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De País desalentado... Revolta-se?! a 19 de Março de 2010 às 10:47
Este país anda mesmo muito desalentado

Para além do PEC em que dificilmente se vislumbra o impacto económico de certas medidas, como o de tanta privatização para quê e sobretudo de forma tão atabalhoada, ficando o Estado sempre com os cancros da situação. Houve antes o défice de 2009, em que os atrasos na difusão da realidade são incompreensíveis. E se o governo foi de facto surpreendido com a dimensão do défice, pior. Trata-se de um défice pouco claro tanto mais que a economia, tendo tido um mau desempenho, não justifica tanto défice. Há qualquer coisa que nos falha. Atrasos, perdões!!. Há os casos BPP e BPN que nunca mais têm fim, quando casos como o BPP , se o mercado na realidade tivesse funcionado, a falência teria resolvido a situação sem problemas. Há toda a confusão em torno da PT, algo que poderia ter sido desnecessário. Bastava tudo ter sido claro.

Em domínio algum, deixa de haver problemas, reais ou fabricados.

Estamos fartos de tudo isto e não vale a pena assobiar para o lado.

Até na Madeira que parecia que tudo iria correr bem, erros crassos de nomeação da equipa por parte do governo regional vai de certeza trazer grandes problemas. Não se percebe porque é nomeado o Vice e não o Secretário Regional das Finanças ou do Equipamento. Razões de partido, certamente. Não os interesses dos madeirenses residentes.
Enfim, tanto lá como cá, a situação está algo negra.
# posted by Joao Abel de Freitas , PuxaPalavra


De PEC à esquerda a 18 de Março de 2010 às 09:10
Bloco apresentará projecto de resolução para responder a prioridades
16-Mar-2010 www.esquerda.net/

O Bloco de Esquerda anunciou que irá apresentar um projecto de resolução de rejeição ao PEC, defendendo uma “política consistente” para responder às prioridades nacionais, a ser discutido também no dia 25.
O Governo aprovou no fim-de-semana passado o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), documento que entregou na segunda-feira, na Assembleia da República e que tem discussão marcada para o próximo dia 25.

“Em todas as suas medidas essenciais, ele não corta onde há desperdício, favorece mordomias e incompetência na gestão e ataca os trabalhadores com uma redução do subsídio do desemprego”, afirmou logo na segunda-feira, o deputado do Bloco, Francisco Louçã, à margem de um encontro em Lisboa com representantes dos enfermeiros.

Louçã considera que o PEC contém uma injustiça que é, sublinhou, “uma guerra social contra o país”, disse à Lusa.

Para o Bloco, o Governo lança um “ataque aos desempregados”, mas, “em contrapartida”, rejeita aplicar uma taxa sobre as mais valias bolsistas, alegando que “os mercados não estão em condições”, refere o deputado.

O projecto de resolução propõe a rejeição do PEC e uma "alternativa concreta" baseada na redução da despesa pública "atacando toda a despesa inútil e extravagante e sobretudo o desperdício", disse esta terça-feira, Francisco Louçã numa conferência de imprensa.

A intenção é “confrontar o PS e a direita com uma proposta sobre uma política consistente para os próximos anos que possa atender às prioridades do país”, acrescentou Louçã.

"Se a resolução tivesse acolhimento da AR, o Governo teria de apresentar um novo programa segundo linhas que insistissem na consolidação orçamental contra o desperdício, na política de animação da economia, tendo como objectivo a criação de emprego e sobretudo na política de transparência fiscal para que o país não continue a perder em injustiça aquilo de que precisa em solidariedade contra a crise", explicou Louçã.

A iniciativa do Bloco não é, por isso, "meramente um enunciado das razões nacionais, económicas e sociais para rejeitar a proposta do Governo", mas sim "um enunciado dos seis campos concretos em que é indispensável um programa de consolidação orçamental que siga uma estratégia de animação da economia e redução do desemprego", esclareceu ainda o deputado do Bloco.

A lista de privatizações foi uma "surpresa" no PEC, apontada por Francisco Louçã.

"Já se sabia que o Governo queria privatizar a REN, a TAP, os aeroportos, os Correios (…) mas não estava incluído privatizar uma parte da CP (…) os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (…) Percebemos agora a extensão completa de um ataque que o Governo faz ao bem público", enfatizou.

