9 comentários:
De l.souza a 22 de Outubro de 2015 às 03:04
Por por informação na historia de de Portugal de alexandre herculano os lusitanos são celtas espanhóis que os ressucitaram escritores espanhóis Garcia de Meneses e Luis de Camões . Se lusitanos são espanhóis, nós portugueses dos Visigdos e godos viemos. Aos Lusitanos-espanhóis de hoje dizemos , estrangeiros indignos a, a todos os lusitanos-espanhóis sem historia recordamos , ALJUBARROTA, ALJUBARROTA !, ALJUBARROTA !, ALJUBARROTA, ! ALJUBARROTA !. VIVA OS PORTUGUESES-VISIGODOS.


De Almanaque Republicano a 7 de Setembro de 2010 às 12:52
BICENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE
*** ALEXANDRE HERCULANO ***
PRÓXIMOS EVENTOS

Nas Comemorações do Bicentenário do Nascimento de Alexandre Herculano [1810-1877], os próximos eventos a realizar, são os seguintes:

DIA 17 DE SETEMBRO - LEIRIA

EVENTO - Colóquio: "Alexandre Herculano"
LOCAL - Arquivo Distrital de Leiria (18 horas)
PARTICIPAÇÃO - Prof. Dr. Guilherme d'Oliveira Martins

DIA 4 DE OUTUBRO - LISBOA

EVENTO - Colóquio: "Herculano: dois séculos de mutualismo"
LOCAL - Auditório do Montepio (Rua do Ouro) (18 horas)
PARTICIPAÇÃO - António Valdemar, Guilherme d'Oliveira Martins e Vítor Melícias
ORGANIZAÇÃO: Associção Portuguesa de Escritores

DIA 12 DE OUTUBRO - LISBOA

EVENTO - Colóquio: "Herculano:Maçon"
LOCAL - Grémio Lusitano (Bairro Alto) (18, 30 horas)
PARTICIPAÇÃO - João Alves Dias
ORGANIZAÇÃO: Associção Portuguesa de Escritores

J.M.M.


De Zé T. a 1 de Abril de 2010 às 10:06
curiosidades:

BELÉM (freguesia integrada na cidade de Lisboa) já foi Município de pleno direito (até à reforma municipal de finais do século xix), tal como OLIVAIS (outra freguesia integrada em Lisboa) e dezenas de muitas outras espalhadas por todo Portugal .

Um elemento que permite 'saber' se a localidade já foi município é a existência de ''pelourinho'', coluna de pedra (com brasão no topo e, às vezes, 'braços' de ferro), onde os criminosos/faltosos eram amarrados e castigados pela justiça , e símbolo do poder municipal (juntamente com a casa da 'câmara' / 'paço municipal' e a prisão).

Alexandre Herculano foi o 1º presidente do Município de Belém (se não estou em erro, o que revela ter sido este um município de origem recente/ 1854? e efémero) conforme placa existente em actual escola primária/1ºciclo que serviu de ''paço municipal''/ 'câmara' de Belém, existente em frente à igreja e ex-convento (agora hospital militar) de ... na Calçada da Ajuda (ou lá próximo, creio ser este o nome da rua, e por onde passa o eléctrico).


De A obra de Alexandre Herculano a 31 de Março de 2010 às 17:56
A obra
Herculano deixou ensaios sobre diversas questões polêmicas da época, que se somam à sua intensa atividade jornalística.

A parte mais significativa da obra literária de Herculano se concentra em seis textos em prosa, dedicados principalmente ao gênero conhecido como narrativa histórica.
Esse tipo de narrativa combina a erudição do historiador, necessária para a minuciosa reconstituição de ambientes e costumes de épocas passadas, com a imaginação do literato, que cria ou amplia tramas para compor seus enredos.
Dessa forma, o autor situa ação num tempo passado, procurando reconstituir uma época.
Para isso, contribuem descrições pormenorizadas de quadros antigos, como festas religiosas, indumentárias, ambientes e aposentos, topografias de cidades.
São frequentes as intervenções do narrador, que tece comentários filosóficos, sociais ou políticos, muitas vezes relacionando o passado narrado com o quotidiano do século XIX.

A narrativa de caráter histórico foi desenvolvida inicialmente por Walter Scott (1771-1832), poeta e novelista escocês que escreveu A Balada do Último Menestrel e Ivanhoé,entre outros trabalhos.
Também o francês Vitor Hugo (1802-1885) serviu de modelo a Herculano: Hugo escreveu o romance histórico Nossa Senhora de Paris, em que surge Quasimodo, o famoso “Corcunda de Notre-Dame”.

