Mais do mesmo, prós lados do PSD

Propostas, em concreto, nicles

Como se fosse alguma novidade, descoberta à última hora, o candidato à liderança do PSD, Paulo Rangel diz considerar que o poder executivo e o poder judicial estão desacreditados em Portugal e propôs-se acabar com a promiscuidade entre os interesses público, privado e partidário.

O homem, que promete uma coisa e acaba por fazer o contrário, terá afirmado, ainda, que «a autoridade, a credibilidade, o prestígio, a capacidade de intervenção, a capacidade de actuação, a capacidade de direcção deste Governo estão claramente em causa neste momento. Vive-se uma erosão do poder executivo. Vive-se uma erosão, uma degradação, uma degenerescência da autoridade do Estado, que aliás assenta, neste momento, não apenas no poder executivo, mas também no poder judicial»

O coitado não percebeu que são as custas de ter havido a capacidade de alguém ter mexido em interesses, demasiadamente corporativos, instalados em alguns sectores judiciais que mais parecem uma corporação militar num qualquer regime absolutista!

Segundo ele, agora justifica, a sua candidatura «é justamente para acabar com esta situação, para pôr termo, para fazer uma quebra, um corte, uma ruptura com esta confusão, com esta mistura, com esta promiscuidade e proximidade entre interesses que têm de ser claramente separados e em que a transparência exige que de um lado esteja o público, e do outro o privado, e que em nenhum lado esteja o partidário é em nome desses valores que também me candidato».

Em concreto sobre a forma, os meios e com quem iria fazer tais modificações na política e forma de governança nacional nada disse.

Também nada adiantou como preconizaria fazer o relacionamento entre o poder político, o poder económico, o poder judicial, o poderio financeiro e o mega-poder dos media.

Nada disse, eventualmente, porque nada tem a dizer e porque saberá que mesmo dizendo alguma coisa ninguém o levaria a sério. Ou será que levaria?

 



Publicado por Zé Pessoa às 10:59 de 26.02.10 | link do post | comentar |

2 comentários:
De DD a 26 de Fevereiro de 2010 às 22:18
Ouvi hoje na TSF que Paulo Rangel terá dito que não se lembra de ter estado filiado no CDS, mas há cartas de 1999 a pedir a desfiliação e que não lhe mandem mais cartas.
Rangel fez parte do CDS desde o início da década de 90.
Uma pessoa que não se lembra de ter pertencido a um partido político durante quase dez anos não tem memória nenhuma, pelo que não está apto a exercer qualquer função. Terá mesmo que procurar apoio médico para tão gritante falta de memória.
Se não é falta de memória, Rangel MENTIU por algo que nada tem de especial.
Também Sócrates foi do PSD e isso não o impediu de ser eleito duas vezes secretário-geral do PS com mais de 90% dos votos. Na TSF até disseram que Sócrates terá estado mais tempo no PSD que o Rangel.


De Certamente a 26 de Fevereiro de 2010 às 12:13
A censura velada, a ditadura silenciosa e o plano inclinado

É pena o “debate” sobre a Imprensa e o seu papel na sociedade portuguesa de hoje estar sempre inclinado para o mesmo lado. Enquanto abundam os comentários, crónicas, opiniões e até alguma guerrilha política disfarçada de notícia a fazer passar a urgência da tomada de pulso a uma doença de informação que supostamente existiria nos media portugueses, raras vozes — sendo que a rarefacção é motivo de alarme, para não dizer de suspeita — avançam disponíveis para conversar sobre a censura velada, a ditadura silenciosa e o plano inclinado do jornalismo nacional.

A propósito da calhandrice recente, publiquei uma vez mais algumas dicas para esse debate.

Ideias-chave:
1) clarificar a relação dos grupos de CS com o Estado, uma relação eminentemente económica;

2) avaliar eventuais directivas sobre a repartição das benesses estatais — basicamente, a distribuição da publicidade e os concursos — pelos grupos de CS de forma justa para garantir que não há pressões de parte a parte;

3) dar garantias aos trabalhadores dos media, bem como aos prestadores de serviços, de que não são alvo da “censura económica” nem do eventual cartelismo;

4) estudar os mecanismos de pressão dos meios privados, que conquistaram um poder não apenas de influência mas também económico considerável, que nunca antes detiveram, sobre os poderes públicos (que percorreram o caminho inverso, perdendo considerável força e apresentando uma vulnerabilidade sem paralelo na história dos últimos séculos);

5) verificar as condições do mercado de trabalho, nomeadamente o acesso dos prestadores de serviços e detentores de copyright sobre conteúdos jornalísticos, em condições de concorrência justa (a concentração levanta a suspeita de que essas condições são deficientes e tenho relatos e desabafos que a confirmam).

Dada a rarefacção de vozes fora da corrente que nos últimos 2 a 3 anos varreu, implacável, a opinião publicada nos media, é natural que eu aplauda com vigor a crónica de André Freire ontem no Público, “condicionamentos ideológicos nos media portugueses” (sem link, é conteúdo paywalled) Dela reproduzo este excerto, negritos meus:

“(…) na imprensa (Expresso, Correio da Manhã, etc.), veja-se por exemplo a sobre-representação que têm os colunistas com orientações antipolíticos e profundamente críticas face ao papel do Estado na sociedade e na economia, designadamente de inclinação ultraliberal. Ou, ainda, a falta de pluralismo que vemos nas rádios, na TV e na imprensa em matéria de debates sobre economia (política), nos quais estão geralmente sobre-representadas as correntes associadas ao mainstream (neoliberal) da ciência económica e onde outras tendências igualmente relevantes do ponto de vista académico e político (neo-keynesianas, institucionalistas, etc.) estão claramente ausentes ou, na melhor das hipóteses, sub-representadas.

Há, obviamente, liberdade de imprensa em Portugal, e essa é uma conquista crucial da democracia. Porém, há condicionamentos ideológicos de vária índole nos media portugueses. Pena é que os jornalistas pareçam só se preocupar com os condicionamentos que possam vir por via das influências dos Governos e, pelo contrário, dêem pouco ou nenhum relevo (quando não os promovem eles próprios…) a vários outros condicionamentos (porventura mais graves e profundos) que caracterizam os media. A bem da democracia e do pluralismo, era desejável que não só a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação) mas também os próprios jornalistas fossem muito mais exigentes neste domínio“.

A fechar: é francamente boa ideia os mais novos na profissão, e os que para ela pretendem entrar, tomarem sua a batalha pela clarificação de ares, contra a censura velada e o método porteiro de discoteca que caracteriza o acesso às carreiras. Não esperem mudanças dos instalados — incluindo as estruturas de representação, herdeiras de outros tipos de controleirismo e compreensivelmente mais preocupadas com a sua própria existência numa altura em que são dominadas pela incerteza quanto ao futuro do jornalismo.

Data: 23 Fev 10 01:48 Editor: Paulo Querido , Certamente


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Novembro 2019

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO