Sócrates sabe estar na GUERRA

 

            Foi excelente a entrevista dada por José Sócrates a Miguel Sousa Tavares no novo programa da SIC “Sinais de Fogo”.

            Sócrates mostrou que está em plena forma, continua a ser um líder que confia na capacidade dos portugueses e mantém-se apostado em modernizar o País com investimento público nas creches, escolas, hospitais, energias renováveis, comunicações,  etc.

            Sócrates acredita que o investimento público é mais importante que uma descida de impostos e o PS ganhou as eleições com este tema contra Manuela F. Leite do PSD a propor o contrário. Contudo, há múltiplos programas governamentais a funcionar no sentido de apoiar PME, principalmente com vista às exportações.

             Sócrates é, sem dúvida, um líder que sabe estar na GUERRA sem se acobardar.

            O PM nega ter algo a ver com a compra pela PT de 35% da Media Capital e nega porque o assunto está a ser considerado equivalente a um GOLPE DE ESTADO, ou Atentado ao Estado de Direito.

            Aí, Sócrates devia colocar a questão na sua verdadeira dimensão. A PRISA contactou toda a gente, incluindo a PT, para vender 35%, pois estava em situação crítica. Hoje, não está tão mal porque recebeu alguns apoios de bancos de Estado espanhóis e vendeu uma parte do seu capital a um grande grupo americano. De qualquer modo, a PRISA estava no seu direito de procurar um comprador para 35% da sua TVI e um ou mais administradores da PT estavam no seu pleno direito de estudar o negócio.

            A hierarquia de um negócio de grande volume e estratégico para a PT passa de um estudo prévio sob a direcção de um ou mais administradores para uma aprovação e estudo por todo o Conselho de Administração e daí para o Presidente e depois para os accionistas de referência, entre eles a CGD e o Governo.

            O conhecimento da existência de uma posição vendedora por parte da PRISA e de um pedido de orçamentação por parte de dois administradores não significa conhecimento de um negócio pela simples razão que não estava decidido e é pouco provável que o PM estivesse na origem do negócio.

            Isto é difícil de entender por parte dos parasitas que nunca trabalharam em empresas, tanto nas vendas como nas compras. Entre eles estão muitos comentadores, jornalistas e magistrados. Todo o negócio passa por muitos estudos prévios. Até o cidadão que quer adquirir uma viatura estuda os preços, os modelos e as possibilidades de pagamento e enquanto não fez a compra ninguém o pode “acusar” de ter comprado um carro.

            A PT parece ser uma grande e próspera empresa, mas o negócio do telefone fixo não tem futuro por causa do Skype, VoipBuster e outros operadores via Internet. O negócio de telemóveis atingiu a saturação total no país com mais números que habitantes. A PT foi obrigada a vender a interesses holandeses aquilo que passou a ser a ZON para ser obrigada a criar o mesmo negócio de ligação Net, TV e Telefone com a designação MEO. A empresa não podia viver sem esse negócio. Alguém na Autoridade para a Concorrência tomou decisões sem saber que já existia o Skype e a VoipBuster. Há sempre burocratas e magistrados completamente analfabetos.

            Por isso, a PT tem de entrar em novos negócios. Não sei se serão de conteúdos e estações de televisão ou rádio ou outros, mas para continuar a ser uma grande empresa e garantir os postos de trabalho tem de ter algo mais que linhas e cabos. Não devemos esquecer que as linhas eléctricas normais das nossas casas permitem já a transmissão de todos os dados, sejam da Net, TV ou Telefone. A EDP pode vir a entrar nesse negócio também, o que iria permitir aumentar a produtividade das suas instalações e as da Rede Eléctrica Nacional (REN).

           

            Para saber isto não é preciso ser inteligente sequer, basta ter o Skype ou o VoipBuster no seu computador e ver quanto passou a gastar em telefonemas.

            Para mim, discutir se Sócrates disse a verdade ou não sobre o eventual negócio da PT é como a discussão do caso Clynton que toda a América queria saber se a Mónica Levinsky tinha feito sexo oral com o presidente e este teria mentido sobre esse acto extremamente privado. Logo que Clynton deixou o cargo, nunca mais se falou no assunto e se tivesse havido crime de mentir ao povo, este deveria ter sido sancionado. No caso Clynton era algo que caía na vida privadíssima do cidadão; no caso de Sócrates trata-se de algo que não aconteceu e saber se Sócrates sabia do estudo do negócio antes ou depois do dia 23 de Junho. Negócio que nunca seria uma ilegalidade, dado que comprar 35% da Media Capital será sempre legal, qualquer que seja o comprador desde que pague o preço contratado.