Para Francisco Louçã, o PEC inclui ainda outra "surpresa": "O Governo apresenta-nos uma conta sobre a redução dos juros da dívida pública por efeito das privatizações que nos diz que em 2011 todas estas privatizações (…) dá 50 milhões de euros de redução do custo dos juros da dívida pública, mas ao mesmo tempo o Governo está disposto a adiar uma tributação sobre as mais valias, que essa rende 250 milhões de euros segundo os cálculos do próprio Governo".

Sobre a aprovação do projecto de resolução do Bloco, Francisco Louçã disse existir "um enorme consenso entre PS, PSD e CDS" em torno de algumas das medidas previstas no PEC, mas insistiu na necessidade do "debate político" sobre as alternativas possíveis suscitado pela iniciativa bloquista.


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2Comentários
em 17 de March de 2010 13:07por Guilherme Fonseca-Stater
É muito simples: a "nomenklatura" nacional prepara-se para apressar a sua apropriação dos bens da Republica, em aliança de factoie de jure com os capitalistas mais consequentes. Os dirigentes dos partidos da direita convencional o que lamentam é não poderem (?) participar com mais benefício próprio desse "fartar vilanagem" que é este "enrichissez vous messieurs". É a nossa versão da "managerial revolution" de que falava o sr. James Burnham.


De Criticas ao PEC 2010 a 18 de Março de 2010 às 09:12
PEC 2010
14-Mar-2010

A actualização do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) revelou a estratégia para a economia e os resultados que o governo espera alcançar nos próximos anos. Este dossier debate as medidas do PEC 2010.
Na sequência dos dossiers sobre o OE2010 e sobre a Eurocrise , o dossier sobre a actualização do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) discute o contexto económico e as medidas apresentadas. Rebecca Wilder aponta os riscos de uma Europa que aposta na redução dos salários para aumentar exportações. Albert Recio aponta as contradições do plano de ajustamento espanhol . Paul Krugman utiliza o exemplo Irlandês para afirmar a necessidade de nos concentrarmos tanto nos reguladores como nas regulações. Rui Tavares e Manuel Carvalho da Silva destacam os riscos do aprofundamento da crise .

Poucos dias depois da apresentação do PEC, o Bloco de Esquerda apresentou um documento com 15 medidas para uma economia decente, demonstrando que é possível reduzir mais o défice, já este ano, e simultaneamente promover uma política de recuperação para a criação de emprego.

João Ferreira do Amaral argumenta contra a estratégia de redução salarial . Daniel Oliveira aponta a perda de receitas com as privatizações e Agostinho Santos Silva descontrói a argumentação pró privatização dos CTT.



De Fulano a 17 de Março de 2010 às 14:59
O máximo responsável da ONU pelo combate ao crime e ao tráfico de droga, o italiano Antonio Maria Costa, acusou o sistema financeiro de ter recebido dinheiro sujo como forma de resolver os problemas de liquidez que enfrentava. "Os empréstimos interbancários foram financiados por dinheiro vindo do tráfico de droga e outras actividades ilegais", acusou ontem em declarações ao "Observer". Ao todo, calcula em 352 mil milhões de dólares (240 mil milhões de euros) o capital ilícito que terá entrado no sistema financeiro durante a crise.

Segundo o mesmo responsável, a ONU já viu provas de que o único "investimento líquido de capital" que foi disponibilizado a alguns bancos veio de gangues de crime organizado, algo para o qual foi alertado por agências de combate ao crime há cerca de 18 meses. "Em muitos casos, o dinheiro da droga era a única liquidez disponível. Na segunda metade de 2008, a falta de liquidez era o maior problema do sistema bancário, logo ter liquidez em capital tornou-se um factor muito importante", salientou ao jornal britânico. Antonio Maria Costa revelou que algumas das provas a que o seu departamento teve acesso mostram que muito deste dinheiro sujo foi mesmo aproveitado para salvar algumas instituições financeiras em risco devido ao congelamento dos empréstimos interbancários. "Há alguns sinais que alguns bancos foram assim salvos", acusa sem pruridos, negando-se porém a nomear bancos ou países que possam estar envolvidos. "O dinheiro faz agora parte do sistema e já foi lavado", aponta mesmo.

"Houve um momento, no ano passado, quando o sistema paralisou devido à falta de vontade dos bancos em emprestar dinheiro ao resto do sector. A progressiva reliquidação do sistema, e consequente melhoria de alguns bancos, veio tornar o problema menos sério do que chegou a ser", referiu o Czar anticrime da ONU, conforme o "Observer" chama Antonio Maria Costa. Segundo estudos da ONU, Grã-Bretanha, Suíça, Itália e Estados Unidos são ser os mercados mais utilizados para lavagens de dinheiro.

