Sábado, 20 de Março de 2010
Empresas transparentes 
 Áurea Sampaio, Visão, 18.03.2010

 

1. Na mesma altura em que se fica a saber que o Governo se prepara para obrigar os desempregados a aceitar salários 28,5% inferiores aos que auferiam no seu último emprego, começam a ser conhecidas as remunerações fixas e variáveis dos gestores. O fosso que separa estas duas realidades é chocante. Num país em que a pensão mínima do regime não contributivo é de 189,52 euros, a do regime contributivo 246,36 euros e o salário mínimo 475 euros, um gestor ter recebido, em 2009, ano de crise profunda, 1,85 milhões de euros de salários e bónus é, no mínimo, surpreendente. Também não podem deixar de indignar as notícias que dão como garantidos elevados prémios de gestão e, até, um louvor, ao presidente da REN, a empresa maioritariamente pública que caiu nas bocas do mundo com o caso Face Oculta.

A publicitação destes valores, que até aqui era apenas objecto de recomendação, passou a ser obrigatória para as cotadas em bolsa por imposição da CMVM, em nome da transparência, e na sequência da crise financeira mundial que abalou os mercados e a confiança na gestão empresarial. Esta divulgação é da maior importância, sobretudo porque tal prática ajuda a acabar com o mito ou com a muito politicamente correcta ideia de que este tipo de assuntos apenas diz respeito aos accionistas das empresas. Não diz e tanto faz que sejam públicas ou privadas. As empresas têm, igualmente, trabalhadores, clientes e uma função social a cumprir, função essa que o Estado, em nome da sociedade, compensa através de benefícios de natureza vária.

Se há aspecto que a recente crise trouxe à tona é que houve gestores, sobretudo no sector privado, a utilizar as empresas em benefício próprio e quando milhões de contribuintes tiveram de pagar esses desmandos ninguém lhes perguntou se estavam ou não disponíveis para o fazer. Como também nada lhes perguntam quando os poderes públicos insistem em subscrever contratos milionários com gestores cujo historial pouco ou nada os recomendaria para essas funções. Daí fazer cada vez menos sentido e ser cada vez mais intolerável a arrogância dos que pretendem perpetuar as regras do segredo total no que respeita aos negócios. E no momento em que se pedem sacrifícios tão grandes a tanta gente que pode tão pouco, seria da mais elementar justiça que quem pode lhe dê o máximo de satisfações.

2. O PSD lá fez o seu congresso. De pouco valeu, porque os candidatos nada acrescentaram ao que já tinham mostrado. Aguiar Branco é um conciliador sem carisma, incapaz de mobilizar seja quem for. Paulo Rangel está verde para aspirar a ser primeiro-ministro e Passos Coelho não é homem para esta estação, apesar de já ter parecido mais liberal/radical do que agora. E dada a hostilidade que as elites partidárias lhe devotam, é caso para perguntar com quem irá ele contar, em caso de vitória. Com Mendes Bota? Marco António Costa? Pedro Pinto?

Marcelo fez o melhor discurso... Tão longe da mediocridade geral que não se percebe a sua falta de vontade de disputar a liderança. Ou melhor, percebe-se. Uma gente que aprova a "lei da rolha" só merece o pior.


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