O candidato catavento

No site de um semanário de grande circulação acabo de ler que Fernando Nobre, médico, Presidente da AMI e pai de quatro filhos, vai ser candidato a Presidente da República.

Adianta, entretanto, o essencial do seu currículo político:

1. participou na Convenção do PSD, em 2002;

2. foi membro da Comissão de Honra e da Comissão Política da candidatura de Mário Soares à Presidência da República, em 2006;

3. nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, em Junho de 2009, foi mandatário nacional para a campanha do Bloco de Esquerda;

4. ainda em 2009, foi membro da Comissão de Honra da candidatura de António Capucho à presidência da Autarquia de Cascais.

Em termos políticos, isto não é um candidato, é um catavento!

[O Grande Zoo, Rui Namorado]



Publicado por JL às 16:05 de 18.02.10 | link do post | comentar |

3 comentários:
De 'independentes', 'centrão' e declínio... a 19 de Fevereiro de 2010 às 09:20
Resposta a Vital Moreira (e a outros ...)
Vital Moreira, eleições europeias e presidenciais
por Nuno David - Público, 31/01/2010

Num recente artigo de opinião no PÚBLICO, Vital Moreira expressa as suas preocupações com o xadrez político das presidenciais, designadamente a capacidade que os candidatos terão para atrair votos ao "centro".
Considerando que foi um dos principais responsáveis pela derrota do PS nas eleições europeias, a análise de Vital merece alguns reparos.
Nas eleições europeias Vital terá sido escolhido para cabeça de lista do PS porque - dizia-se - era um homem de esquerda, e como tal conseguiria evitar a fuga de votos para a esquerda radical.
Vital, ao contrário de outros potenciais candidatos, não seria identificado como um homem do "centrão", como alguns daqueles tecnocratas que emergem dos aparelhos dos partidos, sem grandes convicções ou alma política.

O resultado das eleições europeias mostrou, contudo, que Vital Moreira não conseguiu segurar votos à esquerda, não conseguiu captar votos ao centro, e tão-pouco conseguiu captar votos à direita. O PSD e o BE foram os grandes vencedores, e o PS saiu derrotado.
De entre várias razões para a derrota, existe uma claramente identificável:

Vital não é um homem de esquerda, não é de direita e tão-pouco é do centro-esquerda.
Desde a sua saída do PCP, tem vindo a aproximar-se das posições do que se pode designar o "centrão": um grupo reduzido de dirigentes que apoiou sectária e invariavelmente o Governo, mesmo quando o bom senso aconselharia a correcção dos caminhos que o Governo vinha adoptando, do qual o melhor exemplo terá sido o conflito com os professores.

Com efeito, o "centrão" tem dois problemas:
em primeiro lugar nunca se sabe bem o que é, navega ao mero sabor das circunstâncias.
Em segundo lugar, o "centrão", ao contrário do centro-esquerda ou do centro-direita, não tem expressão eleitoral.
Resume-se a um conjunto de dirigentes políticos, normalmente com origem nos aparelhos de alguns partidos, e que têm a sua expressão eleitoral em crescente declínio.

O PS teve por isso o pior resultado alguma vez alcançado numas eleições europeias. Resultado corrigido nas legislativas com mérito, por José Sócrates, com a ajuda de personalidades que o apoiaram na campanha eleitoral, capazes de gerar confiança em sectores transversais do eleitorado, da esquerda ao centro-direita, tais como Manuel Alegre, Mário Soares ou Jorge Sampaio.
Mas também corrigidos nas autárquicas, das quais a maior expressão terá sido porventura a vitória de Costa-Roseta-Sá Fernandes em Lisboa, com o patrocínio de Manuel Alegre.

Destes resultados o PS deve tirar lições. Lições que se esperam vir a ter a sua tradução na escolha do melhor candidato para derrotar Cavaco Silva nas próximas eleições presidenciais.
Um candidato capaz de garantir o bom funcionamento das instituições e do sistema político, mudar Portugal numa estabilidade sustentada, com mais entusiasmo e coragem. Esse candidato é obviamente Manuel Alegre.
Um candidato no qual até Vital Moreira, apesar da sua análise algo enviesada, poderá vir a votar, seguramente, com confiança e entusiasmo.

Professor universitário e editor da revista Ops!
Publicada por Elísio Estanque , em 31.1.2010, Boa Sociedade


De Izanagi a 18 de Fevereiro de 2010 às 17:00
Em 2006 não era CATAVENTo...era um dos "independentes" que dão jeito â hierarquia do PS.
A coerência não se pode só exigir aos outros, tem de começar por nós.


De O fim das ideologias a 18 de Fevereiro de 2010 às 16:52
Parece que, no mesmo ano e igual acto eleitoral; também pertenceu à Comissão de Honra de António Costa, em Lisboa.

Comissões de Honra??

Talqual os politicos que temos e os cidadãos que somos. "As atitudes só são positivas quando nos convêm".

Os brasileiros dizem que já só há uma coisa que distingue a direita da esquerda, "é a mão com que o ladrão faz o sue labor".


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