Participação cívica, também associativa

Mais do que queixumes são necessárias ideias novas e iniciativas eficazes. A que surgiu há dias neste blog, a propósito do Lumiar, poderá, muito bem, ser exemplo.

Ouve-se, a miúdo, às mesas do café ou “queixumes” de amigos, que o processo de escolha dos listados para concorrer a muitas das autarquias foi, em demasiados casos, pouco transparente, muito filtrado por pequenos caciques, nada debatido e sem a mínima participação por parte dos militantes partidários.

Assim, a ser verdade, não será tão cedo, que aparecem alternativas credíveis à confrangedora pobreza política existente, aos vários níveis do exercício da representação(?).democrática(?).

Cidadãs e cidadãos, precisam-se, no mínimo, com menos contradições e menos egoísmos, no máximo, com mais convicções, mais sérios, com mais ética. Gente com novos ideários e preposituras, faz falta à refundação do exercício democrático, à implementação de novos e diferentes comportamentos que renovem a confiança perdida na política e bom governo da “rés pública”.

Para que possam surgir, na vida pública, tais cidadãos há que começar a praticar, esses princípios e hábitos, nos prédios onde habitamos, nas reuniões de condomínios, passando pelas associações do bairro, pela intervenção nas assembleias de freguesia...

Locais estes que têm sido um deserto de participação cívica, incluindo dos próprios e imediatamente interessados. A maioria está sempre à espera que alguém lhes resolva os problemas com os quais se deveriam preocupar, segundo os próprios e imediatos interesses.

Em vez de passarmos a vida a dizer mal uns dos outros, deveríamos olhar mais para cada um de nós próprios e interrogarmo-nos sobre a participação de cidadania, aos diferentes níveis e nas mais variadas possibilidades que existem ou podem ser criadas pela sociedade civil.

Paradoxo, dos paradoxos, é o facto dos portugueses, depois de terem sido libertados de uma ditadura que os oprimia, tornaram-se, genericamente, nuns Estado-dependentes. É o que temos sido, nos últimos 30 anos, individual e colectivamente em vez de cidadãos de plenos direitos e concordantes obrigações.

Se cada um responder, positivamente, segundo a sua quota-parte de responsabilidade, na dos problemas de todos, deixará de haver tanta "camarilha" e "boys-autarquilizados" à procura de “many for the boys”. Alias, haveria menos desemprego (que chega já próximo dos 10%) porque o espírito empreendedor seria bastante mais dinâmico, o que não acontece, desde logo, a partir do próprio exemplo de inércia que advém das autarquias e respectivo quadro de pessoal. É um acomodar quase absoluto.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:04 de 22.03.10 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Zé das Esquinas o Lisboeta a 24 de Março de 2010 às 09:48
E vou deixar aqui já o lema para o próximo ano:

"Eu Cago ,
Tu Limpas!"


De allungare il pene a 22 de Março de 2010 às 14:36
Obrigado por este artigo, muito interessante! Eu gosto muito é sobre política, e eu acho que você nunca deve parar de falar sobre a empresa


De Limpar lixo e ... a podridão deste país? a 22 de Março de 2010 às 09:20
LIMPAR PORTUGAL
[Publicado por AG, Causa Nossa, 19.3.2010]

LIMPAR PORTUGAL é amanhã, sábado, dia 20 de Março.
Comecemos amanhã pelo lixo visível, à superfície.

Para ganhar forças para a limpeza da podridão mais profundamente entranhada...
Eu vou estar com quem me desafiou há meses atrás para esta operação de limpeza. No concelho de Sintra, pois claro, em Monte Abrãao.
E vocë, já se inscreveu?


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