As duas Avantesmas do jornalista Crespo

Acabei de ouvir dois asnos a falarem no programa “plano inclinado” da SIC, o Bagão Félix e o Medina Carreira.

 

            O Bagão Félix diz que se a dívida pública deve ser calculada pela soma da dívida actual escriturada mais as obrigações futuras do Estado com os actuais pensionistas e com todos aqueles que estão a trabalhar e a descontar e que isso monta a mais de 200% do PIB.

 

            O homem é completamente estúpido; não sabe que morrem todos os dias cerca de 264 a 270 portugueses, o que dá uns 100.000 por ano. Portugal é um país feliz em que morrem menos de 1% da população por ano, mas morrem ou morreremos todos.

 

            Quer isto dizer que nos próximos quarenta anos vão morrer mais de quatro milhões de cidadãos e outros tantos serão reformados, devendo a incidência de mortes ser cada vez maior quanto mais avançada for a idade das pessoas, logo em percentagem muito maior na idade da reforma. Olhar para as reformas actuais e futuras como uma dívida do Estado sem considerar aqueles.

 

            Os dois mamíferos placentários defendem os sistemas privados de capitalização e alegam o grande aumento das cotações bolsistas no passado, esquecendo que esse crescimento especulativo foi o detonador da actual crise e que levou a quebras gigantescas nas cotações dos títulos das maiores empresas do Mundo e à quase falência de algumas como a GM, Ford, Siemens, Hoechst, Bayer, etc., etc. Eles esquecem que a passagem do modelo estatal para o privado implica que durante muitas décadas o Estado continue a arcar com as pensões actuais e daqueles que descontaram já durante uma parte da sua vida de trabalho sem receber os ingressos resultantes dos descontos da população activa mais jovem que iriam engrossar a especulação por parte dos fundos diversos geridos pela banca.

 

            Como uma das componentes da actual crise é a saturação dos mercados, é natural que os rendimentos bolsistas sejam muito modestos nas próximas décadas, pelo que não ganha o Estado nem os particulares,

 

            Tanto o Bagão como o Medina falam na despesa estatal próxima dos 50% do PIB, esquecendo a devolução à sociedade sob a forma de mais de 3 milhões de pensões. Curiosamente comparam com os 5% do Pib que gastava o Estado na I. República e nos 15% que gastava o Estado novo, isto em épocas em que não havia reformas gerais para todos nem saúde ou ensino também para todos.      

 

            Dois velhos mamíferos defendem todas as semanas o regresso a um Estado de há um Século atrás, como se isso fosse possível.

 

            Mais de 20% da despesa estatal é com reformas e mais de 70% é com tudo o que é social, portanto não podemos dizer que o Estado gasta demais, o que temos dizer é que o Estado não pode gastar mais do que está a gastar actualmente e é em parte esse o objectivo do PEC apesar de se dizer que em três anos o défice será inferior a 3%. Ora, isso não será conseguido com a redução de umas deduções em sede de IRS nem com a estagnação dos salários da função pública mais uns cortes nos investimentos e umas semi-privatizações como são as que os governos do PS sempre fizeram com dinheiro da CGD e deixando participações minoritárias do Estado, mas importantes na mesma. Mas, não interessa se for conseguido ou não, o que interessa é que o défice público não venha a disparar a valores que conduzam o Estado à falência total, o que também nunca sucederá porque os juros estão tão baixos que é possível emitir títulos do tesouro com juros mais elevados que os actuais 0,65% no primeiro ano.



Publicado por DD às 22:38 de 27.03.10 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Ressaca a 30 de Março de 2010 às 14:08
A propósito dos estúpidos e dos pretensamente estúpidos...

"Tenho a certeza de que todos vós darão o seu melhor para fazer da nossa pátria a minha ditosa pátria, minha amada."

José Sócrates, Primeiro-Ministro, falando para os finalistas de Estágios Profissionais do INOV - PÚBLICO - 28/3/2010

Depois desta "brilhante" demonstração de domínio do idioma de Camões, penso que é urgente averiguar se o diploma da quarta classe do Senhor Engenheiro não sofrerá dos mesmos padecimentos de outros seus diplomas...


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO