Crise: Três causas fundamentais a corrigir

Segundo o Director-geral da OIT, Juan Somavia, o aprofundamento da crise decorre, fundamentalmente de três razões estruturantes das sociedades e do processo de globalização.

Segundo Somavia a redução demasiadamente significativa do factor trabalho na forma de partilha da riqueza produzida é a primeira causa do agravamento da crise actual.

Para o alto responsável da organização integrante da ONU, com estatuto especial, a segunda causa do agravamento da crise é a precarização generalizada do vínculo laboral o qual acarreta uma enorme instabilidade e insegurança social com todas as consequências que daí advêm, nomeadamente os desequilíbrios familiares e a recessão demográfica.

A terceira causa apontada e, por natureza, interligada das duas anteriores é o facto dos grandes grupos económicas, muito especialmente, o sector financeiro, estarem a captar/arrecadar dinheiro em excesso e que não disponibilizam para reinvestir e dinamizar, conforme é necessário para revitalizar a economia.

Muito naturalmente e, como qualquer normal cidadão, em estado razoável de conhecimento, compreenderá, que não existindo reinvestimento a economia estagna em vez de crescer, os postos de trabalho desaparecem em vez de surgirem novos e, consequentemente, a riqueza produzida será menor.

E, no caso português que é dos países da União Europeia onde é maior a desigualdade na distribuição da riqueza e onde é mais escandaloso o leque salarial (diferença entre a remuneração mais elevada e a mais baixa dentro de cada empresa e no país), a degradação social é também, ela maior.


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Publicado por Zé Pessoa às 15:37 de 09.03.10 | link do post | comentar |

7 comentários:
De Zé das Esquinas o Lisboeta a 10 de Março de 2010 às 08:21
A globalização é uma realidade, quer se goste ou não. E não vale a pena negá-la nem mesmo economicamente.
Agora que é possível lutar contra as assimetrias e desigualdades das realidades dos países ditos ocidentais e dos outros, é.
Difícil, sim. Mas é como deixar de fumar.
Pode-se dizer que se deixa, pode se pedir ajuda médica ou espiritual, mas para que aconteça é indespensável que se deixe de levar o cigarro aceso à boca. E admirem-se tótós, basta isso.


De (Des)equilibrios a 9 de Março de 2010 às 22:14
Analfabeto parece-me DD, neste caso. Somavia anda, por vezes, por esses locais que DD refere precisamente a influenciar para que se criem sindicatos e organizações de trabalhadores de modo a que tais processos esclavagistas se não acabarem, pelo menos, que diminuam. É importante a aplicação de taxas aduaneiras mas só isso não basta é necessário implementar uma distribuição da riqueza produzida mais equilibrada. Os europeus e os americanos também não têm que viver, em grande medida, à custa da rapina das matérias primas e mão-de-obra alheias.


De DD a 10 de Março de 2010 às 22:44
É provável que a citação de Somavia tenha sido muito parcial e ele também tenha falado nas relações entre o Mundo esclavagista e o Europeu e Americano, mas ao certo não sei, como desconheço todo o contexto das frases aqui referidas.


De DD a 9 de Março de 2010 às 21:43
Somavia é um analfabeto. Desconhece a existência da China, Vietname, Laos, Bangla Desh, Índia, Indonésia, Filipinas, Tailândia, etc.
O homem não sabe que os chineses trabalham a troco de salários entre meio e um dólar à hora e com isso estão a destruir as indústrias da Europa, EUA e até de países como o México que perderam milhares de fábricas por os trabalhadores mexicanos trabalharem a três a quatro dólares à hora.
O grande factor de redistribuição de riqueza a favor dos mais ricos é a China Comunista e nos países industrializados só é possível resolver o problema das diferenças entre ricos e pobres com direitos aduaneiros muito elevados que tornem os produtos chineses mais caros. Não é verdade que os empresários europeus ganhem mais agora, os trabalhadores é que ganham menos por se estarem a tornar supérfluos dada a concorrência chinesa.
Agora até a Coreia do Norte entrou no negócio da venda de trabalho baratíssimo ao inimigo capitalista.
Os capitalistas instalam as fábricas na China e vendem os seus produtos aos países mais ricos com margens de lucro enormes que vão em parte parar aos “offshores”, pois vendem a empresas com sede nas Ilhas Virgens, por exemplo, que depois vai vender a Portugal, Espanha, etc. com 250 a 500% de lucro e, mesmo assim, os produtos ainda chegam mais baratos do que se fossem produzidos na Europa com margens de 2 a 3%.
Num recente relatório de contas da VW, foi anunciado eu o lucro líquido obtido pela empresa em todos os carros e peças que produz e vende é inferior a 2%, mais concretamente 1,8%. Claro, se a VW construísse os carros na China para os trazer para a Europa teria lucros de 300 a 400%, mas não pode, pois têm no capital accionista umas “golden share” do Estado regional que depende mais do emprego dos seus cidadãos que dos lucros.
Hoje, não se pode falar em políticas nacionais e nem sequer continentais. A EU com 501 milhões de habitantes ou fecha as portas à China ou nunca sai da crise, a não ser que o governo comunista chinês perceba que a sua ganância não em futuro. Têm de revalorizar a sua moeda e aumentar os salários dos seus trabalhadores. Não queiram imitar os japoneses que criaram capitalistas podres de ricos que deixaram de estar interessados no crescimento enquanto que trabalhadores e reformados contentam-se com umas migalhas da mais valias produzidas ao longo de 65 anos.


De Izanagi a 10 de Março de 2010 às 01:13
O que DD não explica é a quem é que essas multinacionais vendem os produtos fabricados na China? Aos chineses que ganham $1 por hora? Aos europeus e americanos que estão desempregados? Têm lucros mesmo não vendendo?
Há aqui qualquer coisa que não bate certo.


De DD a 10 de Março de 2010 às 22:41
O desemprego na Europa/EUA ronda os 8 a 9,5% da população activa, pelo que ficam ainda mais de 90% a comprar chinês.
O desemprego não é maior porque as economias desenvolvidas ou quase tornaram-se também economias de serviços. Uma parte importante do nosso consumo vai para serviços e produtos não transaccionáveis por não serem transportáveis de um país para outro como electricidade, água, gás no que respeita à distribuição, saneamento básico, educação, tratamentos de doenças, justiça, segurança social, arruamentos, construção civil, seguros, actividades bancárias, protecção policial, administração pública, etc. Além disso, há ainda um número importante de fábricas que não se deixaram bater pelos preços chineses e terceiro-mundistas em geral. Mas quase 10% de desemprego é excessivo.

.Recorde-se aqui que Cavaco criticou em Espanha o atraso de parte do governo em construir uma "auto-estrada" eléctrica para o País importar mais electricidade do paíse vizinho, como se o problema económico português fosse o de importar e como se não produzíssemos quase toda electricidade que consumimos Foi mais uma prova do "mau hálito político" como disse Morais Sarmento a respeito de Cavaco.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 9 de Março de 2010 às 17:43
Onde estão as medidas corretoras dessas desigualdades estruturantes da nossa sociedade, previstas no PEC ontem anunciado?


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