2 comentários:
De DD a 28 de Março de 2010 às 21:13
1- O assassinato de um jovem de 15 anos, Alexis, por parte da polícia grega. No bairro de Exarchia, em Atenas, onde vive uma comunidade com muitos estudantes e artistas, de anarquistas e de muita gente de esquerda, a brutalidade da polícia é quotidianamente implacável.

São efectuadas rusgas e detenções sem mandato ou razão. Apenas porque ali vive muita gente que pensa e que critica e coloca em causa a ordem (podre, diria) instalada. Assim, a policia exerce a sua função de controlo e vigilância da população.

Quando lá estivemos, em Janeiro de 2009, numa manifestação de estudantes universitários a polícia prendeu 40 pessoas que se encontravam num mercado umas horas após a manifestação ter terminado. Agrediram e prenderam elementos do corpo de advogados da manifestação e vários médicos que acorreram em auxilio das pessoas agredidas pela polícia (o mercado era em frente a um hospital).

É evidente que em Portugal não há nada de semelhante. Assistimos a marchas de protesto de centenas de milhares de professores e de funcionários públicos e estudantes e não houve proibições, cargas policiais ou qualquer tipo de confronto com a autoridade.

Após esse período de grandes protestos, tivemos eleições e o PS voltou a ganhar as eleições, perdendo a maioria absoluta.

Na Grécia, o partido da direita perdeu as eleições após os grandes confrontos e o Pasok não está em condições para distribuir benesses a todos.

A Grécia tem como fonte principal de rendimentos o turismo e a sua enorme marinha mercante. Esses dois sectores atravessam uma profunda crise a nível mundial e a fuga ao fisco na Grécia é muito maior que em Portugal. A realidade é que as empresas não estão tão em crise como o Estado. Muitos dos estudantes que protestavam e muitos intelectuais estão ligados familiarmente às centenas de milhares de empresas que exploram o turismo como lojas, restaurantes, hotéis, navegação para as suas muitas ilhas, etc. e quase não pagam impostos. Não têm a consciência que nada se pode obter sem que os contribuintes entrem com as verbas necessárias.

A Grécia é, como Portugal, o segundo país com maior número de habitações da Europa, nomeadamente segundas casas nas ilhas. Muitas famílias conseguem um rendimento extra com o aluguer dessas casas nas ilhas e não declaram esses rendimentos e é curioso que a posse das segundas casas não se limita às classes ricas e médias como abrange largamente as classes de cidadãos de rendimentos mais baixos que deixaram a sua ilha para irem trabalhar para Atenas e Salonika, conseguindo um pequeno pecúlio para manterem em boas condições a segunda casa que é alugada ou utilizada em períodos de férias pelos proprietários.

Tal como a Portugal, falta à Grécia uma indústria moderna e uma agricultura mais próspera.

Por outro lado, a Grécia, ao contrário de Portugal, gasta muito mais dinheiro com a defesa devido à presença contínua da ameaça da Turquia que reivindica como suas muitas das ilhas gregas habitadas apenas por gregos. Os turcos continuam a não aceitar que um território, seja qual for, pertence à sua população e não a outra que pode estar próxima mas não habita nem ocupou alguma vez um dado território.


De Talvez um dia suceda a revolta a 28 de Março de 2010 às 15:02
Tudo isto, cá como lá, não passa de malabarismos e manigâncias, por parte dos mafiosos especuladores financeiros que ainda não vai meia dúzia de anos diziam que a economia grega era um exemplo de crescimento económico, como o disseram dos chamados oásis emergentes asiáticos os famosos "tigres" lembram-se?

Estes "gurus" que se pavoneiam por tudo quanto é sito luxuoso, desde Davos a Washington continuam a não querer perceber (porque lhes não convém) que a essência do(s) problema(s) é/são o(s) desequilibrio(s) económico e sociais dentro das empresas, em cada país e no planeta. Enquanto, numa mesma sociedade se permite que “coabitem” cidadão a receber de remunerações anuais vários milhões ao lado de gente a morrer de fome não haverá, não poderá existir economia que resista.

Talvez um dia suceda a revolta dos “porcos, sujos e maus”.


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