6 comentários:
De Um Professor suicidou-se a 19 de Março de 2010 às 12:42
...
Quando a antiga equipa ministerial viu os vídeos que passaram nas televisões, com crianças e adolescentes a portarem-se nas aulas como no recreio ou num circo, a insultarem e baterem nos colegas e em professoras (jovens e idosas, para as crianças isso não conta, quanto mais frágil for a vítima, tanto melhor…), negaram a evidência e tomaram por excepção o que começava a ser uma regra.

Seis mil professores pediram, no mesmo ano, a aposentação antecipada.
E, agora, um professor suicidou-se.

Se a anterior equipa ministerial estivesse em funções talvez fizesse um inquérito aos alunos do professor suicida, para apurar se estes jovens do 9º ano, com uma idade média de 15 anos, que o empurravam, lhe davam “calduços” e chamavam “cão”, não teriam ficado traumatizados pelo acto tresloucado do seu suicídio. Não hesitariam seguramente em fazer-lhe um processo disciplinar a título póstumo.

Um Professor suicidou-se.
Antes de se lançar ao rio, escreveu no seu diário: “Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio”.

A anterior equipa ministerial não é a única culpada da degradação do ensino, ela é fruto da degradação da nossa sociedade e toda a comunidade tem culpa, por se demitir das suas funções e dos seus deveres.

Talvez o desespero e a morte deste Professor façam despertar as consciências e haja uma reflexão séria sobre o estado a que chegou o nosso ensino, a nossa política e a nossa sociedade.

Eu escrevo com dor e asco. Para que os Professores que sofrem ou conhecem estas situações as denunciem e que se repensem as leis e os estatutos dos Professores e dos alunos, de modo a que os Professores possam ensinar num bom ambiente de trabalho, os alunos prevaricadores possam ser punidos com severidade e os pais responsabilizados pelo mau comportamento dos seus filhos.

PUBLICADA POR DEANA BARROQUEIRO EM 04:50 http://conversacomleitores.blogspot.com/2010/03/um-professor-suicidou-se.html


De Educação Real a 19 de Março de 2010 às 12:45
DEANA BARROQUEIRO disse...

Quando se praticam reformas do ensino com intuitos meramente económicos e para ter bons resultados nas estatísticas, sacrificando uma classe profissional e a qualidade desse ensino, paga-se no futuro um preço muito caro.

O facilitismo, a diminuição do grau de exigência, o esvaziamento de conteúdos "difíceis ou trabalhosos" dos programas, as pedagogias do lúdico (tudo tem de ser um jogo),
o regime de faltas dos alunos (podem não pôr os pés nas aulas que não reprovam) a quase impossibilidade de reter um aluno, mesmo sem aproveitamento à maioria das disciplinas,
a sensação de impunidade com que esses alunos cometem as suas agressões verbais e físicas ou ostentam o seu desinteresse pelo estudo - porque sabem, como eles mesmo afirmam, "que passam de qualquer maneira" -,
tornaram o acto de ensinar, em muitas turmas e escolas, uma tarefa impossível e de terrível desgaste para qualquer professor que, em 45 m. de aula, passa 30 tentar manter a disciplina e 10 ou 15 para "dar a matéria".

A actual Ministra da Educação, ao contrário da anterior, conhece bem a realidade das escolas, "no campo" e não no papel.
Talvez ainda haja esperança, se o Governo lhe der margem para trabalhar e não a force a seguir as pisadas de Maria de Lurdes Rodrigues.
13 DE MAR DE 2010 12:42:00


De é a mesma mão ... !!! a 19 de Março de 2010 às 12:47
Rogério Pereira disse...
Minha Cara, diz a certa altura: "A anterior equipa ministerial não é a única culpada da degradação do ensino, ela é fruto da degradação da nossa sociedade e toda a comunidade tem culpa, por se demitir das suas funções e dos seus deveres."

Não posso estar mais de acordo. Lembro que

"A mão que embala o berço, governa o mundo".

A mesma mão que coloca a cruz no boletim de voto e que assina o recibo de vencimento.

A mesma que que, com um clique envia a sua declaração de IRS às finanças...

Meu Deus, como isto é tornado tão simples quando se quer explicar um suicídio.
13 DE MAR DE 2010 23:38:00


De ambiente de trabalho... a 19 de Março de 2010 às 12:51
Catarina disse...
Cheguei aqui através do Sorumbático.
Concordo com tudo o que diz.
O laxismo, o facilitismo que há muito, muito tempo se verifica na educação, aliados a todos os outros factores já mencionados, ajudam a agravar a situação.

