4 comentários:
De Política e politiqueiros a manipular... a 19 de Fevereiro de 2010 às 09:35
O ressentimento é a tragédia da esquerda

Há cinco anos atrás, Mário Soares foi o candidato do PS e a sua candidatura foi desafiada pela candidatura de outro socialista, Manuel Alegre.
A candidatura de Manuel Alegre cresceu e acabou por ditar a derrota e a humilhação de Mário Soares.
Entretanto, lendo as suas recentes intervenções, Alegre aposta numa clara plataforma política de combate ao liberalismo económico, de opção socialista, na sua próxima candidatura.

Mas, cinco anos depois, Mário Soares mostra que não esqueceu. E não perdoou. Mas mostra mais do que isso. Mostra que entre o paroquialismo político e a unidade da esquerda com reais possibilidades de derrotar Cavaco, Mário Soares e a sua "entourage" escolheram o primeiro.
De acordo com as notícias que têm vindo a público, Soares terá sondado sete (!) nomes para poder atirar contra Alegre.
( ...os soaristas - a quem tanto dava Nobre como Gama como Carvalho da Silva, - desde que tramasse Alegre ! o escolheram. O objectivo deles - não de Nobre, estou seguro- é a vingança e mesquinhez !. )

Fernando Nobre foi quem aceitou. Para isso terá contribuído o espírito de missão e a admirável militância de Fernando Nobre.
Mas, aparentemente, contribuiu também a sua inexperiência política. Todos os outros nomes que Soares sondou perceberam imediatamente que não eram os interesses da esquerda que motivavam a candidatura. E por isso recusaram.
Nobre não teve a mesma clarividência e por isso acaba instrumento de um desígnio que não é o seu.

Acho que esse desígnio vai falhar. Vamos esperar para ver o que cada candidatura nos traz.
Mais do que nomes interessam-me as plataformas políticas que apoiarão as diferentes candidaturas.
Por isso, sou cauteloso quanto a apoios explícitos. No entanto, dadas as suas agora claras origens políticas, a candidatura de Fernando Nobre não terá condições para reunir a esquerda. Mais, dificultará a tarefa de quem o pode fazer.
Poderá lançar a confusão entre todos aqueles a quem se exige ideias claras. Uma bênção para Cavaco.

-por Nuno Teles, Ladrões de Bicicletas, 18.2.2010


De Vital M. (+PS Soares e...) vs M.Alegre.. a 19 de Fevereiro de 2010 às 09:09
Vital Moreira e Manuel Alegre
Uma candidatura autónoma e abrangente
Jornal PUBLICO, 7/02/2010, Por Elísio Estanque

Alegre sabe que a sua candidatura terá de conquistar segmentos não só da esquerda, mas do centro e até da direita

A candidatura presidencial de Manuel Alegre (MA) continua a suscitar controvérsia. Há os que o apoiam, os que o rejeitam, e agora, perante o facto consumado, surgem também os apoiantes "condicionais". O dr. Vital Moreira (VM) é um destes casos.
Na sua crónica no PÚBLICO (26/01/2010) afirma que o PS não se pode "render sem condições" a Manuel Alegre, e que só mediante "um compromisso" tal candidatura pode obter "convictamente" o apoio dos socialistas.
Na verdade o que VM pretende é que o PS "controle" MA, ou seja, se não se consegue impedi-lo, então que se lhe imponham condições.

Do alto da sua sapiência, enumera todo um rol de desvios "esquerdistas" e de "ingratidões" de MA ao seu partido.
Alguém que nem é militante (ao que se sabe), no seu excesso de zelo, lança diversos anátemas a Alegre, um histórico do PS que ajudou a formatar a matriz social-democrata do partido.

O rol de atributos apontados a MA no citado texto é bem ilustrativo da reserva mental do deputado europeu.
Acusações como a "separação política e ideológica" do PS e a "afinidade electiva com a esquerda radical" só podem vir de quem ignora a cultura pluralista do PS e não é capaz de admitir nenhum dos erros do anterior Governo de Sócrates. As aproximações de MA ao Bloco foram pontuais e justificadas.
O "óbvio gaullismo"/tentações nacionalistas de MA e sua "hostilidade" à integração europeia não passam de afirmações gratuitas.
MA afirmou repetidamente a sua crítica à tecnocracia e ao excessivo peso da economia financeira, a submissão à cartilha da OMC, mas também a defesa de uma Europa solidária, com instituições mais abertas aos cidadãos, uma democracia mais ampla e intensa, o que, perante a crise que hoje enfrentamos, se prova que foram críticas certeiras.

Se a aura de "esquerda" de Alegre brilhou mais na última legislatura, foi porque as políticas governativas do PS se pautaram por uma deriva de direita em diversos domínios, que MA teve a coragem de criticar.
Foi justamente com essa postura de autonomia que consolidou o seu espaço de figura presidenciável. É verdade que o BE tenta aproveitar-se da situação na sua disputa com o PS. Compreende-se a necessidade disso. Mas a confusão é fictícia e deliberadamente fabricada, inclusive por alguma comunicação social.

