Quarta-feira, 24 de Março de 2010

 

Há quem afirme que o Subsidio de Desemprego em Portugal é muito generoso e que por via disso os desempregados se recusam a aceitar empregos oferecidos por “generosos” empresários. Vejamos então a generosidade do calculo e a «sacanagem» que está por detrás de tais afirmações.

O montante diário é igual a 65% da remuneração de referência e calculado na base de 30 dias por mês.

Ninguém pode receber mais de três vezes o IAS - Indexante dos Apoios Sociais, que este ano está fixado em 419,22 euros (o mesmo de 2009). Ou seja, o valor máximo que se recebe de subsídio de desemprego é 1 257,66 euros por mês. Ninguém pode receber mais mas menos pode. Para fazer as contas é preciso saber quanto ganhou em 12 meses (SB=salário bruto, prémios, horas extraordinárias). Se, nesse período, recebeu os subsídios de férias e de Natal, multiplique o seu salário base mensal por 14. Ora se o valor base de cálculo for menor, menos receberá de subsídio e, consequentemente, menor será o encargo da segurança social. Também aqui o Estado (governo) tira vantagens na precarização das relações de trabalho.

QUANTO RECEBE DE SUBSÍDIO SOCIAL DE DESEMPREGO

1. Beneficiários sozinhos: €335,38 (80% do IAS fixado para 2009) ou o valor da sua remuneração de referência líquida (o que for mais baixo).

2. Beneficiários com agregado familiar: €419,22 (100% do IAS fixado para 2009) ou o valor da sua remuneração de referência líquida* (o que for mais baixo).

*A remuneração de referência líquida é quanto a entidade empregadora declarou à Segurança Social que lhe pagou em média nos primeiros 6 meses dos últimos 8 (a contar do mês anterior àquele em que ficou desempregado) menos os descontos para a Segurança Social e os impostos.

PERÍODOS DE ATRIBUIÇÃO

O número de dias a que tem direito a Subsídio de Desemprego e Subsídio Social de Desemprego varia em função da idade e do número de meses com registo de remunerações no período anterior à data do desemprego.

Pelo exposto várias e diferentes conclusões se podem elidir, algumas aqui ficam:

  • Com o desemprego ninguém chega a rico;
  • O desemprego gera e alimenta a pobreza dos cidadãos e da sociedade em geral;
  • A política dos baixos salários não faz crescer a riqueza nacional nem o desenvolvimento económico do país;
  • Um sistema destes, assim alimentado, apenas poderá servir a selvajaria de um capitalismo sem regras nem escrúpulos. Há que combate-lo. Os socialistas não podem fazer de Pilatos sob pena de sermos julgados pela história dos acontecimentos próximos futuros.


Publicado por Zé Pessoa às 00:08 | link do post | comentar

9 comentários:
De Zé das Esquinas o Lisboeta a 24 de Março de 2010 às 09:52
Hoje acordei muito mais descansado:
O Sr. Ministro das Finanças garantiu ontem ao final do dia que todas, mas esmo todas as Pensões vão ser aumentadas bem como todos os subsídios sociais...
Hoje vou dormir muito mais descansado...


De marcadores a 24 de Março de 2010 às 10:02
Passo a acrescentar algumas das minhas conclusões de experiências de vida:

- A trabalhar ninguém chega a rico;
- A maior parte do que se aufere no emprego gera e alimenta a pobreza dos cidadãos e da sociedade em geral;
- A política dos altos salários dos gestores públicos e de outros, não faz crescer a riqueza nacional nem o desenvolvimento económico do país;
- Um sistema destes, assim alimentado, apenas poderá servir a socialistas que meteram o socialismo na gaveta. Um socialismo destes mata o verdadeiro socialismo. Há que combate-lo. Os socialistas não podem fazer de conta que não sabem da chave da gaveta, sob pena de nos virem penhorar a cómoda..


De Zé T. a 24 de Março de 2010 às 10:41
Parabéns a Zé Pessoa pelo esclarecedor post.

Estou totalmente de acordo com Zé P., e com Marcadores, quanto às conclusões.

Falta o agir colectivamente e em força,
na sociedade, na empresa, no sindicato, no movimento, no partido, nas eleições (internas e nacionais )...


De Cambalachos e mordomias a 24 de Março de 2010 às 10:50

Como é que uma residente em Paris é convidada e aceita ser candidata a deputada em Lisboa e o mais grave, em lugar elegível?
Como e com que fundamentos os serviços da Assembleia propõe que a deputada seja considerada como eleita pelo circulo da Europa?
A solução de transformar Inês de Medeiros numa deputada eleita pelo círculo da Europa para efeitos de pagamento de viagens foi proposta.
É ou não válida a morada declarada para efeitos de candidatura nas legislativas que no caso foi a freguesia de Santa Catarina, em Lisboa. Que morada vale afinal?
É por situações como estas e muitas outras que por aí andam escondidas que as regras eleitorais deveriam impedir, quem quer que fosse, de ser candidato a eleições fora do seu espaço de residência, mesmo nas juntas de freguesia ou municípios onde o regabofe ronda as raias da sem vergonha.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 24 de Março de 2010 às 11:01
Tem muita razão no que refere, excepto na vergonha.
Para ter vervonha é preciso duas coisas:
- Ter noção do que é correcto;
- Ter cara.
E infelizmente o que hoje para aí vemos são trogloditas e caras de pau.