Desacato à autoridade. Porquê? Talvez porque a “autoridade” não se dá ao respeito, não aplica as medidas punitivas apropriadas à transgressão cometida?

Relativamente ao que o comentarista Fernando Frazão diz, talvez nunca se saiba ao certo o que realmente aconteceu, quais os problemas que este senhor teve e por quanto tempo os teve.

Apenas eu não ponho em dúvida que o ambiente de trabalho em que este professor esteve inserido, não tivesse tido um grande impacto na sua decisão final. Para já tenho um grande respeito pelos professores.

Em todas as profissões há os bons, os muitos bons, os assim assim, e por aí fora... Há alguns que são bastante dedicados à sua profissão, é aquilo que mais gostam de fazer e são bons professores:
sabem ensinar, sabem transmitir conhecimentos.
Mas acontece, que nem todos têm aquela personalidade que lhes permite dominar uma classe, sistematicamente, durante todo o ano lectivo. Deve ser muitíssimo frustrante querer fazer um bom trabalho e não ter ao seu dispor as condições propícias para o fazer.

Publicamente afirmaram, por meio dos jornais, que o professor tinha uma “fragilidade psicológica”, que “era do conhecimento público”! Eu fiquei abismada! Onde está o direito à privacidade? E se a escola (suponho eu) tinha conhecimento de que algo se passava com este professor, que fez neste sentido? Proporcionou-lhe apoio? Ajudou-o de qualquer forma?
Não me admirarei se dentro de pouco tempo, quando todos os inquéritos forem feitos e analisados, cheguem à conclusão de que afinal estas vítimas foram culpadas do que lhes aconteceu ou da decisão que tomaram. E deixam de ser vítimas.

E nenhumas medidas novas serão implementadas e tudo ficará na mesma. E passado pouco tempo, “business as usual”, como os ingleses dizem.
14 DE MAR DE 2010 04:02:00


De VALORES e intervenção para MUDAR !! a 19 de Março de 2010 às 12:56
jaime maia disse...
Caros leitores, começarei por dizer, que sou totalmente contra a "pena de morte" que na circunstância, não é o que está em análise, ...Mas também não aceito de modo algum, o suicídio.

Com o devido respeito por todos aqueles que se tenham suicidado; professores ou não, ou por aqueles que já equacionaram essa hipótese como forma de fuga para os seus problemas,penso que, todos os problemas têm uma solução, e que passa sempre por formas de agir , de acordo com os conflitos existentes; nunca pela desistência.

Quantos escriturários, empregados fabris, estudantes, mulheres mal tratadas pelos seus maridos, técnicos disto ou daquilo, não sofrem e sentem a pressão dos seus chefes,maridos, colegas, por vezes mal formados, levando-os ao desespero e, não é por isso que se suicidam.

Para concluir, penso que o suicídio é uma forma de incapacidade do suicida, de conseguir gerir os problemas e as dificuldades que surgem durante o exercício das suas funções.
No caso concreto que é apresentado neste blog, acredito que se tivesse havido mais ajuda ou interesse em estender a mão ao infeliz protagonista, talvez se tivesse evitado um desfeixo tão perturbador.

...quero deixar bem sublinhado que estou plenamente de acordo, quando se diz que cada vez mais se vão perdendo os valores da ética e da moral, pilares fundamentais para em qualquer sociedade se poder evoluir e viver em Paz, Amor e Humildade, formas elementares para a evolução da Humanidade!

Algo está mal é certo, por isso devemos cada vez mais interferir em todas as áreas da sociedade em que estamos inseridos, de forma a não deixarmos que os mais fracos possam cometer este tipo de atos.

Vivemos ou não em democracia?
Não é ela precisamente que nos dá a soberania, enquanto povo, para podermos mudar as coisas! Então estamos à espera de quê ou de quem para o fazer?


De marcadores a 19 de Março de 2010 às 14:58
Vou aqui postar parte de um artigo da Médica Psiquiatra, Mestre em Psiquiatria e saúde Mental Dr.ª Ana Matos Pires e que saíu no Joranal Público de hoje:

"Bullying não significa 'violência em meio escolar', daí que me pareça forçada a relação que alguns estabeleceram entre o suícidio de um homem (professor) na Ponte 25 de Abril...

... O suícidio é um comportamento complexo que, de todo, não pode ser atribuído a um factor causal único...

.. Não existe uma taxa aumentada de suícidio nos professores por comparação com a população em geral..."


Comentar post