Portugal exemplar Questionado pelo i a propósito das acusações da ONU ao sistema bancário, António de Sousa, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, refere que "Portugal é considerado um dos países que cumpre de forma rigorosa todos os aspectos ligados ao branqueamento de capitais". E lembrou ainda a existência de "estudos realizados por organizações internacionais" que atribuem ao país "a melhor classificação nesse âmbito e referem que o nosso país respeita integralmente todas as regras impostas a nível internacional de forma exemplar".

Já a associação britânica de bancos exigiu a apresentação das provas referidas pela ONU.


De Economia e cegueira no poder... a 17 de Março de 2010 às 14:24
Ensaio sobre a Cegueira

Uma das linhas fortes do Programa de Estabilidade e Crescimento é o seu programa de privatizações. O Governo anunciou 6.000 milhões de redução da dívida pública e redução do défice (através da correspondente diminuição de juros da dívida pública) de 0,1% do défice, cerca de 170 milhões por ano. Parece um bom negócio, não é? Livramo-nos de uns monos, que só estão aí a atrapalhar, fazemos um encaixe simpático e reduzimos os encargos anuais com a dívida.

É verdade que a dívida pública seria reduzida no montante das privatizações. Mas convém não esquecer que essa receita é irrepetível e a degradação do défice começa a corroer o seu impacto no dia seguinte à sua aprovação. E convém que se tenha presente a dimensão desse impacto: estamos a falar de compensar cerca de cinco meses do aumento da dívida pública que irá ocorrer só este ano… Com que custo?

Quando o Governo fala do impacto dessa redução no défice através dos encargos da dívida pública, só está a contar uma parte da história. Ao alienar muitas das empresas e participações incluídas neste programa, o Governo estará a alienar receitas que em muito ultrapassam essa diminuição de encargos. Só os dividendos que o Estado recebeu por via da magra participação que ainda mantém na EDP (110 milhões, em 2009) correspondem a quase 2/3 do que o governo tenciona poupar em encargos de dívida pública com a totalidade do programa de privatizações.

Mas mais importante é a lógica política de um programa desta natureza. Um programa em que o Estado desaparece de praticamente todos os sectores estratégicos da economia, perdendo a capacidade de articular uma estratégia para o desenvolvimento e assegurar a todos bens públicos essenciais. É uma razia ao que sobrava na energia, transportes, água, comunicações, entre outros sectores.

E abre, com a privatização do seu sector segurador, a caixa de Pandora da privatização da Caixa Geral de Depósitos, onde nem a Direita se atreveu a mexer. E isto num momento em que a CGD mostrou mesmo aos mais furiosos liberais o papel estratégico que tem de ter a presença pública no sector financeiro. Só o PS parece não ter percebido.

O que se passa com este programa de privatizações já não é miopia. Já não se trata de obter ganhos extraordinários e irrepetíveis com prejuízo de receitas futuras e instrumentos de desenvolvimento do país. Trata-se de uma política que aliena instrumentos para políticas públicas e degrada a situação das contas públicas a partir do momento imediato, no que ao défice diz respeito. É uma decisão motivada pela cegueira puramente ideológica de um Governo sem a mais pequena referência a qualquer coisa que se pareça com uma política económica socialista.

O debate público sobre estes assuntos é, infelizmente, muito reduzido. É por isso que aqueles que irão contestar estas escolhas não podem perder tempo no esclarecimento e na luta por uma política económica assente em políticas públicas exigentes. E na unidade com todos os que, como João Cravinho (e outros), ainda não perderam a cabeça. Já não falamos apenas do futuro, falamos do presente imediato. Um presente que está a ser oferecido aos privados do costume.
Publicada por José Guilherme Gusmão em 17.3.10 Ladrões de Bicicletas


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 17 de Março de 2010 às 16:09
Penso que o amigo está equivocado.
Cgo é o que não vê.
O que vê e procede como se não visse e está se c_gando para o que vê, tem outro nome...


