16 comentários:
De Pela COMUNIDADE ... a 16 de Março de 2010 às 15:11
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É certo que a empresa tem sido acusada, designadamente pelas organizações de trabalhadores, de obter bons resultados financeiros à custa da diminuição da qualidade do serviço, do aumento da precariedade do emprego, de subcontratações de serviços sem qualquer controlo digno desse nome, de utilizar trabalhadores em tarefas sem a formação adequada, de ter uma gestão cada vez mais autista que nem aos próprios quadros satisfaz. Mas, para a questão que estamos a discutir (a decisão do governo de privatizar a empresa), essa questão até é irrelevante. Porque a verdade é que, ao longo de todos estes anos, os governos sempre fizeram os mais rasgados elogios à sua gestão.


Porquê, então, a privatização dos CTT?

Por tudo o que acima foi dito, podemos concluir que a privatização anunciada

- não é para o Estado se libertar de uma empresa incómoda que dá prejuízos, porque os CTT, desde que são empresa, sempre deram lucros;

- não é para melhorar a gestão que, pelos vistos, tem agradado a todos os governos e, ainda por cima, goza de apreciável prestígio internacional;

- não é para que os portugueses sintam que têm um melhor serviço de correios porque, apesar de muitas queixas, eles continuam a sentir-se “confortáveis” com a “sua” empresa de correios. E, nas empresas já privatizadas, a única evidência que temos não é a de que o serviço que prestam melhorou, mas tão só a de que os enormes lucros que, apesar da crise, têm tido, vão para mãos privadas em vez de irem para os cofres do Estado;

- não é porque o serviço de correios está em extinção (a velhíssima ideia de que as telecomunicações seriam o coveiro dos correios) porque, apesar de começar a haver indícios de que o tráfego postal tradicional está a baixar irreversivelmente, há ainda muitos anos pela frente de cartas e encomendas para distribuir e os novos serviços que o correio presta (designadamente financeiros, publicidade e comunicações de todos os tipos) vão compensando essas perdas;

- e não é porque uma empresa privada seja capaz de fazer exactamente o mesmo que uma empresa pública, porque seguramente não o fará. Poderá até assegurar, nos serviços rentáveis, um bom serviço; mas os outros, os que o não são, mas que por razões de natureza social não podem deixar de ser prestados, ou serão deixados para trás ou terão que ser financiados pelo Estado.

Se não é de nada disto que se trata, então o que se está a fazer é tentar resolver um problema de contas do Estado com uma receita comprovadamente liberal, que Manuela Ferreira Leite utilizou em larga escala quando era ministra da finanças, então com a forte oposição do Partido Socialista.

Parecendo estar a resolver agora um problema, o governo está de facto a hipotecar o futuro. Ao vender uma empresa como os CTT, não está a aliviar o Estado de qualquer fardo, porque que os CTT nunca o foram, ou de responsabilidades que podem não ser suas: estará vender Estado, ou seja, a passá-lo para outras mãos. E estará a vendê-lo a baixo preço (vejam-se os valores porque foram vendidas as empresas já privatizadas) porque, em situação de fraqueza negocial do Estado, nenhum comprador estará disposto a comprar-lhe uma empresa pelo seu real valor. Mais grave ainda, estará a vender apenas o que é bom de uma boa empresa, preparando-se para fazer pagar aos portugueses a factura dos serviços sociais não rentáveis, que uma futura empresa privada não vai fazer sem a compensação adequada.

Mas o governo estará também a fragilizar a democracia, ao tomar decisões que qualquer governo futuro, ainda que seja eleito com um programa “nacionalizador”, terá imensas dificuldades em reverter. Prova disso são as acusações de irrealismo que por todo o lado surgem contra os partidos de esquerda que falam em “nacionalizações” de empresas estratégicas que foram privatizadas, porque o Estado não tem hoje o dinheiro necessário para pagar o que recebeu por elas, apesar de terem sido vendidas ao desbarato. E, passando serviços e funções estratégicas do Estado para o sector privado, que controlo poderá ter o povo português sobre a respectiva gestão?

A situação ...


De Estado capturado é Menos Democracia! a 16 de Março de 2010 às 15:14
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A situação não podia ser portanto mais clara:

com a privatização dos sectores mencionados pelo ministro das Finanças, onde se incluem os CTT, não vamos ter menos Estado:

vamos ter mais Estado em mãos privadas e menos democracia nas mãos do povo.”

Agostinho Santos Silva


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