De ... demokracia doente... a 24 de Março de 2010 às 11:17
concordo que é indecente e inadmissível ... e que há muitos milhares de casos (políticos, governativos, empresariais, sociais) igualmente graves e cancerígenos para a nossa democracia...

por exemplo:
como se admite que na 'casa da democracia', na AR, órgão de soberania, a maioria dos deputados tenham aprovado um regimento (soberanamente, e também um orçamento despesista...) e depois,
mesmo quando são repreendidos pelo seu presidente ...
protestem em coro como meninos mimados e traquinas (episódio do fechar abruptamente os computadores de serviço público...)
- e os líderes de bancada nada fazem/dizem e compactuam com isto ?
realmente a nossa democracia é primária e está na rua da amargura ...

e com tanto lixo escondido debaixo do tapete... vai ser preciso uma equipa muito esforçada, forte e coesa, para conseguir limpar isto ... e se o eleitorado não lhe fizer um 'manguito'... e não se passar para radicais-populistas.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 24 de Março de 2010 às 11:35
A AR, infelizmente , não é exemplo para ninguém
- Para ser líder de bancada deveria ser escolhido um deputado que soubesse liderar, mas parece que se escolhe por se ser fiel. Política canina.
- Para não se saberem comportar como altos representantes do país, deveriam ter educação, mas parece que são escolhido por outros "méritos", Política de compadrio.
Isto para não referir que até têm uma assistência médica e de segurança social com serviços próprios distintas dos outros cidadãos e funcionários de estado.
Mas quem pode, pode... Porque se estiver à espera do eleitorado, bem pode sentar-se para não agravar as varizes. Sim porque para pior é sempre possível.
E as "mudanças" nunca são feitas "democraticamente" pois o poder é corrosivo e quem está no poder tem quase sempre tendência a perpetuar-se .


De PECados que nos matam a 24 de Março de 2010 às 15:25
Embora a Metro Mondego tenha sido constituída há vários anos continuam os conimbricenses sem vislumbrar qualquer resultado prático e nem os residentes na região sabem quando poderão experimentar qualquer inovação das novas tecnologias de transportes
Conforme pode ser constatado na internet esta empresa com um capital de 1.075.000,00€, tem como accionistas o Estado com 53%; o município de Coimbra e Lousa com 14% cada; a REFER e CP com 2,5%. É, como se pode constatar dinheiro do Estado que o mesmo é dizer dos contribuintes.
A única coisa de relevo que é palpável e realizado são os custos que só ao nivel administrativo se contabilizam em nada mais nada menos só remunerações, em cada ano, 267.486,00€
Assim distribuídos: Presidente 78.311€; 1º Vogal Executivo 72.001€; 2º Vogal Executivo 87.734€; 4 Vogais não Executivos 34.440€
Além destes “sortudos” gestores, diz-se haver um conjunto de técnicos de diversas especialidades, essencialmente engenheiros, a ultrapassar a méis centena para dar pareceres técnicos e outra “colaborações” mais ou menos bem remuneradas.
São estes e outros idênticos PECados que nos matam a nós e à economia portuguesa.
Parabens a Zé P..., são debates destes que é necessário desenvolver.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 25 de Março de 2010 às 12:02
Perante as notícias recente sobre a desconvocação da greve dos pilotos da TAP, senti necessidade de voltar a este post .
Afinal existe quem a trabalhar vá senão enriquecer, pelos menos para lá caminhar...
Então não é que perante os resultados positivos do exercício da companhia aerea decidiram (?) dividir os lucros a mielas dando aos srs. pilotos + cerca de 650 euros mensais...
Estou à espera que quando nos anos der prejuízo nos resultados este também se venha a reflectir a mielas nos ordenados dos ditos pilotos.
Mas bem posso ficar à espera...

E ainda alguém porque as mais valias dos lucros de Bolsa ainda não estão taxados em fonte de IRS/IRC?
E não era possível, querendo, ter efeitos já nos rendimentos de 2009? Ou só para agravar ao Zé Povinho é que pode ser já? Porque segundo li num pasquim qualquer só 10 tubarões ganharam milhões em mais valias isentas de impostos e isso daria para o tal PEC todo...
Á já me esquecia que Bolsa não é trabalho é especulação, logo não pode estar nessa coluna de taxação de impostos sobre o trabalho...


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