Se, por acaso, MA aceitasse, respeitosa e disciplinadamente, as "directrizes" vindas do Largo do Rato, como pretende VM, seria não o MA que conhecemos, mas uma caricatura de si mesmo, que os portugueses rejeitariam.
Alegre é quem é, e não pode vestir a pele de um socrático, para satisfazer o dr. VM ou outros que alinham no mesmo coro.

Como candidato vencedor que pretende ser, MA sabe com certeza que a sua candidatura tem de ser abrangente e terá de conquistar segmentos não só da esquerda, mas do centro e até da direita.
Para tanto, só tem de mostrar o seu enquadramento na matriz ideológica do socialismo democrático, o seu apelo à cidadania activa e a sua consciência social dos problemas que assolam o país, a Europa e o mundo.

Centro de Estudos Sociais - Universidade de Coimbra
Publicada por Elísio Estanque , em 7.2.2010, Boa Sociedade


De Esquerda Republicana a 18 de Fevereiro de 2010 às 15:10
Um Presidente da República monárquico?

Fernando Nobre é dado como monárquico pela Causa Monárquica e pelos Realistas (e também por bloguistas monárquicos). É presidente da Assembleia Geral do Instituto da Democracia Portuguesa, associação filo-monárquica cujo Presidente de Honra se faz tratar por «Dom Duarte de Bragança», e cuja «Missão» inclui, estatutariamente:
«A Associação defende a necessidade de Portugal evoluir politicamente para uma sociedade mais democrática no âmbito do princípio de soberania popular e no pleno respeito pelo Estado de Direito, nomeadamente através da liberdade de definição constitucional da forma de governo.»

Esclareça-se:
a República é de todos, e qualquer cidadão deve poder ser Presidente, inclusivamente os monárquicos. Mas as convicções políticas dos candidatos, particularmente sobre a questão do regime, não são, não podem ser, indiferentes.
Mesmo que outras razões não pesassem, muito dificilmente votarei num monárquico para Presidente da República.

E mais:
com esta candidatura, arriscamo-nos a perder um bom activista humanitário ganhando um mau Presidente.
Ou a perder um bom activista ganhando um candidato cujo objectivo principal parece ser barrar o caminho a Manuel Alegre.


De ?! Candidatos a Presidente da Rep. !? a 18 de Fevereiro de 2010 às 15:17
Comentários

ricardo schiappa disse...
pois eu acho, ao contrário, que provavelmente essa característica de outsider ou wildcard pode ser das mais interessantes: precisa-se muito de sangue novo!

Cláudio Tereso disse...
Bolas Ricardo,
Tinhas de me tirar as palavras da boca. Isso não se faz :(

Mastermind disse...
Estou de acordo com o Ricardo. Também respeito imenso a figura de Fernando Nobre, que é aliás um homem das esquerdas apartidário.
Mas a sua falta de experiência continua a dizer-me que Alegre é a melhor solução para unir a esquerda.
Não só porque é um politico muito experiente como também porque já deu provas de que pode unir a esquerda.

João Vasco disse...
Quanto a mim, a razão que o Ricardo Alves apresenta não me parece suficientemente forte para deixar de votar em Fernando Nobre.
Fico contente que exista mais um bom candidato, o que com segunda volta nunca é mau.
Veremos.

carla disse...
Eu também acho que faz falta sangue novo. Para mim, joga a favor.

Anónimo disse...
Parece-me bem que o Fernando Nobre vá a Presidente da República.

É preciso lembrar que o Fernando Nobre está habituado a agir em situações de calamidade.
Como Portugal foi transformado pelos sucessivos governos num Estado-pântano calamitoso (excepto para os governantes e boys adjacentes, claro),
o homem é o candidato certo para o país certo: um especialista em catástrofes como chefe de Estado em Portugal.

Além disso, achar que os cargos políticos devem estar reservados para os políticos é como achar que somos todos iguais mas há uns mais iguais que outros;
cheira um bocado a 'Triunfo dos Porcos' e é mais ou menos por isso que chagámos onde chegámos.

Por isso, viva o Fernando que apesar de Nobre, é muito bem capaz de vir a ser o salvador da República do Haiti da Europa.

Ricardo Alves disse...
As minhas questões são estas:
-quais são as convicções políticas de Fernando Nobre?
-quer ser presidente porquê e para quê?
-como reage ao ser criticado violentamente?
-como se comporta quando tem poder?

Sabemos as respostas a estas perguntas para quase todos os políticos. Sobre Fernando Nobre, creio que não sabemos. É um cheque em branco.

carla disse...
O cargo de PR é meramente decorativo. Não é por aí que vem grande mudança.

Francisco Burnay disse...
É verdade que os políticos têm uma experiência valiosa que lhes permite que se movam bem no meio.

Mas a República é de todos e para todos.
Não chegámos aqui para desconsiderar a candidatura de um cidadão reputado porque este não têm experiência partidária.
Não faltarão concerteza assessores para guiar um presidente partidariamente, que não politicamente, inexperiente.

A candidatura de um cidadão mais independente que os restantes canditados é bastante positiva. É uma boa notícia. Vamos ver como se sai.


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