De Abaixo de asnos a 17 de Março de 2010 às 14:12
Os asnos, esses simpáticos animais quadruples , quando lhes chove em cima do pelo abanam-se, agitam-se para, pelo menos tentar, sacudir a água do lombo.
Há pessoas, demasiada gente, pressupostos cidadãos, muitos mesmo militantes (ditos, pelo menos) socialistas já nem se agitam na defesa da histórica ideologia republicana e social.
Estamos a ficar abaixo, muito abaixo, de asnos.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 17 de Março de 2010 às 16:07
Antigamente dizia-se:
"Abaixo de Ângelo Correia"...
Hoje deveria ser:
"Abaixo de Sócrates"


De Antes pelo contrário a 17 de Março de 2010 às 14:02
Paulo Portas já é primeiro-ministro e usa o nome de José Sócrates

Em defesa do PEC, os spin doctors do Governo exploram o ódio social a desempregados e a quem recebe o rendimento mínimo. Dou voz a socialistas incomodados com a chegada de Paulo Portas ao poder.
Daniel Oliveira (www.expresso.pt) , 17.03.2010

Não escrevo este artigo para encabular o PS e mostrar divisões internas. Até porque, com toda a sinceridade, acho que a tradição do PS, e falo apenas da mais recente, centrista e moderada, está nas frases que se seguem. O Governo, esse, parece que, para defender o seu PEC, adoptou definitivamente o discurso já não apenas da direita liberal, mas da abjecta insensibilidade social e populismo de Paulo Portas. Fico apenas aliviado por saber que pessoas de quem discordo mas pelas quais tenho respeito político não se conformam com esta nova deriva.

Sobre as privatizações, várias vozes no Partido Socialista se fizeram já ouvir, acordando a consciência de esquerda do torpor em que parecia viver, deixando nas mãos da direita o discurso ideológico sobre o PEC. O que tinha a dizer sobre o tema está no último Expresso em papel. Deixo-vos agora com Manuel Alegre e Ana Gomes:

"Não há constrangimentos de Bruxelas que justifiquem a privatização da REN e dos CTT. (...) Tenho muita dificuldade em compreender a privatização de serviços públicos como os Correios ou a REN". Manuel Alegre

"Quero juntar a minha voz à daqueles que não compreendem que se contemple a privatização de empresas que trabalham em sectores de interesse estratégico ou de interesse geral e que no fundo são monopólios que ao serem privatizados gravemente afectarão a protecção dos consumidores. Estou a falar de empresas como a REN, os CTT, a Galp. Do meu ponto de vista é errado que o Estado prescinda da posição que deve aí ter. E é igualmente errado que prescinda nestas condições em que obviamente nunca venderá por bom dinheiro". Ana Gomes

Mas depois da sua adesão definitiva ao discurso liberal (que tentou casar de forma trapalhona com com um discurso de esquerda sobre as deduções), o Governo parece estar decidido a ir mais longe e salta directamente para a propaganda da direita populista.

Para vender os cortes em despesas sociais (200 milhões) o Governo soprou para imprensa os 30 milhões que vai cortar, em tempo de crise, administrativamente, tal como o CDS/PP vem defendendo, no Rendimento Social de Inserção. O destaque que preferiu dar aos cortes no Rendimento Social de Inserção é fácil de explicar. Paulo Portas já o compreendeu há muito tempo: o ódio social vende bem. E agora quem o vende é o mesmo partido que se bateu por esta prestação.

Socorro-me de Paulo Pedroso e Pedro Adão e Silva, destacados militantes do Partido Socialista:

"No corte das prestações sociais, o Rendimento Social de Inserção tem direito a uma evidenciação especial e que lá está apenas para que o Governo do PS diga - qual Portas - que os malandros dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção também vão pagar. De facto, a despesa com os mais pobres vai diminuir em 200 milhões entre 2011 e 2013, dos quais 30 milhões serão no Rendimento Social de Inserção. Os outros 170 milhões porque não se evidencia onde são? Estigma é estigma e quem escolheu este símbolo no PEC fez uma escolha clara sobre como quer tratá-lo. Que a factura dos pobres seja tão pesada em plena crise económica e em situação de risco de crise social não consigo aceitar, nem por nada. Repare-se que em 2011 o Estado vai buscar mais aos pobres do que ao adiamento das infraestruturas e que vai, afinal e para minha surpresa, buscar a estas prestações mais do que à famosa nova taxa de IRS de 45%. (...) Hoje sinto-me particularmente feliz por não ter sido candidato a deputado nesta legislatura." Paulo Pedroso
...