A partir desses modelos, desenvolveu-se a narrativa histórica de Herculano, que pode ser considerada o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficção moderna em Portugal.

As Lendas e Narrativas são formadas por textos mais ou menos curtos, que se podem considerar contos e novelas.
Herculano abordou vários períodos da historia da Península Ibérica. É evidente a preferência do autor pela Idade Média, época em que, segundo ele, se encontravam as raízes da nacionalidade portuguesa.

O trabalho literário de Herculano foi, juntamente com as Viagens na Minha Terra, de Garrett, o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficção moderna em Portugal. Assim, a partir disto, as narrativas históricas foram gradualmente focando épocas cada vez mais próximas do século XIX.

Wikipedia


De Obras principais de Alex. Herculano a 31 de Março de 2010 às 18:01
Obras principais
(O Wikisource possui trabalhos escritos por este autor: Alexandre Herculano )

Poesia:
A Voz do Profeta – 1836
A Harpa do Crente – 1838 (eBook)
Poesias - 1850 (eBook)

Teatro
O Fronteiro de África ou três noites aziagas (drama histórico português em 3 actos) – (Representou-se em Lisboa, em 1838, no teatro do Salitre, foi editado no Rio de Janeiro em 1862)
Os Infantes em Ceuta – 1842

Romance
O Pároco de Aldeia (1825) - 1851[1]
O Galego: Vida, ditos e feitos de Lázaro Tomé[2]

Romance histórico
O Bobo (1128) – 1843.[3]
O Monasticon
Eurico, o Presbítero: Época Visigótica - 1844[4]
O Monge de Cister; Época de D. João I - 1848
Lendas e narrativas - 1851
1.º tomo: (eBook)
O Alcaide de Santarém (950-961)[5]
Arras por Foro de Espanha (1371-2)[6]
O Castelo de Faria (1373)[7]
A Abóbada (1401)[8]
2.º tomo: (eBook)
Destruição de Áuria: Lendas Espanholas (século VIII)[9]
A Dama Pé de Cabra: Romance de um Jogral (Século XI)[10]
O Bispo Negro (1130)[11]
A Morte do Lidador (1170)[12]
O Emprazado: Crónica de Espanha (1312)[13]
O Mestre Assassinado: Crónica dos Templários (1320)[9]
Mestre Gil: Crónica (Século XV)[9]
Três Meses em Calecut: Primeira Crónica dos Estados da Índia (1498)[12]
O Cronista: Viver e Crer de Outro Tempo[14]

História
História de Portugal: 1.ª época, desde a origem da monarquia até D. Afonso III - 1846-1853
História das Origens e Estabelecimento da Inquisição em Portugal - 1854/1859
Portugaliae Monumenta Historica – 1856-1873

Opúsculos
Opúsculos I: Questões Públicas, Tomo I (eBook)
A Voz do Profeta (1837)
Teatro, Moral, Censura (1841)
Os Egressos (1842)
Da Instituição das Caixas Económicas (1844)
As Freiras de Lorvão (1853)
Do Estado dos Arquivos Eclesiásticos do Reino (1857)
A Supressão das Conferências do Casino (1871)
Opúsculos II: Questões Públicas, Tomo II (eBook)
Monumentos Pátrios (1838)
Da Propriedade Literária (1851-2)
Carta à Academia das Ciências (1856)
Mousinho da Silveira (1856)
Carta aos Eleitores do Círculo de Cintra (1858)
Manifesto da Associação Popular Promotora da Educação do Sexo Feminino (1858)
Opúsculos III: Controvérsias e Estudos Históricos, Tomo I (eBook)
A Batalha de Ourique:
I. Eu e o Clero (1850)
II. Considerações Pacificas (1850)
III. Solemnia Verba (1850)
IV. Solemnia Verba (1850)
V. A Ciência Arábico-Académica (1851)
Do estado das classes servas na Península, desde o VIII até o XII Século (1858)
Opúsculos IV: Questões Públicas, Tomo III (eBook)
Os Vínculos (1856)
A Emigração (1870-1875)
Opúsculos V: Controvérsias e Estudos Históricos, Tomo II (eBook)
Historiadores portugueses (1839-1840):
Fernão Lopes
Gomes Eanes de Azurara
Vasco Fernandes de Lucena - Rui de Pina
Garcia de Resende
Cartas Sobre a História de Portugal (1842)
Resposta às Censuras de Vilhena Saldanha (1846)
Carta ao Redactor da Revista Universal
Da Existência e não Existência do Feudalismo em Portugal (1875-1877)

Esclarecimentos: ...


