1 comentário:
De crise, Economistas e Políticas a 19 de Fevereiro de 2010 às 09:56
Heresias de onde menos se espera

Já todos percebemos que ainda não foi desta que uma crise de dimensões dramáticas nos permitiu sair da era do Consenso de Washington. Pelo contrário, a correlação de forças prevalecente permitiu que os esforços para minimizar os impactos económicos e sociais da crise sirvam agora para justificar a continuação da deterioração das condições sociais e da erosão do Estado social.

Mas o tom triunfalista do discurso neoliberal parece ter sido severamente atingido. Até do economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, nos chegam sinais nesse sentido.
O indispensável e.conomia.info resume assim um recente texto do autor:
- «Blanchard defende que a taxa de inflação óptima é de 4% e não de 2% como até agora assumido pela maioria dos bancos centrais, nomeadamente o BCE;
- que o tamanho dos Estados tem de ser maior – ou pelo menos estar preparado para ser maior – para que existam melhores estabilizadores automáticos;
- que os bancos centrais têm de encontrar novos instrumentos para a missão que até agora recusaram assumir:
combater bolhas especulativas».

É bom saber que já não precisamos de andar a repetir ideias básicas (as mesmas que até há pouco eram sinais de radicalidade).
Podemos dedicar-nos a outros temas.

Publicada por Ricardo Paes Mamede em 18.2.10 , Ladrões de Bicicletas
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E pode-se saber por que motivo não se pode discutir essa opinião?
Pode, pode.
Nós é que já não precisamos de insistir a toda a hora
- que uma taxa de inflação de 2% é deflacionista e injustificável,
- que a crença no funcionamento perfeito dos mercados de capitais é insustentável e perigosa, e
- que a existência de estabilizadores automáticos é eficiente (para além de ser uma conquista civilizacional).

Uma boa parte daqueles que se recusava sequer a discutir estas ideias passou a fazê-lo por nós.

Discutir pode-se sempre - nós nunca deixámos de o fazer, mesmo quando estávamos em imensa minoria em quase todas as frentes. Agora só estamos em muitas delas.


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