De Direita no Governo; Belmiro na Presidênc a 17 de Março de 2010 às 14:05

Direita já tem primeiro-ministro e usa o nome de J.Sócrates

Em defesa do PEC, os spin doctors do Governo exploram o ódio social a desempregados e a quem recebe o rendimento mínimo. Dou voz a socialistas incomodados com a chegada de Paulo Portas ao poder.
...

"Não posso deixar de considerar chocante o plafonamento da despesa com o rendimento mínimo prevista no PEC. Há certamente muitas dimensões em que é possível (e é necessário) aprofundar a fiscalização e as condições de atribuição e renovação da prestação, mas uma coisa radicalmente diferente é fixar administrativamente, sem se perceber com base em quê, um tecto para a despesa. Fica assim provado que o programa eleitoral do PS foi uma brincadeira e que o Governo incorporou as críticas mais ferozes ao Rendimento Social de Inserção (ou seja, o que era a demagogia recente de Paulo Portas passou a ser a norma do executivo - o que, por exemplo, fere a identidade política do PS, desde 1995 com António Guterres, designadamente a prioridade ao combate da pobreza mais severa)." Pedro Adão e Silva

Na mesma linha, o Governo, mais uma vez ao bom estilo populista de Paulo Portas, passou, na defesa dos cortes no subsídio de desemprego, para a comunicação social, que há cerca de 12 mil empregos por ocupar que os malandros dos desempregados não querem.

É claro que na maior parte desses empregos, como foi dito nas notícias, se paga o salário mínimo. É claro que muitos dos empresários que se queixam gostavam de ter trabalhadores, necessariamente mais qualificados, pagos, pelo seu desespero, muito abaixo do que seria normal. E é claro que uma das razões porque temos subsídio de desemprego é, para além da solidariedade social, para impedir este tipo de exploração em momentos difíceis na vida das pessoas. É claro que em muitos casos há uma desadequação entre a oferta e à procura, como é natural.

Sim, temos de combater abusos que existam. Não, não podemos tratar os desempregados como potenciais mandriões que não querem trabalhar. Vale a pena recordar que estes desempregados são pessoas que, como nós, contribuíram durante anos, através de descontos para a Segurança Social que retiraram dos seus salários, do seu trabalho, para poderem receber o subsídio que num momento em que fiquem desempregados. Um dia poderemos ser nós.

A ver se nos entendemos: o subsídio de desemprego não é uma esmola ou um favor. É um direito pelo qual pagamos todos os meses. Devemos ser rigorosos. A entregar esse dinheiro mas também na forma como nos referimos aos que já estão na pior situação. E é claro que estamos a falar de 12 mil pessoas em meio milhão de desempregados. E é a esse meio milhão que os cortes no subsídio de desemprego vão ser aplicados. E é sobre esse meio milhão que se deixa cair esta suspeita insultuosa, apenas para ganhar uns apoios a esta medida. Mais uma vez deixo as palavras de outro (desta vez um economista que não é militante partidário), que explica melhor do que eu os perigos do populismo.




José Sócrates já lançou, para se salvar, lama sobre os professores. Lama sobre os funcionários públicos. Lama sobre os jornalistas. Lama sobre os juízes e os procuradores. Agora chega a vez dos pobres e dos desempregados. Quando chegarão os imigrantes para poder finalmente fazer companhia a Paulo Portas sem se sentir diminuído no seu populismo?



De Tudo na paz do senhor a 17 de Março de 2010 às 14:01
Em termos religiosos PEC significa Pecados Económicos Continuados.
Então somos ou não um país de crentes, fervorosos católicos ?
Os senhores (empresários e políticos) que "esfolam" os trabalhadores, aqui, na China ou em qualquer parte do mundo são, eles também, gente muito crente e "temente a Deus".
Fica tudo na paz do senhor, não é?


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 17 de Março de 2010 às 12:45
Apreciem na imprensa de hoje os valores auferidos por alguns gestores em Portugal. Sim o tal país onde é preciso apertar o cinto e conter a despesa pública, incentivar o emprego e fomentar a economia.
Zeinal Bava: 6905€/dia x 365 dias ano;
H. Granadeiro: 4.575€/dia x 365 dias/ano;
Rui P. Soares (sim, o tal): 4.200€/dia x 365 dias/ano;
E quase que tenho 'pena' do Jorge Coelho:1.917€/dia x 365 dias/ano.
E venham-nos agora falar do PEC...


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