De Esclarecimentos (f: wikipedia ) a 31 de Março de 2010 às 18:08

A. Sortes Góticas
B. Feudo
Opúsculos VI: Controvérsias e Estudos Históricos, Tomo IV (eBook)
Uma Vila-Nova Antiga
Cogitações Soltas de um Homem Obscuro
Arqueologia Portuguesa:
Viagem de Cardeal Alexandrino;
Aspecto de Lisboa;
Viagem dos Cavaleiros Tron e Lippomani
Pouca luz em muitas trevas
Apontamentos para a historia dos bens da coroa
Opúsculos VII: Questões Públicas, Tomo IV (eBook)
Duas Épocas e Dois Monumentos ou a Granja Real de Mafra
Breves Reflexões Sobre Alguns Pontos de Economia Agrícola
A Granja do Calhariz
Projecto de Decreto
O País e a Nação
Representação da Câmara Municipal de Belém ao Governo
Representação da Câmara Municipal de Belém ao Parlamento
Projecto de Caixa de Socorros Agrícolas
Sobre a Questão dos Forais
Opúsculos VIII (eBook)
Opúsculos IX: Literatura (eBook)
Qual é o Estado da Nossa Literatura? Qual é o Trilho que Ela Hoje Tem a Seguir?
Poesia: Imitação—Belo—Unidade
Origens do Teatro Moderno: Teatro Português até aos Fins do Século XVI
Novelas de Cavalaria Portuguesas
Historia do Teatro Moderno: Teatro Espanhol
Crenças Populares Portuguesas ou Superstições Populares
A Casa de Gonçalo, Comédia em Cinco Actos: Parecer
Elogio Histórico de Sebastião Xavier Botelho
D. Maria Teles, Drama em Cinco Actos: Parecer
D. Leonor de Almeida, Marquesa de Alorna
Opúsculos X

Outras obras:
De Jersey a Granville (1831)
[editar] Algumas obras disponíveis em formato digital na Internet
O Bispo Negro
O Bobo
Eurico o Presbítero
A Harpa do Crente
Historia da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal
História de Portugal
Lendas e Narrativas
Opúsculos
Obras de Alexandre Herculano no Project Gutenberg

Bibliografia sobre Alexandre Herculano:
Coelho, António Borges. Alexandre Herculano. Lisboa, Editorial Presença, 1965.
Lima, Jaime de Magalhães. Alexandre Herculano, Coimbra : F. França Amado, 1910. Nova edição: Richardson, 2009, ISBN 1115215949
Medina, João. Herculano e a Geração de 70. Lisboa, Terra Livre, 1977.
Baptista, Jacinto. Alexandre Herculano Jornalista. Amadora, Bertrand, 1977.
Serrão, Joaquim Veríssimo. Herculano e a Consciência do Liberalismo Português. Amadora, Bertrand, 1977.
Nemésio, Vitorino. A Mocidade de Herculano (1810-1832). 2 vols, Amadora, Bertrand, 1978-1979.
Beirante, Cândido. Alexandre Herculano: As Faces do Poliedro. Lisboa, Vega, s.d. ISBN 972-699-262-1
Macedo, Jorge Borges de. Alexandre Herculano, Polémica e Mensagem. Amadora, Betrand, 1980.
Martins, Oliveira. Alexandre Herculano. Introdução e notas de Joel Serrão. Lisboa, Livros Horizonte, s.d.[15]

Referências
↑ Publicado inicialmente na revista O Panorama, em 1843.
↑ Publicado inicialmente em A Ilustração, Jornal Universal, em 1846
↑ Narrativa centrada na história de D. Teresa. Publicado inicialmente na revista O Panorama. A primeira edição em volume data de 1878. Antes disso tinha sido feita no Rio de Janeiro, em 1846, uma edição sem autorização do autor.
↑ Fala a respeito do fim do Império Godo na região que actualmente compreende a Espanha, diante da conquista dos muçulmanos que avançaram pela maior parte da Península Ibérica.
↑ Retrata o domínio árabe na Península Ibérica. Publicado inicialmente na revista A Ilustração, Jornal Universal, em 1845.
↑ Retrata um episódio do reinado de D. Fernando. Publicado inicialmente na revista O Panorama, em 1841-2.
↑ Retrata um episódio da Revolução de Avis. Publicado inicialmente na revista O Panorama, em 1838.
↑ Retrata um episódio do reinado de D. João I. Publicado inicialmente na revista O Panorama, em 1839.
↑ a b c Publicado inicialmente na revista O Panorama, em 1838.
↑ Retrata a Reconquista e a formação do Estado português. Publicado inicialmente na revista O Panorama, em 1843.
↑ Retrata a Reconquista e a formação do Estado português. Publicado inicialmente na revista O Panorama, em 1839.
↑ a b Publicado inicialmente na revista O Panorama, em 1839.
↑ Publicado inicialmente na revista O Panorama, em 1837.
↑ Publicado inicialmente na revista O Panorama em 1839
↑ Inclui: o capítulo I da parte «A Regeneração» do livro sexto (1851-1868) do Portugal Contemporâneo (1881), de Oliveira Martins e cartas de Alexandre Herculano a ...


