Liberdade de informar ou voyeurismo?

O Luminária, blog de iniciativa de alguns socialistas e cidadãos sem militância partidária, tem sido um, incontestável, exemplo a seguir de liberdade de opinião no qual postes e comentários são, única e exclusivamente, da responsabilidade de quem os escreve. Há quem diga que por aqui se registam muitos e variados disparates, por vezes a ultrapassar as raias do admissível e da ofensa pessoal.

A nosso ver os disparates fazem, também, parte da vida de cada pessoa e das vivencias em sociedade. É necessário que se digam, que se escrevam, que se oiçam, que se leiam tais impropérios, de outro modo não se conheceria da sua existência. Cada um e o mundo evoluem, inevitavelmente, com o que se faz de acertado e muito com os erros e asneiras.

E não será isto que distingue a democracia da ditadura?

Nos termos do artigo 37º da Constituição da Republica, que determina no respectivo número 1 “Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.” e, o número 2 determina que “O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.” Preceituado que por aqui se tem respeitado.

Por outro lado e sabendo-se que “Luminária” significa dar Luz, que produz iluminação, que alumia, .., não poderia ter outro comportamento, que não fosse um pluralismo de informação e de debate manifestado num campo aberto à livre opinião.

Contudo, e a nosso ver, não pode, a liberdade de opinião significar o que mais recentemente se tem vindo a constatar nos órgãos de comunicação social, em que certa forma de fazer jornalismo se confunde com liberdade de expressão e direito de informar. Graça por aí um certo, prostituído, voyeurismo jornalístico, onde nada nem ninguém parece já ser respeitado, feito com o, quase único, objectivo de vender folhas de papel.

Todos os governos, de uma forma mais ou menos velada, fizeram, fazem e farão, “operações de interferência nos media”, conforme o próprio “ganda noia” reconheceu numa recente entrevista.

O grave, no meio de tudo isto, são os excessos. Excessos por parte dos governantes, excessos por parte dos media, excessos por parte do poder judicial, excessos por parte da população permitindo que lhe desviem as atenções do que é essencial na vida de um povo e que são todo um conjunto de valores que enformam o carácter das pessoas, consolidam as relações dos grupos e alicerçam a vida social de uma sociedade feita nação.



Publicado por Zé Pessoa às 00:18 de 22.02.10 | link do post | comentar |

6 comentários:
De Liberdade e condicionam. dos Cidadãos a 23 de Fevereiro de 2010 às 15:20
Agenda política por Paulo Alexandre Amaral, RTP 23 Fev. '10

Barreto aponta estratégia governamental de condicionamento da opinião pública

O investigador considera que o aumento dos meios de controlo de controlo da opinião tem aumentado desde os últimos 15 anos
José Sena Goulão, Lusa

O sociólogo António Barreto aponta ao Executivo "fortíssimas" tentativas de controlo da opinião pública através de uma agenda política organizada "à volta do Governo", sustentando que esta é uma realidade da última década e meia. A análise surge numa entrevista à Agência Lusa, a propósito da apresentação da Pordata, base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Barreto aponta estratégia governamental de condicionamento da opinião pública

Quando está marcado o lançamento da Pordata, a maior base de dados estatísticos relativos aos últimos 50 anos de Portugal, que a Fundação Francisco Manuel dos Santos disponibiliza de forma gratuita e universal, o presidente da instituição concedeu uma entrevista à Agência Lusa na qual aborda algumas das questões que dominam o actual momento da vida política portuguesa.
O investigador social, cronista e presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos diz que "vivemos num país onde há fortíssimas tentativas de condicionamento da opinião pública, e onde os grandes grupos económicos, e o Estado, têm vindo desde os últimos 15 anos, pelo menos, a tentar aumentar os meios de controlo de controlo da opinião - e têm aumentado sempre".

Agenda política gira à volta do Governo

António Barreto, que chegou a ser ministro da Agricultura e Pescas do I Governo Constitucional de Mário Soares, aponta uma estratégia em torno do Governo que será assegurada por milhares de pessoas a quem está atribuída a função de organizar a informação e fazer a agenda política.

Nas palavras do investigador social, "hoje em dia haverá 2500 a três mil pessoas cuja função, no aparelho de Estado, é organizar a informação e fazer a agenda política. Na televisão, nos jornais, na rádio, há uma verdadeira agenda política feita à volta do Governo, pelas agências e gabinetes de comunicação".

Para António Barreto, "isto chama-se condicionar a opinião pública".

