Desfazer equívocos: corrupção e partidos

Entre nós e a Grécia as diferenças não são assim tão grandes.

É com demasiada frequência que ouvimos e lemos discursos de índole anti-partidária que, no fundo apenas servem para aprofundar, ainda mais, as contradições teleológicas da vivencia em sociedade.

Há um grave equívoco, absolutamente, necessário de ser desfeito e discursos a serem desmistificados, tendo como finalidade o rigor das coisas a serem, minimamente, recolocadas no seu lugar.

Os partidos políticos, enquanto formas organizadas, para que os cidadãos possam exercer a sua cidadania e como modo de expressão democrática de ascensão ao poder governativo são, absolutamente, necessários, nos actuais regimes políticos.

Outra coisa, bastante e bem diferente, e que com frequência se confunde com os partidos, é o uso que abusivamente é feito deles em proveito próprio por parte de alguns (em demasiado número, diga-se) nepotistas que os controlam, enxovalhando-os com suas atitudes e comportamentos.

Não menos grave é o facto da esmagadora maioria dos inscritos (militantes?) admitirem, de forma mais ou menos passiva, tais enxovalhos.

O Primeiro-ministro grego, acabado de chegar ao poder, o socialista George Papandreu, referiu que o mal maior do seu país é a corrupção.

Papandreu, disse ainda sem rodeios que “o serviço público tem no meu país o papel de um serviço de emprego. Isto produz nepotismo.”

Também no meu país assim é, acrescento aqui e agora ”as empresas públicas são usadas como tráfico de influências para pagamento de favores político-partidários.

Afinal, ainda que muita gente o não queira admitir, há bastantes situações parecidas entre nós e a Grécia. Povos idênticos com vícios iguais. Até quando?



Publicado por Zé Pessoa às 00:07 de 19.03.10 | link do post | comentar |

2 comentários:
De inside trading' económico-partidário-jud a 19 de Março de 2010 às 09:54
Judite investiga Judite
[Publicado por AG]

Oiço na TV.
Pois investigue, investigue! E já agora, apresente resultados e leve rapidamente quem tiver de ser à barra do tribunal, à vista de todos os portugueses.

É que eu, já desde a Casa Pia que pergunto porque não se desenterrou o caso da mala ministerial entregue nos idos de 80 ao ascendente secretário de estado....
E porque não se investigaram extorsões protectoras à conta do "inside trading", florescentes vinte anos depois.
E em que sinecura se safará hoje aquele mediocre adelino alcandorado a director da Judite pelo governo do ascendido secretario de estado, para salvar não sei quem (mas suspeito)
e, na mesma cajadada, enterrar o Ferro - o parolo do salvado que na grosseira manobra acabou afundando o que restava da credibilidade da Judite?


De Grego critica UE e abutres... a 19 de Março de 2010 às 09:43
A pistola carregada sobre a mesa...
[Publicado por AG, em Causa Nossa, 19.03.2010]

Hoje comecei o dia a ouvir o Primeiro Ministro George Papandreou no PE. Gosto do homem, embora sempre me tenha intrigado a calma olimpica do camarada. Hoje gostei dela e assim ainda gostei mais do homem e do camarada.
Que explicou com grande simplicidade que era a falta de Europa que estava a enterrar a Grécia - e no fundo a mandar a Europa pelo cano de esgoto abaixo...

Porque se a Grécia tiver de recorrer ao FMI, não é só a Zona Euro que se esboroa. E o FMI está a oferecer crédito à Grécia a 2%, muito convidativo face aos 7% do mercado dos abutres que inflaccionam os CDSs e, num ápice, premindo um botão num computador algures no mundo, podem anular os esforços dramaticos de contenção que os gregos já estão convencidos que têm de fazer nos proximos anos.

George Papandreou explicou placidamente, olimpicamente, como a Grécia estava a pagar as favas por estar no EURO:
tinha os constrangimentos (não poder desvalorizar a moeda, como a Hungria há dias), sem ter qualquer ajuda quando mais dela precisa.
Esclareceu não estar a pedir dinheiro à UE, aos parceiros do EUROGRUPO.
Bastava-lhe a garantia, para não ter que ir pedir emprestimos aos preços indecorosos dos mercados, nem sucumbir ao FMI. No fundo, bastava-lhe ter a pistola europeia carregada sobre a mesa ... para dissuadir os abutres de imporem juros absurdos ao seu país.

Ah, o camarada George também explicou calmamente que tudo começara quando os grandes - a França e a Alemanha - se marimbaram para o PEC, porque haviam sido incapazes de cumprir os seus critérios.
E de como aí avisara o Mister Barroso que era melhor não falar em "flexibilidade" quanto ao cumprimento dos critérios de Maastricht (pró PEC dos grandes, claro....):
isso daria pano para mangas para todos os abusos. O Mister marimbou-se e foi o que se vê...

E no seu país (Grécia), o governo de direita no poder, apanhara-lhe o gosto, ao descontrolo.
Não, não eram apenas os serviços públicos grotescamente inflaccionados (de 5 níveis de governação agora cortavam para 3 - central, regional e municipal).
Pior era a corrupção desenfreada que florescera no mesmo passo e que gravemente comia os recursos do Estado e desiquilibrava as contas públicas.
Enfim, um diagnóstico que dá que pensar.
Porque não é preciso inflaccionar o funcionalismo público para que alastre a corrupção que esbulha o Estado - Portugal prova-o.

George, não queres dar um pulinho a Lisboa, para dar umas dicas olimpicas aos lusos camaradas, a ver se reformam pela esquerda o PEC local,
começam finalmente a dar combate à corrupção e se se afoitam a dar umas murraças secas em Bruxelas, impactantes qb em Berlim and else, para ver se evitamos ter de vir a recorrer à tua pistola carregada?


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