De Cidadão e Historiador a 31 de Março de 2010 às 17:08
Um domínio historiográfico de 130 anos
por JOSÉ MATTOSO, Historiador


É impressionante o facto de a História de Portugal de Herculano ter permanecido como uma obra que dominou o medievalismo português durante cerca de 130 anos. Este facto representa talvez mais o nosso atraso historiográfico do que o valor (inegável) da obra. É uma das manifestações mais claras da dificuldade com que se impôs entre nós a historiografia científica.
Com efeito, sem negar o talento de Herculano na reconstrução dos factos a partir dos indícios documentais devidamente seleccionados e criticados, tem de se reconhecer que muitas das suas concepções de base são contestáveis. Por exemplo, o igualitarismo social dos concelhos. De resto, confundindo a história social com a história institucional e ignorando o sentido feudal do exercício do poder, propõe interpretações inaceitáveis de alguns factos, das cartas de foral e de outros textos jurídicos. As suas ideias municipalistas, no entanto, permaneceram até perto da nossa época como justificação de concepções políticas em termos de descentralização do poder estatal. Na História da Inquisição dá largas a um anticlericalismo faccioso.

Não se pode negar, no entanto, o valor literário da obra de Herculano, nomeadamente dos seus romances e narrativas históricas. É preciso também recordar a importância dos Portugaliae Monumenta Historica, que permanece o mais importante conjunto de fontes medievais portugueses até hoje publicado. Iniciado em 1856 (o mesmo ano em que saiu o último volume da História de Portugal) foi por ele dirigido até 1873, e, depois disso, continuado sob a responsabilidade da Academia das Ciências, mas de forma muito irregular, tanto do ponto de vista crítico como do ponto de vista da selecção das fontes.


De Honra a Alexandre Herculano a 31 de Março de 2010 às 17:00
Como foram as celebrações do primeiro centenário

A respeitabilidade do historiador após a sua morte fez que a comemoração dos cem anos do nascimento fosse digna.

A comemoração do centenário do nascimento de Alexandre Herculano foi impressionante.
No Diário de Notícias, tomou toda a primeira página desse dia [num formato que é o dobro do actual] e a terceira.
Na página interior, estavam impressos poemas de louvor a Herculano, fotografias de descendentes e da residência onde se exilara em Vale de Lobo. Até a espingarda de caça teve direito a figurar na reportagem.
No dia 29, as comemorações ocuparam ainda metade da primeira página do jornal e a editora que publicava os livros e estudos de Herculano anunciava numa coluna de alto a baixo todos os títulos à disposição. Nos dias seguintes, manteve- -se um noticiário constante.

Vinte e três anos após a morte do historiador, a sua presença ainda era muito marcante e a comissão executiva responsável pelo programa das comemorações fez realizar uma série de eventos a nível nacional.
No dia do centenário, os membros dessa comissão (na foto) visitaram o túmulo de Herculano nos Jerónimos e fizeram-se fotografar para a posteridade.
O rei presidiu e o príncipe D. Afonso assistiu à grandiosa homenagem na Academia Real das Ciências, festejou-se na Câmara de Lisboa e foi inaugurada uma exposição bibliográfica, para além de muitas outras iniciativas.

Sete anos antes de morrer, Alexandre Herculano escrevera ao historiador Oliveira Martins e fez uma análise dos tempos:
"V. S.ª reconhece que este país encerra um povo exhausto de seiva moral. Não perdeu a liberdade:
vinha perdido do papado, e acabam de o perder certas influencias francescas de diversas especies, que não sei se são democraticas […]
Houve tempos em que eu pensava nestas coisas: hoje só penso e devo pensar em questões de trigo vinho e azeite.
Os rapazes que cuidem da patria. O melhor serviço que nós os velhos liberaes podemos prestar a esta é sumirmo-nos por esses cantos para morrer.
Se fizemos, pouco e mal, as gerações novas que façam mais e melhor."


