8 comentários:
De Reduzido Portugal a 25 de Março de 2010 às 14:45
Sobre o PEC

É ainda cedo para fazer análises aprofundadas sobre o PEC. Deixo por agora, apenas alguns apontamentos que me têm feito pensar e acerca dos quais não consigo encontrar uma resposta (pelo menos se procurar respostas no mesmo paradigma de pensamento em que está assente este Pacto de Estabilidade e Crescimento). Por agora levantarei apenas algumas questões acerca de Política Macroeconómica.

Primeiro, o que não percebo é a reviravolta ideológica do governo do PS, que após meses de campanha eleitoral a encher os debates e comícios com grandes certezas acerca da importância do investimento público no relançamento da economia, aparece agora com um PEC que, reduz claramente estes investimentos. Isto, depois de sabermos que, do dinheiro disponibilizado para o plano anti-crise, apenas aproximadamente metade foi realmente utilizado para este fim.

Obviamente que compreendo que a culpa não é exactamente do governo mas sim de uma conjuntura perniciosa, de um modelo perigoso que leva a propostas do tipo daquelas feitas ao governo grego acerca da venda de ilhas gregas...

Por isso, o que me custa a perceber é se a adopção de medidas pró-cíclicas, perseguindo um objectivo cego como os 3% de défice das contas públicas, reduzirá realmente o défice a médio prazo, ou se o desmantelamento do que resta do sector público produtivo e o fim de medidas de apoio a uma economia ainda mais enfraquecida pela crise não nos obrigará a novas medidas de aperto orçamental no futuro, sempre, e mais uma vez, pagas pelos mesmos.

Não consigo acreditar que num clima restritivo sobre a procura e quando os privados continuam com medo de investir, estas medidas possam ter efeito sobre a economia real e possam relançar essa mesma economia e permitir uma redução do défice. Afinal, é verdade ou mentira que as contas públicas estavam minimamente controladas antes da crise e que o grande crescimento do défice é devido, principalmente, aos estabilizadores automáticos relacionados com a diminuição das receitas de impostos e aumento das prestações sociais? Será que não era melhor política diminuir o défice também automaticamente com um ataque as razões do seu aumento onde assume particular relevância o desemprego?
- Publicada por Tiago Santos , em 7.03.2010, http://profundaignorancia.blogspot.com/

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...
Paul Krugman parece ser da mesma opinião.

Depois de adoptar tão entusiasticamente o «downsizing», a República Portuguesa está a ser ela própria «downsized».

É justiça poética, mas quem a paga somos nós.


De Rigor e honestidade a 24 de Março de 2010 às 15:41
Falta de rigor e pouca seriedade
DD não só se engana nos números como, quando fala por ele "que é reformado", não diz quanto é a sua reforma. Será acima ou inferior à médoa nacional?
O que pensa DD das reforma de 300/400Euros?


De DD a 22 de Março de 2010 às 23:00
A questão de dizer que são os funcionários a pagarem a factura por não serem aumentados é uma falácia.
Não houve inflação, antes deflação, não houve praticamente crescimento da economia portuguesa e houve queda na maior parte das economias europeias que nos podem comprar produtos que exportamos e não houve aumento de produtividade.
Significa isto que os aumentos dos 650 mil funcionários públicos têm de ser tirados de outras pessoas, nomeadmente dos 3 milhões de reformados ou dos trabalhadores do sector privado. E ninguém pense que é a uns 30 a 40 administradores bem pagos que se vai buscar dinheiro para 650 mil funcionários, 500 mil desempregados e 3 milhões de reformados e os lucros da banca são milionários, mas representam 50 cêntimos diários por cada português..
É tudo uma questão de contas.
Portugal como toda a Europa vive sob a ditadura da Alemanha que impõe a sua vontade enquanto as decisões dos conselhos de ministros europeus são tomadas por consenso.
A Alemanha exporta imenso para toda a Europa e é responsável por grande parte das dívidas de países como a Grécia, Irlanda, Espanha, Itália, Portugal, etc. e consome pouco porque tem um IVA de 25%.
Sempre que alguém não obedece à senhora Merkel, esta ameaça descer o IVA alemão para 19 ou 20%, provocando um rombo gigantesco no orçamento da UE que é financiado pela percentagem de IVA sobre as receitas do mesmo IVA e não devemos esquecer que os alemães são 82 milhões.
Esta ditadura poderia ter acabado, mas estupidamente muitos governos europeus, ou quase todos, quiseram que durasse até 2014. Só a partir desse ano é que as decisões deixam de ser tomadas por consenso e muitos países europeus têm problemas semelhantes aos da Grécia, Espanha, Irlanda, etc., pelo que se pode formar uma maioria para alterar a situação com a transformação do Banco Central Europeu num banco de equilíbrio das finanças europeias com emissão de títulos especiais de dívida a baixo juro destinados às regiões europeias que atravessem maiores dificuldades.
Os maiores inimigos e críticos da UE nunca perceberam a ditadura alemã e tudo fizeram para que esta se mantenha por mais três anos.
Há duas Europas, a normal a que Portugal pertence e a Alemanha que exporta e viu hoje assinado o maior contrato industrial de sempre, ou seja, a venda de mais de 250 mil motores e partes mecânicas pela BMW a um fabricante americano que vai utilizar esse no fabrico de viaturas para a polícia americana, pois ganhou o respectivo concurso.
As exportações alemãs per capita são cerca de 25 vezes mais que as chinesas, estando ligeiramente abaixo da China na totalidade e o saldo da balança comercial é 100 vezes maior que o chinês per capita. E isto com uma quebra no PIB de 5,7% em 2009 que resultou da redução do consumo interno. Mesmo assim, a crise também é profunda na Alemanha como em todos os países europeus e até do Mundo, inclkuindo a China que viu as suas exportações encolherem em mais de 30% no ano passado.