António Barreto sublinha por outro lado que, apesar destas estratégias de controlo da informação, a liberdade de expressão não está em causa em Portugal. O investigador não tem dúvidas em afirmar que "vivemos num país em que reina a liberdade de expressão".

"Se eu quiser falar, escrever e dizer publicamente o que quero, consigo. Eu sou capaz de dizer publicamente que o Governo está a tentar condicionar a opinião pública, e portanto tenho liberdade de expressão", exemplifica.

Concentração e dimensão do mercado explicam maior controlo

O antigo ministro socialista admitiu que as tentativas de exercer controlo da opinião pública acabam por ser maiores em Portugal, quando o país é comparado com os parceiros europeus. António Barreto sublinha que a justificação pode estar na dimensão do país, onde o escasso número de grupos de comunicação a operar no mercado acaba por resultar numa menor pluralidade.

"Tudo se concentrou, e hoje existem dois ou três grupos importantes na comunicação social, que estão relacionados com grupos económicos ou com o Estado, ou que devem ao Estado, ou que estão ligados aos bancos que estão ligados ao Estado", explica António Barreto.


De Decência política? a 22 de Fevereiro de 2010 às 10:54
José Sócrates terá repetido no Porto o que já havia dito duas vezes em Lisboa. “Não tememos escutas nem crimes e queremos recentrar o debate político nos interesses do país”, ao mesmo tempo que apelou à decência política.

O melhor apelo não seria o de ele próprio dar mostras de menos arrogância e mais humildade em ouvir as pessoas começando pelos próprios militantes do seu partido?

Porque não dá orientações aos seus pares do “aparelho” para que oiçam desde a base até às federações os militantes?

“Não faças o que ele diz, faz o que ele faz”, bem prega um novo São Tomás.


De Zé T. a 22 de Fevereiro de 2010 às 11:13
É isso mesmo:
''...em ouvir as pessoas começando pelos próprios militantes do seu partido?

Porque não dá orientações aos seus pares do “aparelho” para que oiçam desde a base até às federações os militantes?''

Quando as estruturas (e militantes e deputados) de um partido apenas funcionam como 'caixas de ressonância' ou repetidores de uma voz e ideias únicas... algo vai mal...
e bem podem contar os ''calados'', os ''silêncios'' e os ''não-aparecidos'' como descontentes, como 'não-crédulos', ou com opiniões diferentes...



De Zé das Esquinas o Lisboeta a 22 de Fevereiro de 2010 às 10:53
O Zé Pessoa tem muita razão em fazer esta reflexão e no momento agora escolhido.
Eu comentador deste blog, me penitencio pelos disparates e não só que aqui tenho feito.
Concordo ainda com o direito de dizer 'disparates' mas já tenho alguma dificuldade em aceitar que fiquem impunes, não quem os diz, mas quem os faz. E sobretudo quem os faz com o dinheiro de todos nós.
Como diz o Zé Pessoa - 'o grave são os excessos'.


De DD a 22 de Fevereiro de 2010 às 10:37
Muito Bem, mas falta acrescentar o carácter pidesco que as ESCUTAS estão a ter.
Escutar em série o alvo A que falou com o B para o escutar todos que falaram com A e B e depois todos os C, D, E...., jã fora de qualquer processo como está estão a fazer os magistrados de Aveiro é o regresso de uma PIDE não governamental, mas ao serviço de interesses políticos ou financeiros de elementos daquela parte da "Justiça" que nada tem a ver com Justo, Justiça, Democracia, Direito, Liberdade, Honestidade, etc.


De Zé T. a 22 de Fevereiro de 2010 às 09:30
Muito bem Zé Pessoa.
Contudo... no meio de tanto 'fumo' não haverá algum 'fogo' ?
''O (mais) grave são os excessos dos governantes, dos media, do judicial, da população'' (?!) que se demite de valores e de participação activa na Polis.

E será que não existem interesses em que estas coisas assim sejam ?! em manter os cidadãos alheados com ''pão e circo'', para os ratos, chacais e vampiros nos levarem o ''queijo'', o ''sangue'' e os ''horizontes'' ? !! .

E a quem (se) aproveita tudo isto ?
não será aos senhores da finança, aos capitalistas selvagens, aos aventureiros da ditadura, aos apologistas de sociedades de castas e clubes de élites, aos castradores do pensamento livre e diferente ?!!
Cuidem-se os portugueses que querem ser/ continuar a ser LIVRES.


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