De Honra a Alexandre Herculano a 31 de Março de 2010 às 17:00
Como foram as celebrações do primeiro centenário

A respeitabilidade do historiador após a sua morte fez que a comemoração dos cem anos do nascimento fosse digna.

A comemoração do centenário do nascimento de Alexandre Herculano foi impressionante.
No Diário de Notícias, tomou toda a primeira página desse dia [num formato que é o dobro do actual] e a terceira.
Na página interior, estavam impressos poemas de louvor a Herculano, fotografias de descendentes e da residência onde se exilara em Vale de Lobo. Até a espingarda de caça teve direito a figurar na reportagem.
No dia 29, as comemorações ocuparam ainda metade da primeira página do jornal e a editora que publicava os livros e estudos de Herculano anunciava numa coluna de alto a baixo todos os títulos à disposição. Nos dias seguintes, manteve- -se um noticiário constante.

Vinte e três anos após a morte do historiador, a sua presença ainda era muito marcante e a comissão executiva responsável pelo programa das comemorações fez realizar uma série de eventos a nível nacional.
No dia do centenário, os membros dessa comissão (na foto) visitaram o túmulo de Herculano nos Jerónimos e fizeram-se fotografar para a posteridade.
O rei presidiu e o príncipe D. Afonso assistiu à grandiosa homenagem na Academia Real das Ciências, festejou-se na Câmara de Lisboa e foi inaugurada uma exposição bibliográfica, para além de muitas outras iniciativas.

Sete anos antes de morrer, Alexandre Herculano escrevera ao historiador Oliveira Martins e fez uma análise dos tempos:
"V. S.ª reconhece que este país encerra um povo exhausto de seiva moral. Não perdeu a liberdade:
vinha perdido do papado, e acabam de o perder certas influencias francescas de diversas especies, que não sei se são democraticas […]
Houve tempos em que eu pensava nestas coisas: hoje só penso e devo pensar em questões de trigo vinho e azeite.
Os rapazes que cuidem da patria. O melhor serviço que nós os velhos liberaes podemos prestar a esta é sumirmo-nos por esses cantos para morrer.
Se fizemos, pouco e mal, as gerações novas que façam mais e melhor."


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