 

            PS.: Sócrates diz que acredita nos portugueses. Hoje, li num jornal que uma pequena fábrica de carteiras ou malas de senhora com 30 trabalhadores estava com falta de encomendas no mercado nacional. A gerência resolveu procurar mercado no estrangeiro e foi à Holanda e eis que recebeu uma só encomenda que dá trabalho a todos os trabalhadores por muito tempo. Não compete pois ao Estado ir com as amostras e listas de preço à Holanda ou outro país fazer as vendas. As empresas têm o seu governo responsável que se deve mexer e tem um mercado livre de 500 milhões de habitantes, onde com esforço e trabalho podem encontrar compradores. Também li que na Galiza, o organismo local que organiza feiras de mobiliário tem impedido a presença dos fabricantes portugueses de Paços de Ferreira porque reconhece que a concorrência portuguesa é demolidora para a indústria local e espanhola em geral. Claro, diz a notícia que os industriais portugueses têm organizado as suas feiras e participado em feiras de empresas criadas para esse efeito e que não descriminam os seus clientes. Nada impede que vários industriais de Paços de Ferreira se organizem como uma Ikea para colocar grandes postos de venda no país vizinho como este colocou as suas lojas em Portugal, nomeadamente o “Corte Inglês”.

            Na exportação, o IVA não é pago e o IRC incide nos lucros com o sempre criticado pagamento especial por conta que não perturba nada uma empresa desde que funcione. Paga se teve lucros no passado e não paga se não teve.

 

             

              PS 2: 2009 foi o ano em que os portugueses compraram mais computadores portáteis, cerca de 1,9 milhões.



Publicado por DD às 23:39 de 22.02.10 | link do post | comentar |

5 comentários:
De DD a 24 de Fevereiro de 2010 às 20:32
Não é nas circunstâncias em que está o País, mas sim o Mundo e, particularmente, a Europa.
Na Europa, apenas a Polónia não está em crise. A receber ajudas comunitárias de grande valor e encostada à Alemanha e Zona Euro com uma moeda (Zloty) baixa, os polacos estãpo a fazer excelentes negócios.
A Polónia fez o contrário de Cavaco quando Portugal entrou na então CEE que foi valorizar o Escudo.
Os polacos desvalorizaram o Zloty e exportam imenso para a Alemanha. A situação é tal que as lavandarias polacas vão a Berlin recolher a roupa dos hotéis para as lavarem do outro lado da fronteira que fica a uns 75 quilómetros. O mesmo se passa com as reparações automóveis; milhares de oficinas polacas reparam os carros alemães por preços incomparavelmente mais baixos. Mas isso são excepções, pois de futuro já não podem baixar o Zloty mais que 3% e acalentam a ideia de entrar no Euro.
Portugal neste extremo, está como quase todos os países europeus, incluindo a Alemanha que em 2009 sofreu uma quebra de 5,6% no seu PIB.
Não há uma solução para a Grécia, Portugal ou Alemanha, etc. Há uma solução europeia ou o prolongamento mais ou menos grave da crise por muitos anos.
O Banco Central Europeu tem de ser um verdadeiro banco central e emitir títulos de tesoura para toda a Zona Euro.
Não podemos ter uma moeda única e finanças completamente separadas.


De marcadores a 25 de Fevereiro de 2010 às 15:10
Plenamente de acordo.
Ter uma moeda única e finanças separadas, cria entre os diversos países da comunidade imensas assimetrias economica e sociais.


De A crise Queima? a 23 de Fevereiro de 2010 às 11:54
O homem reconhece-se de grande estatura política.

O eurodeputado Paulo Rangel, que decidiu candidatar-se à liderança do PSD, admite hoje em entrevista conjunta ao “Diário de Notícias” e à TSF que “não é apetitoso ser primeiro-ministro nas circunstâncias em que está o País”.

Rangel indica ainda que não irá entrar em “consensos moles” se chegar à liderança do seu partido.



De Ressaca a 23 de Fevereiro de 2010 às 09:51
Tem pai qué cego...
Pior cego é o que não quer ver...


De Bajulamento e hipocrisias a 23 de Fevereiro de 2010 às 08:37
Tanto bajulamento, até receio que “DD” possa correr o risco de ficar engasgado.

A hipocrisia é tão grande que agora o Alberto João, o Bukassa da Madeira se tornou, por via das desgraças alheias “um excelente Presidente do Governo Regional. Agora tudo se pode esquecer!


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