelo contrário, a correlação de forças prevalecente permitiu que os esforços para minimizar os impactos económicos e sociais da crise sirvam agora para justificar a continuação da deterioração das condições sociais e da erosão do Estado social.

Mas o tom triunfalista do discurso neoliberal parece ter sido severamente atingido. Até do economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, nos chegam sinais nesse sentido.
O indispensável e.conomia.info resume assim um recente texto do autor:
- «Blanchard defende que a taxa de inflação óptima é de 4% e não de 2% como até agora assumido pela maioria dos bancos centrais, nomeadamente o BCE;
- que o tamanho dos Estados tem de ser maior – ou pelo menos estar preparado para ser maior – para que existam melhores estabilizadores automáticos;
- que os bancos centrais têm de encontrar novos instrumentos para a missão que até agora recusaram assumir:
combater bolhas especulativas».

É bom saber que já não precisamos de andar a repetir ideias básicas (as mesmas que até há pouco eram sinais de radicalidade).
Podemos dedicar-nos a outros temas.

Publicada por Ricardo Paes Mamede em 18.2.10 , Ladrões de Bicicletas
............
E pode-se saber por que motivo não se pode discutir essa opinião?
Pode, pode.
Nós é que já não precisamos de insistir a toda a hora
- que uma taxa de inflação de 2% é deflacionista e injustificável,
- que a crença no funcionamento perfeito dos mercados de capitais é insustentável e perigosa, e
- que a existência de estabilizadores automáticos é eficiente (para além de ser uma conquista civilizacional).

Uma boa parte daqueles que se recusava sequer a discutir estas ideias passou a fazê-lo por nós.

Discutir pode-se sempre - nós nunca deixámos de o fazer, mesmo quando estávamos em imensa minoria em quase todas as frentes. Agora só estamos em muitas delas.


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