De Izanagi a 24 de Março de 2010 às 15:11
Já aqui escrevi, mais do que uma vez, que um dos problemas graves do país, para além da Justiça e da má qualidade do Ensino Superior, é a falta de rigor na informação . No comentario de DD observamos essa incorrecção na informação, nomeadamente quando afirma que o IVA na Alemanha é de 25% , quando na realidade é igual ao português, ou seja, 20%. Em consequência todas as ilações que derivam desse pressuposto estão naturalmente erradas.
DD deveria ser mais rigoroso naquilo que escreve, porque engana, ainda que por negligência, os leitores.


De Izanagi a 22 de Março de 2010 às 19:33
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

José Saramago - Cadernos de Lanzarote - Diário III - pag. 148


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 23 de Março de 2010 às 10:42
Falar bem (lindos discursos) e escrever bem (lindos romances) é uma coisa.
Sempre foi pratica corrente sermos enganados com a verdade (meias verdades).
O conto do vigário assenta uma parte na construção correcta de um pensamento (e na ganância, na outra parte).
Os grandes escritores foram grandes porque escreveram bem os seus romances . Os grandes políticos porque escreveram bem os seus discursos.
Agora entre um romance e grande romance...
Entre um bom discurso e uma boa prática ...
Falam do Figo, do contrato do TagusPark e do apoio a Sócrates.
E não falam do Saramago, da Casa dos Bicos para a Fundação Saramago e do apoio a António Costa.
Lembram-se daquele ditado popular?
"Cantas bem mas não me alegras"


De DD a 21 de Março de 2010 às 16:22
Ver no PEC uma factura da crise é próprio da oposição mais vesga e estúpida.
Desde o início de 2009 que não há praticamente inflação e há mesmo deflação ou queda de preços em muitos bens e serviços. Saliento em particular os juros de compra de habitações e as próprias habitações que são hoje compradas a menos de metade do preço que há uns 4 anos atrás, o que não é de espantar num país com alojamentos independentes para mais de 25 milhões de habitantes e 17 milhões de registos de propriedade nas conservatórias respectivas.
Os automóveis, computadores, televisores, electrodomésticos e até calçado e roupa estão mais baratos que há um a dois anos atrás e o mesmo se pode dizer de muitos bens alimentares, nomeadamente da fruta.
O grande problema de toda a agricultura portuguesa reside no baixo preço dos produtos alimentares que agricultores envelhecidos com poucos conhecimentis e falta de equipamento não podem acompanhar.
Muitas empresas têm ido à falência porque os preços praticados no mercado estão abaixo dos seus custos de fabrico..
Por isso, dizer que o não aumento dos funcionários públicos, e não só, é uma espécie de tragédia revela uma má fé terrível. Num situação deflacionária não é sacrifício o não aumento dos salários e pensões de reforma. E falo por mim que sou reformado.
As pequenas deduções no IRS foram o mínimo possível para evitar beliscar no nível de vida dos portugueses e o escalão de 45% um pequeno ajustamento no sentido de uma redistribuição mais justa.
Não vejo no PEC nada de dramático e nada que venha a alterar significativamente o nível de vida dos portugueses e não considero que em período de deflação, os salários tenham de aumentar e, principalmente, os dos trabalhadores mais bem pagos do País como os pilotos da TAP. que estão a ganhar mais do dobro do que é pago nos EUA, cuja recessão levou ao desemprego de dezenas de milhares de piltos da aviação civil.
Se a TAP for à falência os pilotos portugueses terão muita sorte em encontrar um trabalho de condutor de autocarro, mas não de piloto, dado que as muitas falências e fusões de companhias aéreas em todo o Mundo produziu um desemprego enorme na classe.


De Ressaca a 21 de Março de 2010 às 19:20
Deve estar de 'barriguinha cheia'. Reformado, do Estado possivelmente (aposentado), a gozar dos direitos adquiridos, porque isso é conversa de quem não faz contas diariamente à vidinha para saber como há-de sobreviver até ao dia seguinte.
Porque independentemente das razões que o assistem é discurso cruel e desrespeitoso para muita gente neste país que dos impostos que pagam HOJE lhe estão a sustentar o seu pecúlio.
E não me venha com as tretas de que descontou 40 anos, porque isso é conversa de ignorante e de má fé, porque basta saber aritmética para saber que de certezinha já recebeu o que descontou com juros de mora e correcção monetária.


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