Pregoeiros e mercadores

O estado da economia, alguns aspectos a ter em conta e que são determinantes para a evolução/recessão:

O primeiro aspecto diz respeito ao nível de emprego, factor-chave para a definição da temperatura da economia em qualquer período ou circunstância. No caso português este indicador é catastrófico não só pelo seu numero, a rondar os seiscentos mil desempregados, como pela sua natureza, a entrar profundamente na classe média se não mesmo média-alta.

O segundo aspecto (interligado como o anterior) é o investimento ou, no caso actual, a falta dele. Quando a taxa de investimento, que os economistas chamam de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), diminui acentuadamente provoca desemprego, diminuição do Produto Interno Bruto (PIB) e são menos as receitas de impostos a arrecadar pelos cofres públicos. É um período destes que agora estamos a atravessar.

Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), significa o aumento da capacidade produtiva de um país, é o investimento que os empresários fizeram, principalmente em máquinas, equipamentos e material de construção, ou seja, se está aumentando esse tipo de investimento significa que os empresários estão confiantes quanto ao futuro da economia, se as empresas comprarem mais máquinas, por exemplo, isso significa que elas se estão preparando para produzir mais bens de consumo (roupa, calçado, restauração, viaturas, electrodomésticos, etc.) e bens de indústria ou bens duradouros.

E se os empresários não quiserem arriscar e se acomodarem no facilitismo das vantagens de aplicação dos seus lucos empresariais em aplicações especulativas financeiras através da colocação em contas offshore por mais que alguns arautos do investimento privado digam que não é ao estado que compete dinamizar a economia como sairemos da crise em que tais pregoeiros nos colocaram?

Perante tão grave crise de ética e de valores sociais, nenhum Estado nem governantes, de algum bom senso, podem deixar, em livre arbítrio, à iniciativa privada a resolução destes problemas económico-sociais.



Publicado por Zé Pessoa às 00:06 de 17.03.10 | link do post | comentar |

12 comentários:
De Economia e cegueira no poder... a 17 de Março de 2010 às 14:24
Ensaio sobre a Cegueira

Uma das linhas fortes do Programa de Estabilidade e Crescimento é o seu programa de privatizações. O Governo anunciou 6.000 milhões de redução da dívida pública e redução do défice (através da correspondente diminuição de juros da dívida pública) de 0,1% do défice, cerca de 170 milhões por ano. Parece um bom negócio, não é? Livramo-nos de uns monos, que só estão aí a atrapalhar, fazemos um encaixe simpático e reduzimos os encargos anuais com a dívida.

É verdade que a dívida pública seria reduzida no montante das privatizações. Mas convém não esquecer que essa receita é irrepetível e a degradação do défice começa a corroer o seu impacto no dia seguinte à sua aprovação. E convém que se tenha presente a dimensão desse impacto: estamos a falar de compensar cerca de cinco meses do aumento da dívida pública que irá ocorrer só este ano… Com que custo?

Quando o Governo fala do impacto dessa redução no défice através dos encargos da dívida pública, só está a contar uma parte da história. Ao alienar muitas das empresas e participações incluídas neste programa, o Governo estará a alienar receitas que em muito ultrapassam essa diminuição de encargos. Só os dividendos que o Estado recebeu por via da magra participação que ainda mantém na EDP (110 milhões, em 2009) correspondem a quase 2/3 do que o governo tenciona poupar em encargos de dívida pública com a totalidade do programa de privatizações.

Mas mais importante é a lógica política de um programa desta natureza. Um programa em que o Estado desaparece de praticamente todos os sectores estratégicos da economia, perdendo a capacidade de articular uma estratégia para o desenvolvimento e assegurar a todos bens públicos essenciais. É uma razia ao que sobrava na energia, transportes, água, comunicações, entre outros sectores.

E abre, com a privatização do seu sector segurador, a caixa de Pandora da privatização da Caixa Geral de Depósitos, onde nem a Direita se atreveu a mexer. E isto num momento em que a CGD mostrou mesmo aos mais furiosos liberais o papel estratégico que tem de ter a presença pública no sector financeiro. Só o PS parece não ter percebido.

O que se passa com este programa de privatizações já não é miopia. Já não se trata de obter ganhos extraordinários e irrepetíveis com prejuízo de receitas futuras e instrumentos de desenvolvimento do país. Trata-se de uma política que aliena instrumentos para políticas públicas e degrada a situação das contas públicas a partir do momento imediato, no que ao défice diz respeito. É uma decisão motivada pela cegueira puramente ideológica de um Governo sem a mais pequena referência a qualquer coisa que se pareça com uma política económica socialista.

O debate público sobre estes assuntos é, infelizmente, muito reduzido. É por isso que aqueles que irão contestar estas escolhas não podem perder tempo no esclarecimento e na luta por uma política económica assente em políticas públicas exigentes. E na unidade com todos os que, como João Cravinho (e outros), ainda não perderam a cabeça. Já não falamos apenas do futuro, falamos do presente imediato. Um presente que está a ser oferecido aos privados do costume.
Publicada por José Guilherme Gusmão em 17.3.10 Ladrões de Bicicletas


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 17 de Março de 2010 às 16:09
Penso que o amigo está equivocado.
Cgo é o que não vê.
O que vê e procede como se não visse e está se c_gando para o que vê, tem outro nome...


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