De Autoridade Moral e Intelectual a 31 de Março de 2010 às 17:05
"Se fosse apresentador de TV Herculano seria muito lido"
por JOÃO CÉU E SILVA

Para Rui Ramos, o esquecimento do historiador mostra o fracasso do sistema educativo.

Há 200 anos, Alexandre Herculano nascia em Lisboa no Pátio do Gil.
133 anos após a sua morte, não há memória dessa particularidade da sua biografia no referido pátio e o que se encontra ao visitar-se o local é um tapume que cobre a visão de destruição dessa Lisboa antiga.
A poucos metros do taipal amarelado fica a casa onde vivia a fadista Amália, mas, apesar da proximidade, ninguém ali sabe onde é o tal Pátio do Gil. Na taberna ao lado do pátio desaparecido a resposta revela o mesmo desconhecimento do ex-vizinho ali nascido.

Alexandre Herculano já não mora ali, nem "existiu" naquele sítio para esta geração de lisboetas que dele conhecem melhor as avenidas com o seu nome e, talvez, o facto de ter morrido distante, só e longe do poder que o venerava, na ribatejana Quinta de Vale de Lobo.

Esse ignorar da dimensão nacional da personalidade do historiador também se verifica com as autoridades da cultura oficial, situação remediada à última hora com o anúncio da realização avulsa de cerimónias para assinalar a data do bicentenário do nascimento de Alexandre Herculano.

Mas nem sempre foi assim, e à data do 1.º centenário as comemorações foram grandes e faustosas. À medida daquele português, que, segundo o historiador Rui Ramos, teve a data do seu nascimento assinalada como "um dos grandes acontecimentos do ano de 1910".
Nada que Alexandre Herculano estranhasse, pois, como escreve numa das suas Lendas e Narrativas, a memória é bastante dolorosa:
"Boa cousa é a história quando nos recordamos do nosso passado, e não achamos lá para colher um único espinho."

Para Rui Ramos, existem várias questões a colocar perante o apagamento de Alexandre Herculano. Considera que não é só ele que está esquecido, mas toda a sua obra publicada, que tem a maioria dos títulos praticamente esgotados e não se prevêem reimpressões. Excepção é a recente reedição, sob o formato de bolso, dos volumes I e II das Lendas e Narrativas pela LeYa esta semana.

O historiador considera que o modo como Portugal está a tratar Herculano difere do que aconteceria "num país civilizado, onde seria lembrado".
Quanto mais não seja porque "a nossa incultura e pobreza cultural exige que se aproveite o que de melhor temos". Como exemplo deste esbanjar, Rui Ramos dá o exemplo de nunca se ter feito uma edição completa dos Opúsculos de Alexandre Herculano.
E, num alerta, assume que esta situação decorre do "fracasso do nosso sistema de ensino", que "não prepara as pessoas para determinado tipo de leituras. Se fosse um apresentador de televisão, Alexandre Herculano seria muito lido".

Na data em que se comemoram os 200 anos do nascimento de Herculano, o autor e coordenador da mais recente História de Portugal faz questão de apontar três factores sobre aquele que considera ser o "pai da História em Portugal".

O primeiro é que é com Herculano que "começa a História moderna no nosso país e que o conhecimento do passado é realizado sob um ângulo científico". Realça o facto de ser pioneiro neste âmbito e de a sua obra "ter tido uma vida muito longa e ter causado uma boa impressão na Europa de então pelo valor científico".

Em seguida, Rui Ramos realça Herculano como um "grande construtor de cultura pública" por ter sido mais que um escritor e uma personalidade com grande intervenção no espaço público "com o objectivo de construir uma nova cultura para o país".
Por essa razão, acrescenta, Herculano trabalhou várias áreas - romance, poesia, história -, dirige a revista Panorama e torna-se directamente "responsável pela nossa cultura actual".

Por último, Rui Ramos refere a dimensão de Herculano enquanto ainda vivo:
"Teve uma influência sem paralelo em Portugal devido à sua autoridade moral e intelectual.

Ninguém teve poder público como ele, nem uma glorificação em vida como lhe sucedeu." Para o historiador, Alexandre Herculano "recebeu em vida a glória que Camões e Fernando Pessoa só tiveram após a morte".

In www.sapo.pt 28/3/10


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